segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cronologia da república - 17 de Maio

  • 1911

Segundo Raul Brandão, a oposição à aplicação da lei da separação, gera uma onda de prisões.

Criação dos voluntários da república, com a direcção da maçonaria e carbonária, contra a oposição monárquica

Dos voluntários saíram outras milícias: Formiga Branca, Defensores da República, grupo dos 13, afectas ao partido de Afonso Costa

O carbonário Luz de Almeida, comanda 5 mil homens, para atacar o norte de Portugal

106 Prisões políticas

37 padres presos

  • 1912

Norton de Matos adere à maçonaria

  • 1914

É fechado o jornal “A resistência” de Coimbra

  • 1915

Assalto a vários centros monárquicos

Assalto à Liga Naval de Lisboa

Assalto à Igreja de São Paulo em Lisboa

Assalto à Escola de Guerra de Lisboa

Assalto ao jornal “O Dia” de Lisboa



  • 1917

É fechado o jornal “O Português” da Guarda

  • 1920

É fechado o jornal “A Imprensa” de Lisboa

  • 1921

Gomes da Costa é contactado para chefiar uma conspiração

  • 1924

Greve geral no Porto




Fontes: aqui

domingo, 16 de maio de 2010

Um certo mau gosto.

A começar pela bandeira verde/rubra, o regime republicano e os seus próceres apenas deitaram mão ao poder não tardaram a evangelizar o país com o mau gosto. Os gostos burgueses, o novo-riquismo que caracteriza estes 100 anos, desde os arrivistas da I República, passando pelo folclorismo do Estado Novo até aos patos-bravos cavaquistas da III República recordam-nos que a iconografia republicana apela para o kitsch (mas o kitsch mau), o garrido, o lúbrico resvalando para o maltrapilho - escória imagética a que uma certa sociedade se foi habituando como processo normal de coexistência. A prova deste flagrante menosprezo pela qualidade da arte produzida, do gosto educado e do talento aproveitado foi a forma como a caricatura serviu (e serve), não a sátira inteligente e elegante, mas a pura destruição pelo vulgar, pelo desprezível. Uma linguagem vernacular, associada a imagens licenciosas, suscitaram o desbragamento dos analfabetos assim electrizados pelas fáceis e despudorada campanhas republicanas. A prova está na imagem supra. Devemos, aliás, recordar que foi um feroz republicano, Bordalo Pinheiro, quem criou essa criatura abjecta chamada Zé Povinho que a República tão depressa acalentou como símbolo ao mesmo tempo paternalista e fóbico da maralha que controlava.

Cronologia da república - 16 de Maio

  • 1911

Greve de mineiros

  • 1915

É fechado o jornal madeirense “ O Realista”

Prisão de Pimenta de Castro e Machado Santos

  • 1918

Reconhecimento do governo de Sidónio Pais pela Inglaterra, França, Espanha, Itália, Bélgica, América do Norte, Argentina, Brasil, Uruguai, Cuba, Noruega, Holanda e China

  • 1923

Greve dos trabalhadores marítimos

  • 1924

A censura estende-se aos documentos oficiais

  • 1925

O governo declara o estado de sítio no distrito de Lisboa






Fontes: aqui

sábado, 15 de maio de 2010

A Verdade - o fundamental

O meu Amigo Nuno Couto, com quem, neste e noutros blogs, tenho mantido demorados debates sobre a questão de regime, prefere ser ele a escolher o Chefe do Estado; pela minha parte, obviamente, acredito muitissimo mais na opção dinástica para esse efeito. Não será por isso que alguma vez nos zangaremos. Somente por esta fundamental razão - ambos buscamos acima de tudo a verdade dos factos. O que actualmente é sonegado pelo «mundo oficial» à maioria dos portugueses, impreparada e desinteressada em os conhecer.
Sirva esta introdução para explicar o meu agrado pelo trabalho de Ernesto Rodrigues, «5 de Outubro - Uma Reconstituição», editado pela Gradiva em Fevereiro passado. Desconfio que o Autor não preza particularmente o regime monárquico. Mas, do que já li, os factos estão todos lá, ao dispor do leitor e das conclusões que este queira tirar. É assim mesmo. Pela minha parte, aqui deixo uns excertos, creio bastante elucidativos.
Logo na Introdução, a referência à divisa da República: «Ordem e Trabalho». Não se vê, hoje em dia, muitos republicanos a recordá-la. Nem convém...
Depois: «O Partido Republicano e a Maçonaria serão os principais responsáveis pelo trabalho de propaganda e erosão do regime, em momentos-chave (1880: tricentenário da morte de Camões; 1882: centenário da morte do Marquês de Pombal, que serve para campanha anti-jesuítica; 1890: Ultimatum; 1891: revolta republicana no Porto), que se agudizam entre 1906 e 1910 - já com a Carbonária e a Junta Liberal (...). Efectivamente, foi necessário erodir a Monarquia; e os méritos e o hábito da propaganda republicana foram continuando a dar excelentes resultados, no correr dos tempos...
Faça-se justiça: «Machado dos Santos resiste na Rotunda e, com populares, afasta a ameaça de Paiva Couceiro, rara nobreza de herói que o último governo da Monarquia não acompanhou».
Da Contemporary Review, que Ramalho cita em carta a sua Mulher: «Quando o rei D. Carlos, confiando o poder à energia e inteligência de João Franco, os republicanos assassinaram-no». De outro modo - sem o recurso ao assassinio - não haveria República. Os republicanos nada podiam contra o "pulso" do Rei e do Principe Real.
« Com a revista pensamento Social (1872), Oliveira Martins e Antero, utópicos, levam a que o socialismo se afaste do movimento republicano». E a aproximar-se das "reservas" monárquicas. Por isso, O. Martins foi ministro num governo presidido por Dias Ferreira; e por isso esta fabulosa carta de Antero ao seu amigo Lobo de Campos, que eu nunca mais encontrava no desarrumo dos meus papeis:
«Creio que teremos República em Portugal, mais ano menos ano; mas, francamente, não a desejo, a não ser de um ponto de vista todo pessoal, como espectáculo e ensino. Então é que havemos de ver o que é atufar-se uma nação em lama e asneira. Falam da Espanha com desdém - e há de quê -, mas eles, os briosos portugueses, estão destinados a dar ao mundo um espectáculo republicano ainda mais curioso: se a República espanhola é de doidos, a nossa será de garotos».
Sábio Santo Antero!!!

Cronologia da república - 15 de Maio

  • 1911

Protesto de operários em Lisboa

  • 1914

Incidentes no teatro nacional em Lisboa

  • 1915

Envio de navios ingleses, franceses e espanhóis para Portugal

João Chagas é alvejado a tiro pelo senador João de Freitas

Assalto da liga naval por populares

É fechado o “Jornal da Noite” de Lisboa

  • 1918

É fechado o jornal “O progresso” de Aveiro

  • 1923

A assembleia autoriza o governo a contrair um empréstimo com um juro de 6,5% em ouro

  • 1924

Greve geral no Porto

Tomada do Porto pelos militares


  • 1925

Atentado contra Ferreira do Amaral

O relatório do comandante da polícia diz que nos últimos quatro anos foram mortos 38 pessoas e feridas 137 pelo rebentamento de 325 bombas, em Lisboa




Fontes: aqui

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A República das Bananas


Escrevia o Major Botelho Moniz («O 18 de Abril») em 1925, acerca dos nossos Alcazares e Tapiocas:
«Qualquer dia, para se dar que fazer aos coroneis de artilharia - dispensam-se os soldados serventes das peças.
O senhor tenente-coronel Oliveira Simões, que foi chefe de gabinete do grande homem de bem que se chama general Vieira da Rocha, brava como os que o são, oficial como há poucos - o senhor Simões, dizia eu (não foi a ele que eu chamei bravo, não haja confusões) declarou a um jornalista, olhinhos a brilhar por detrás dos óculos de tartaruga, que existem no Exército 1.900 oficiais a mais, razão pela qual seria proveitoso que eles entregassem as bengalas, visto que espada não possuem.
Teve uma ironia fácil o senhor Simões. Noutro país talvez a entrega das bengalas se fizesse em cima do seu respeitável lombo.
Mas como isso não sucedeu, razão teve S. Ex.ª para dizer que os nossos oficiais já não usam espada. Esqueceram-se dela, sim, senhor. E esqueceram-se também da bengala. Agora são portadores de canivetes, como a alguns de nós chamou o senhor Ferreira do Amaral. E amanhã talvez o sejam de "naifas" - se a miséria os obrigar a irem roubar na estrada com que sustentarem a mulher e os filhos. Acontecendo isso ao menos que sejam as primeiras vítimas as familias dos políticos que troçam hoje deles, da sua honrada miséria - enquanto S. Ex.ªs, em belos automóveis, ostentam o seu luxo novo-rico, o seu luxo sem fim confessável, que se não teve origem na prostituição das mulheres, o teve no latrocínio dos maridos (...).
Os oficiais vivem e ganham miseravelmente. Um porteiro do Congresso da República, lá porque é ou foi revolucionário civil, empalma ao Estado, no final do mês 2% mais que um capitão de infantes».
Talvez porque a Marinha sempre fosse a Arma mais apetecida dos revolucionários, constatava o deputado Júlio Martins na sessão da Câmara de 11 de Fevereiro de 1921: «A nossa marinha de guerra não tem um navio capaz de dar um tiro e possui, no entanto, vinte e três almirantes. É uma marinha de guerra que não se compreende!».
Pois não!!!
E muito menos que se "torrem" dez milhões a comemorar desgraças destas.
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», pág. 66 e ss.

República — o fim de uma mentalidade

Durante a I República, os monárquicos queriam restaurar a Monarquia contra o Governo. Na II República, a maioria pretendia a Monarquia através do Governo. Nesta III República, a posição dos monárquicos, pelo menos a dos mais significativos, que são os que aparecem agrupados em instituições, em forças políticas, é completamentediferente: defendemos que a Monarquia deve ser restaurada, ou instaurada, quando e da forma que o Povo Português quiser.

Mas a partir de 1974 foi visível, creio que cada vez mais visível, a degenerescênciada República. Durante o consulado de Salazar ela mantivera-se com a estabilidade que todos conhecemos, e de certo modo lhe censurámos, que era uma estabilidade artificial, mas que lhe dava uma certa respeitabilidade. Depois do 25 de Abril voltou-se em grande parte à I República, à balbúrdia, não tão sanguinolenta, mas sem deixar de ter aspectos deviolência – não podemos fechar os olhos ao que se passou no Ultramar. Mesmo na Metrópole, a existência de formas larvadas de violência, de ódios de classe, é qualquer coisa de muito forte, e a própria intriga palaciana dentro e fora dos partidos, à volta dos Governos, em torno dos Presidentes, constituem outros tantos argumentos a favor da Monarquia. Quer dizer, a República está a afundar-se. É um espectáculo deprimente, degradante. É preciso encontrar uma forma de equilíbrio que só pode estar para além do próprio jogo dos interesses em presença, quer económicos quer outros.

Contudo, penso que o facto de as características desta III República serem muito diferentes não nos deve deixar esquecer que o principal para a Restauração da Monarquia é a reforma da mentalidade. Sem uma verdadeira e profunda reforma não faz sentido instaurar a Monarquia, pois as diversas reformas do Estado perdem-se, e hoje é muito fácil destruir num dia o que se construiu na véspera. Portanto, sem uma reforma profunda da atitude mental das populações é muito pouco valiosa qualquer reforma estrutural.

Henrique Barrilaro Ruas in Portugueses. Revista de Ideias, 6-7, Fevereiro-Março de 1989, pp. 39-40

Grato por esta pertinente contribuição do meu amigo Vasco Rosa. Também publicado aqui

Cronologia da república - 14 de Maio

  • 1913

Desterro para os Açores de dezenas de prisioneiros políticos

  • 1915

Assaltos a armazéns e padarias em Lisboa

Fim da “ditadura” de Pimenta de Castro

  • 1923

Boatos acerca da possível venda de Macau

  • 1924

É fechado o jornal “A Revolta” de Coimbra




Fontes: aqui

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Tintin e os pincaros da República portuguesa


Sabe-se agora qual a fonte de inspiração de Hergé, quando editou os albuns «A Orelha Quebrada» e «Tintin e os Pícaros». A eterna guerrilha entre Alcazar e Tapioca. Está à vista, no seguinte panorama, por azar nosso, português:
«(...) assim ficarão existindo 4 coroneis por regimento. (...) em engenharia, para um quadro de 8 coroneis, existem já 37!» (deputado Eugénio Aresta, a sessão parlamentar de 13.MAR.1922).
«(...) o profissional militar é de todo o funcionalismo público o que luta com mais dificuldades. (...) há oficiais cujos filhos não vão às escolas por não terem calçado, há oficiais cujas familias não saem por não terem que vestir, e há oficiais que para darem pão aos filhos solicitam que os deixem alimentá-los com o pão dos soldados» (deputado corn. Fernando Freiria, sessão parlamentar de 16.MAR.1922).
«(...) pelo País fora se joga desenfreadamente e há oficiais do Exército que são donos de casas de tavolagem!» (deputado Sá Pereira, sessão de 7.MAR. 1923.
« (...) do famoso Grupo dos Treze, autêntica organização terrorista (...) fazem parte, ao lado de batoteiros e criminosos da pior espécie, oficiais, sargentos e soldados da Guarda repúblicana!» ( deputado Agatão lança, sessão de 7.MAR. 1922).
«(...) Nas bancadas do Governo, como Ministros da Guerra, têm-se sentado indivíduos que não têm categoria moral nenhuma para ocupar esse lugar, e que procuram (...) obrigar a curvar a cabeça (...) mesmo quando sintam a fome sua e a dos seus (...) no Exército há poucos oficiais que ponham a sua dignidade e a honra à frente da sua barriga» (deputado António Maia, sesão de 4.ABR.1924).
«(...) Na artilharia a pé... devem existir hoje por junto 5 alferes e tenentes! Em compensação, majores, tenentes-coroneis e coroneis são às centenas: em maior número que os soldados. Não se sabe o que se lhes pode dar a fazer. Um sistema ridiculo e criminoso de promoções deu origem a esta bestialidade colossal: um número de oficiais superiores, superior ao que deveria ser o dos subalternos - e um número de subalternos menor que o que deveria ser o de generais!» (Major Botelho Moniz, in "O 18 de Abril" - 1925).
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949.
Por hoje é muito, mas não chega. Amanhã ainda é dia-

Cronologia da república - 13 de Maio

  • 1915

É fechado o jornal “O Nacional” de Lisboa

  • 1925

100 mil fiéis em Fátima

  • 1926

Bernardino Machado lança a 1ª pedra para o monumento ao marquês de Pombal

Esta obra é vista como uma promoção da maçonaria.

Ramalho Ortigão, considerava em 1882, que este monumento era dedicado à morte da democracia e do senso comum na sociedade Portuguesa




Fontes: aqui

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Uma Igreja Republicana?




O Almanaque Republicano, num inaudito momento de pirrice, veio sublinhar as palavras recentes de Bento XVI: "Nos cem anos da República, as minhas felicitações e a minha bênção a Portugal inteiro, país rico em humanidade e cristianismo". Parece-me que a mensagem é clara e tanto os republicanos como os monárquicos devem entende-lâ: a «César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mateus 22:21).
A Igreja tem, desde o início das Comemorações oficiais deste Centenário da I República, deixado passar uma mensagem que se torna agora mais forte: a de que o 5 de Outubro de 1910 foi, para o seu corpo institucional, uma libertação. E, em certa medida, foi-o, mas é necessário contextualizar tal afirmação, compreendendo o antes e o depois.
O antes é um Liberalismo que sequestrou a Igreja tornando-a uma Secretaria de Estado. Não era o Regalismo do Absolutismo, era antes o Burocratismo Mação a laicizar a Igreja e a utilizá-la como extensão do seu domínio subterrâneo.
O depois é humilhação, a perseguição e a espoliação. Se isto é liberdade, bem, sê-lo-á pelo fogo. Mas a Igreja não pode esquecer que a I República constituiu uma hecatombe que dura até aos dias de hoje: o estado do património religioso das nossas catedrais, igrejas e ermidas em ruínas, assenta sobre o sequestro e a nacionalização dos bens eclesiásticos, em 1911.
Porém, o mais preocupante, quanto a mim, como Católico que sou, é que sob a Concordata de 1940, se tente passar uma esponja sobre os 30 anos antes e se transforme a II República (1933-1974) no paradigma dessa tal libertação e de uma sã convivência.
E hoje, nesta III República que tem como porta voz, de novo, a Maçonaria, espanta-me que a Igreja reclame liberdade quando volta a ser refém do Estado, através dos seus às suas IPSS, católicas, às obras de cariz paroquial, da tutela conjunta de património, etc.
Espanta-me mais: que a Igreja se esqueça, como em graça referia, há uns anos atrás, Miguel Esteves Cardoso, que o Pai Nosso começa com a frase: «santificado seja o Vosso Reino» e não «santificada seja a Vossa República».

Lá vai Lisboa... (marcha de Fialho de Almeida - 1911)


«A mesma gente das ruas, tão pacífica nos tempos monárquicos, agora aparece em cena com propósitos de dirigir o Estado e impor à lei da razão a força bruta. Os carbonários mandam em tudo, são árbitros de tudo, nas cores da bandeira, como na escolha dos funcionários e distribuição das recompensas. A gentusa dos bairros foscos que debutou na política por vias de facto anarquistas, atirando bombas, terrorizando pelo assassinato das choças, agora quer fazer parte da polícia cívica (!), para ter a cidade à mercê do seu espírito de vendetta.
Lisboa tem o ar de uma cidade coacta e constrangida, com as casas fechadas, as avenidas desertas, os restaurantes e as grandes lojas às moscas. Pelas ruas, de quando em quando, ajuntamento de plebe arremangada, que parece esperar não sei que Páscoa; ou bichas de gente correndo ao governo civil e aos ministérios, e atroando os ares com berrarias que os jornais chamam pomposamente "manifestações". A tropa sai dos quarteis para fazer apoteoses, como o outro ao Magalhães. Os heróis e os ministros andam pela provincia no record dos vivas e na patuscada dos jantares. A gente retrai-se, a classe preponderante desaparece e some-se; e todos, atónitos, perguntam se é este o quadro do Portugal redimido e aberto à liberdade!»
Fonte:Ernesto Rodrigues, «5 de Outubro - uma reconstituição», Gradiva Publicações, 2010 (1ª ed.), pág. 210.

A Igreja Católica reconhece e aceita qualquer regime que promova a liberdade e a dignidade do Homem na sua plena acepção.

Fotografia gentilmente cedida pela sempre gentil Miss Pearls

Um exemplo da ética repúblicana

Papa em Portugal


Grão-Mestre da Maçonaria defende que José Sócrates não deveria ter ido à missa do Papa

O Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, António Reis, afirmou esta tarde à Antena 1 que o primeiro-ministro não deveria estar presente na missa celebrada esta tarde pelo Papa Bento XVI no Terreiro do Paço. António Reis lembrou que o primeiro-ministro espanhol também não esteve presente na missa aquando da visita do líder católico a Espanha
 
Fonte: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Grao-Mestre-da-Maconaria-defende-que-Jose-Socrates-nao-deveria-ter-ido-a-missa-do-Papa.rtp&headline=46&visual=9&article=343696&tm=72
 
 
Leiam a resposta dada pelo porta voz do vaticano:
 
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Porta-voz-do-Vaticano-admirado-com-controversia-da-participacao-de-Socrates-na-missa.rtp&headline=46&visual=9&article=343739&tm=72

Cronologia da república - 12 de Maio

  • 1915

Tumultos em Lisboa pelo encerramento de várias padarias

Cassiano Neves demite-se do cargo de governador civil de Lisboa

  • 1916

Greve dos operários da construção civil

  • 1917

Revoltas em Lisboa

  • 1923

Greve dos metalúrgicos





Fontes: aqui

terça-feira, 11 de maio de 2010

1920-1921: a formiga branca ataca a selva


Na sequência do afastamento de Afonso Costa, os seus sicários - a desvastadora "formiga branca" - tomam conta do País. Só governava quem e como eles queriam. O resultado foram os seguintes 14 Governos nesses dois anos, presididos respectivamente por:
1 - Fernandes Costa - 15.I.1920 (não chegou a tomar posse, impedido pela "formiga")
2 - Sá Cardoso (reconduzido) - 15.I.1920 a 21.I.1920
3 - Domingos Pereira - 21.I1920 a 8.III.1920
4 - António Maria Baptista (morreu durante o mandato) - 8.III.1920 a 6.VI.1920
5 - Ramos Preto - 6.VI.1920 a 26.VI.1920
6 - António Maria da Silva - 26.VI.1920 a 19.VII.1920
7 - António Granjo - 19.VII.1920 a 20.XI.1920
8 - Álvaro de Castro - 20XI.1920 a 30.XI.1920
9 - Liberato Pinto - 30.XI.1920 a 2.III.1920
10 - Bernardino Machado - 2.III.1921 a 23.V.1921
11 - Barros Queirós - 23.V.1921 a 30.VIII.1921
12 - António Granjo (mandato findo com o seu assassinato) - 30.VIII.1921 a 19.X.1921
13 - Manuel Maria Coelho - 19.X.1921 a 5.XI.1921
14 - Maia Pinto - 5.XI.1921 a 16.XII.1921

Parabens ao Sr. Barros Queirós pelo seu mandato, o mais longo dos mencionados: um mês e sete dias!

Cronologia da república - 11 de Maio

  • 1913

Conflitos em Aveiro

  • 1915

O governo proíbe a exportação de estanho

É fechado o jornal “ O cidadão” de Évora

São proibidas todas as manifestações

O governo demite os vereadores da câmara municipal de Loures

  • 1916

Demissão colectiva do governo

  • 1918

Conspiração contra o governo

  • 1919

80% de abstenções nas eleições legislativas

  • 1920

Criação do tribunal de defesa social com dois juízes de nomeação governamental



Fontes: aqui

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Afonso Costa visto pelos seus correligionários


Ao contrário do que os ético-republicanos querem fazer passar, A. Costa foi um ditador sobretudo temido. Aqui ficam algumas impressões desse que não nasceu em S. Comba dâo, mas ali ao lado - em Seia:
José Relvas: « Não concorriam em Afonso Costa as qualidades precisas para adquirir grande popularidade. A sua natureza autoritária, exteriorizada na violência da sua linguagem, no ataque sempre tendente à agressão pessoal, a sua mesma figura pouco atraente, eram a antítese das qualidades externas, persuasivas, brilhantes e atractivas de António José de Almeida».
Machado dos Santos: «E eu mandava V. Ex.ª para Timor e não o mandava para a guilhotina por ter acabado a pena de morte em Portugal».
António Sérgio: «...ensombrou todo o seu trabalho com a tirania para com a religião e os trabalhadores».
António José de Almeida: « Eu conheço este homem público e sei como se despega com uma cabeleira pombalina que lhe orna o crâneo, em dias festivos, perante admiradores extáticos... Conheço esse exibicionista...»
Guerra Junqueiro: «... fizera do Partido que liderava (...) o único organismo vivo da República. Vivo e insuportável».
Fonte: a biografia de AC escrita por Eurico Carlos Esteves Lages Cardoso

Entretanto, numa Monarquia...

Cronologia da república - 10 de Maio

  • 1911
    Greve dos trabalhadores marítimos e fluviais do Porto
  • 1915
    Confrontos e desacatos em Lisboa
  • 1918
    Salazar conclui a sua licenciatura
    O decreto 4238 aumenta o IRS sob o vencimento dos funcionários públicos
  • 1919
    A GNR passa a contar com artilharia

Fontes: aqui

domingo, 9 de maio de 2010

Afonso Costa uma biografia fiável


É uma edição do Autor. Bom sinal!... O Autor, Eurico Carlos Esteves Large Cardoso, remata as suas "Palavras prévias" assim brilhantemente: «Nós, monárquicos por convicção, temos, porém, sempre em vista, tratar os assuntos dos nossos "adversários" políticos com a maior objectividade, veracidade e isenção, atributos de que já demos provas em anteriores trabalhos, pela simples razão do sectarismo não ser a nossa bandeira, nem a maledicência a nossa divisa»
De modo que fomos procurando dados biográficos desse que se doutorou em 1895, em Direito, com 17 valores e uma tese em que atacava violentamente a Rerum Novarum, pobre coitada! Foi o advogado mais tributado pelo Fisco, gostava de viver bem e tinha automóvel (um dos 300 então existentes em Portugal). Não obstante, preconizava o «socialismo económico na República».
Conseguiu ser eleito deputado pelo Porto. em 1899, aproveitando o descontentamento gerado nas populações pelas medidas recomendadas pelo insígne Ricardo Jorge (que abandonou a cidade sob ameaças de morte) aquando de um surto de peste bubónica.
Sobre ele escreveu Sampaio Bruno: «pseudo-republicano, desleal republicano, que tudo faz para ser deputado, jogando com um ramo de republicanos e socialistas e outro de monárquicos, audacioso piritoso, um Dr. Alonso». Em resposta, Costa esmurrou-o em público. Esmurrou um ancião, ele que andaria pelos 30 anos.
Há muito que ler. Remato com este episódio, ocorrido em 4 de Outubro de 1910, quando Afonso Costa, que prudentemente não comparecera à Rotunda, julgou ser vitima de um atentado contra a sua pesoa. Ouviu tiros, convenceu-se que fora atingido. O médico republicano Malva do Vale, que o detestava, mandou-o despir e observou-o, após o que «declarou sarcásticamente que ele tinha no corpo um buraco de nascença e natural».

Centenário da República: os malabarismos da propaganda, ou uma mentira mil vezes repetida

Com uma simples pesquisa no google para as palavras “Cronologia da República”, verifica-se como enquanto a Plataforma do Centenário apresenta e analisa os factos subsequentes à implantação da mesma, o site oficial expõe alguns faits divers criteriosamente escolhidos relativos aos anos precedentes da revolução, que o mais das vezes revelam um regime tolerante e democrático. O mesmo acontece com os temas das diversas rubricas radiofónicas que tenho ouvido aleatoriamente nalgumas estações reverentes ao regime como a TSF e a Antena 1. Este desplante não é de espantar, tais foram as trágicas consequências da dita revolução que ninguém com um mínimo de honestidade pode negar, e que só alguém com má fé se poderia orgulhar. De resto vale tudo para promover a confusão entre os ideais de 1826 e as intenções jamais cumpridas pelos republicanos de 1910. Como um dia vaticinou Eça de Queiroz: O Partido Republicano em Portugal nunca apresentou um programa, nem verdadeiramente tem um programa. Mais ainda, nem o pode ter: porque todas as reformas que, como Partido Republicano, lhe cumpriria reclamar já foram realizadas pelo liberalismo monárquico. (…) A república não pode deixar de inquietar o espírito de todos os patriotas.

Na imagem: efeitos do empastelamento do jornal "A Nação" ocorrido a 21 de Outubro de 1913

Diário da República - episódios parlamentares (IV)


No tempo da I República, pouca era a aficcion taurina e não havia muitas tias. Não quer isso dizer que a classe política fosse mansa. Uma das suas principais - e temíveis - armas na retórica parlamentar era o batuque:
«A partir de Abril de 1926 (...) rara foi a sessão de Parlamento que não fosse encerrada no meio dos maiores tumultos, entre gritos e insultos, carteiras partidas e sarrafos no ar! Na sessão de 15 deste mês, quando o chefe do Governo, sr. António Maria da Silva, iniciava o seu discurso, a oposição esquedista começou a bater com os tampos das carteiras, conseguindo, com um barulho ensurdecedor, não o deixar falar... Na sessão de 19 do mesmo mês, quando o Ministro dos Estrangeirosia começar um discurso, levantou-se um tal batuque de carteiras que ele teve de desistir... Mas foi na longa sessão de 28, 29 e 30 de Abril que se bateu o record das interrupções provocadas pelo batuque. Nessa sessão os trabalhos foram interrompidos quatro vezes, porque, muitos deputados, armados com sarrafos, batiam estrondosamente nas carteiras quando o Presidente queria proceder a votações ou os membros da Governo tentavam falar.
(...)
Na sessão de 24 de Maio de 1926, o Presidente da Câmara dos Deputados sr. Alfredo Rodrigues Gaspar, sentiu a necessidade de proferir estas palavras:" Devo dizer à Câmara de maneira peremptória que desde que a Câmara me manifeste - não é preciso batuque ou quaisquer manifestações violentas - que eu não satisfaço bem à direcção desta Câmara (,,,) abandonarei, sem mais dificuldades este cargo (...).
(...) no dia 25 de Maio de 1926 (,,) o sr. deputado Pina de Morais, voltado para a Preidência, declarou, decidido, não consentir o seu partido que se entrasse na discussão da ordem do dia, sem estar presente o Governo, pelo que, "com muito desgosto, informo a Mesa que faremos oposição pela forma a que já estamos habituados!". Era o batuque...
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, págs. 48.

Cronologia da república - 9 de Maio

  • 1912
    Lançamento de bombas em Valpaços
    Renúncia de Aresta Branco ao lugar de presidente da câmara dos deputados
  • 1913
    Fecho do jornal “A revolta”
    Fecho do jornal “Sindicalista” de Lisboa
    Fecho do jornal “Terra Livre”
    Fecho do jornal “Cambada”
  • 1915
    Inauguração do centro monárquico académico de Coimbra
    É fechado o jornal “O Beirão” de Castelo-Branco
    É fechado o jornal “A Pátria Nova” de Bragança
  • 1918
    O governo concede amnistia para crimes políticos
  • 1924
    Greve do pessoal dos telégrafos-postais

Fontes: aqui

sábado, 8 de maio de 2010

PORQUE O "ESTADO" SOMOS NÓS

Enquanto os extremistas-"republicanos"-laicos se esforçam numa argumentária Pidesca para ensombrar a vinda de Bento XVI, o povo português vai mostrar ao "Estado" que o Estado somos NÓS. Sairá à rua quem quiser, quem puder e mostrará a sua convicção – e fé. É desta atitude que o "poder", que nos impõe as doutrinas certas e erradas, tem tanto medo... que o povo exorte sem amarras.

Cronologia da república - 8 de Maio

  • 1913
    É fechado o jornal “O Dia” de Lisboa
    Greve em Vila Boim
    Prisão de vários sindicalistas

Fontes: aqui

sexta-feira, 7 de maio de 2010

António de Oliveira Salazar


Esta é a expressão de quem não se conforma com a História oficial. De quem não aceita seja ocultado aos portugueses um período de 48 anos que - aos ditos portugueses - urge seja feita justiça. À moda de cada um. Estamos a falar da II República.
Para que não subsistam dúvidas, a fonte literária é recente: emana da colecção «Duas Faces», ed. QuidNovi, em conjunção com o DN, 2009. Logo na abertura do 1º vol. diz-se:
«Ser o primeiro ministro de um monarca absoluto - assim terá definido Salazar o cenário dos seus sonhos. Algo que lhe permitia governar livremente, sem freios, como Pombal (...) de uma assentada se arrumavam noventa anos de liberal-constitucionalismo e dezasseis de uma turbulenta República.
(...) era mesmo aquele poder concentrado, sem entraves, que (...) pretendia para si, em pleno século XX (...). Já não com o objectivo do progresso industrial e comercial, como pretendera o marquês (...) antes com a intenção de restaurar a administração pública e impor a ordem (...) na atmosfera do tempo as ideias conservadoras circulavam como uma brisa envolvente (...). A galáxia conservadora era vasta e incluia numerosos republicanso descontentes, que na Assembleia travavam uma luta de morte com a ala esquerda do Partido Republicano (...). O quadro político era insustentável: no dia 28 de Maio de 1926, partindo deBraga forças militares comandadas pelo general Gomes da Costa orientaram-se para a capital. (...) O Estado encontrava-se em ruínas e a Nação esperava do Exército, derradeiro pilar da sobrevivência, que pusesse cobro a tantos e tamanhos destemperos (...).
O restante da leitura fica para os interessados. Só demora 48 anos de República. É o que não pode ficar esquecido. Por muito que os ético-republicanos queiram e forcem.

Agora quando se fala nisto tem que falar disto...

Não adianta fechar os olhos. A República está em discussão (perdida). Nunca tanto como agora a questão do regime é arguida. Agora quando se fala nisto (ver cadência de comentários!) tem de se falar disto.... e disto.

Cronologia da república - 7 de Maio

  • 1917
    É fechado o jornal “O pátria nova” de Coimbra
  • 1920
    É fechado o jornal “Imprensa da Manhã” de Lisboa
    É fechado o jornal “A Imprensa da Noite” de Lisboa
  • 1925
    Apreensão de emissores de telegrafia sem fios

Fontes: aqui

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Diário da República - episódios parlamentares (III)


Sessão de 11 de Fevereiro de 1921. O deputado Plínio Silva acusa os seus colegas de não serem «mais do que comparsas, dispostos eternamente a suportar os insultos de S. Ex.ª o Ministro das Finanças». Logo uma voz bradando - «Não apoiado! Não apoiado!»
Sussurro.
Vozes: «Isto é uma provocação! É preciso que o Sr. Plínio Silva retire as suas frases!
O Presidente da Câmara convidou, efectivamente, o deputado a retirar as palavras consideradas insultuosas. Mas a Câmara não se satisfez com as explicações recebidas, levantando-se grande sussurro com àpartes e protestos violentos.
O sr. Presidente: "É preciso que se restabeleça o sossego".
O sr. Afonso de Macedo: "V. Ex.ª tem de chamar à ordem o sr. Plínio Silva".
Continua o sussurro.
O sr. Presidente: "Não ouvi da parte do sr. Plínio Silva qualquer expressão menos respeitosa"
O sr. Pais Rovisco: "Se V. Ex.ª não ouviu como pode ser julgador? O sr. Plínio Silva tem de repetir a expressão...".
Muitos àpartes.
Sussurros.
O sr. Presidente: "Eu deste lugar não posso estar a discutir com os senhores deputados. Só posso responder a um por cada vez. Desde que digo que não houve da parte do sr. Plínio Silva ideia de desconsideração...".
O sr. Pais Rovisco: "V. Ex.ª parte de uma base falsa"
Sussurro.
O sr. Plínio Silva: "Não tenho dúvida em...».
Sussurro.
O sr. António Maria da Silva: "A Câmara assim não pode funcionar!".
Sussurro.
O sr. Presidente: "Peço a atenção da Câmara. outra maneira vejo-me obrigado a suspender a sessão".
Por outros grandes protestos, foram falando os srs. deputados Afonso de macedo, João Camoesas, António Granjo, Vasco Borges e Plínio Silva, procurando uma solução para o grave problema que embaraçava a Câmara... António Granjo, defendia que, uma vez que o Presidente deu como não ouvidas as expressões de Plínio Silva, "julgo inútil qualquer coisa mais. A questão está liquidada. Agora só pode ser tratada em qualquer outro sítio".
Vozes: "Aqui, aqui é que tem de ser liquidada"
Sussurro.
Vozes: "Retire-as. Aqui é que foram ditas as palavras"
O sr. Pais Rovisco: "Peço a palavra para explicações".
Vozes: "Isto não pode ser!".
O sr. Ladislau Batalha: "Assim não há maneira de trabalhar! Só pensamos em perder tempo...".
O sr. Presidente: "Vai continuar a discussão do projecto".
Vozes: "Não pode ser!"
A sessão torna-se agitada.
O sr. Presidente: "Peço ordem!"
Continua o sussurro.
O sr. Presidente: "Está interrompida a sessão".
Eram 18 horas e 25 minutos».
Fonte: Costa Brochado, «Para a História da nação», Editorial Império, pág.33.

A inegável VERDADE!

Ramalho - de monóculo atento na República (IV)



«A República principiou energicamente por condenar igrejas, conventos, hospitais, asilos, colégios, bibliotecas, escolas e associações de beneficiência, como, por exemplo, a das Cozinhas Económicas que em 17 anos dispendeu na sua obra mais de 1.100 contos de reis; como a das Damas da Caridade, as quais no último ano da sua gerência (...) visitaram no seu domicílio em Lisboa 4327 doentes, pelos quais foram distribuidos 16.408$865 reis; como a da Irmandade das Senhoras Viúvas, presidida pela Rainha a Senhora D. Maria Pia, distribuindo em esmolas nas suas visitas às casas e às enfermarias cerca de 2 contos de reis por ano; como (...) a das Irmãzinhas dos Pobres, as quais, com o exclusivo produto de esmolas, edificaram um vasto palácio em que mantinham confortávelmente e carinhosamente, sem subsídio algum do tesouro, 300 velhos inválidos.

Para compensar tão enormes desfalques no ensino e na assistência pública, ceiou-se uma instituição nova, o Museu Republicano, estabelecido no extinto Colégio do Quelhas. Nesta casa, primeira e por enquanto creio que única fundação pedagógica do novo regime, existe, segundo detalhados documentos fotográficos, publicados pela Ilustração Portuguesa, a famosa sala apologética do regicídio. Nela figura com os retratos dos regicidas e versetos dos Lusíadas dedicados ao culto dos heróis e inscritos nas paredes, um trofeu central composto de um pedestal coberto de veludo, sobre o qual, ao lado de um busto da República, de uma coroa de flores e de uma longa palma, a palma dos mártires, se vê o gabão e o chapeu do Buiça e a clavina com que foi assassinado no dia 1 de Fevereiro de 1908, aos 19 anos de idade, num landau descoberto, em frente de seus pais, o inocente e imaculado príncipe D. Luis Filipe de Bragança. Junto da clavina de Buiça vê-se também o revolver de que se serviu Costa para matar, à queima-roupa, com um tiro na nuca, o rei D. Carlos

O museu inaugurou-se solenemente com um almoço a que assistiram todos os membros do Governo (...)

O mesmo número da Ilustração Portuguesa, consagrado à inauguração do museu da República, dá-nos ainda em sucessivas fotografias o aspecto de diversos trâmites da fabricação de bombas explosivas. Informa o interessante magazine que em Lisboa se fabricam por centenas bombas de caracter mercenário. Parece ser apenas um passatempo de delicados amadores».

in Ramalho Ortigão, «Últimas Farpas», (1911-1914), Clásica Editora, pág. 37.

Cronologia da república - 6 de Maio

  • 1911
    Tumultos em Torres Novas
  • 1913
    É fechado o jornal “O Socialista” de Lisboa
  • 1915
    Inauguração em Lisboa do centro monárquico D. Carlos I
  • 1917
    É fechado o jornal “O Notícia da Beira” de Castelo-Branco
  • 1918
    O governo proíbe a exportação de carnes ou derivados
  • 1919
    O director da polícia de segurança do estado é demitido por não concordar com as perseguições aos operários
  • 1922
    O governo contrai um empréstimo para a construção de cinco bairros sociais

Fontes: aqui

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O "disparate" da tolerância

O sr. António Reis (logo o apelido que lhe havia de calhar!), grão-doutorado da obediência maçónica diz que a "tolerância de ponto" que a república deu aos seus funcionários, motivada pela visita do Papa, é um "disparate, pois vai prejudicar as famílias sem necessidade"... Este sr. do GOL (digo Lol) esquece-se que para prejuízo de muitas famílias (conceito que lhe é indiferente) temos feriado no dia 5 de Outubro e não estou a ver os laicos e ateus a prescindir do feriado de Natal, da Páscoa, da Nª Srª Conceição, para além, dos inúmeros e diversificados feriados municipais. Muitos trabalham aos feriados e não podem ficar em casa com a "família laica" nesses dias. Também diz que "objectivamente (a "tolerância de ponto") é um 'entorse' numa prática coerente com a laicidade do Estado".
– Caro, sr. Reis, quanto à sua intolerância laica e republicana estamos aventalmente falados; quanto ao prognóstico que reserva a este "Estado", espero que para si a vinda do Papa represente uma artrite crónica coerente.

A suprapartidária mentira


Manuel Alegre anunciou a sua candidatura a presidente desta república. Anunciou – como todos os outros – a ladainha de pretender ser o presidente de "todos" os portugueses. Repetindo o que já há uns anos dissera, enalteceu o seu estatuto republicano e socialista com o aperitivo acrescido de polvilhar o seu discurso com o aviso de que "não é neutro"! Enquanto os portugueses não se aperceberem que a eleição à presidência é uma eleição tão partidarizada como para o parlamento, vamos continuar a viver num regime cujo chefe de estado é um gestor de interesses e esquemas. Proferir que são "o presidente de todos os portugueses" é um arroto de hálito fétido.

Diário da República - episódios parlamentares (II)


Sessão de 6 de Dezembro de 1920. O ministro das Finanças apresenta à discussão uma proposta de lei, com um pedido de urgência aos deputados.. Um deles, Mariano Martins, considera necessitar de tempo para analisar o documento. E propõe que a discussão seja adiada por 48 horas. O deputado Pais Rovisco é de opinião contrária e solta um àparte: «Mais um dia!». Mariano Martins não achou graça: «Que quer V. Ex.ª dizer com isso? V. Ex.ª mostra o mais absoluto desconhecimento destes assuntos. Um assunto de tal natureza não se pode apreciar com consciência em menos de quinze dias...».
«O sr. Pais Rovisco: Ora, ora...
O sr. Mariano Martins: Irrita-me essa petulância...»
«E não foi preciso mais nada: "Nesta altura - diz o Diário das Sessões - o sr. Pais Rovisco avança para o sr. Mariano Martins, dando-se uma cena de pugilato, que obriga o sr. Presidente a interromper a sessão».
Sessão de 10 de Fevereiro de 1925. O deputado Julio Gonçalves classifica de miserável certa atitude do deputado Moura Pinto. Este atira-lhe com a ponta do cigarro que estava fumando. Aquele agradeceu-lhe a beata com um copo de vidro que, falhando o alvo, «foi apanhar a cabeça do sr. deputado Afonso de Melo, vítima inocente destas liberdades parlamentares».
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949, págs. 32 e 44.

Cronologia da república - 5 de Maio

  • 1912
    Soldados agridem populares na moita do Ribatejo
  • 1913
    Exílio de vários militares para os Açores
  • 1918
    Paralisação dos eléctricos em Lisboa
  • 1919
    Crise governamental
    Greve dos alfaiates de Lisboa
    Greve dos cesteiros de Lisboa
    Greve dos funcionários da companhia nacional de moagem
  • 1923
    A assembleia é abandonada por deputados nacionalistas

Fontes: aqui

terça-feira, 4 de maio de 2010

Diário da República - episódios parlamentares (I)


O Presidente Manuel Teixeira Gomes terá tentado garantir o apoio do Exército, em mais umas vésperas de golpada. E, para isso, nada como um chazinho em Belém com todos comandantes das unidades de Lisboa. Mas o Governo trocou-lhe as voltas e é o próprio, insistindo, a deslocar-se em visita aos quarteis da capital. Na sessão parlamentar de 8 de Janeiro de 1924, o deputado Cunha Leal denuncia o ocorrido:
«Esta atitude pessoal do Presidente da República junto da guarnição de Lisboa tinha o seu complemento nos intervalos das visitas. S. Ex.ª vinha da liberal Inglaterra; desembarcou dum navio inglês sob a bandeira inglesa; conhecia muito bem os seus costumes. Ser-me-à lícito saber se algum dia o venerando e supremo magistrado da República teve o ensejo de ver que o rei da Inglaterra procurasse por qualquer forma exercer qualquer acção sobre oficiais?
Evidentemente que S. Ex.ª não vem de Inglaterra conspirar; mas a verdade é que o sr. Presidente da República preferia dar a este País uma direcção errada, talvez tentando o aliciamento de oficiais»
«Não apoiados.
Apoiados.
Protestos».
«O Chefe do Estado tinha saído de Belém, fazendo uma escapada de colegial e procurando iludir o Governo...»
«Protestos da esquerda
Vozes: A pessoa do sr. Presidente da República não pode ser discutida!
O sr Cunha Leal (continuando): «O sr. Presidente da Republica foi, sem conhecimento do seu Governo, ao Corpo de Marinheiros contar quantas peças lá estavam. Dali seguiu para o Arsenal, de onde, sem conhecimento ainda do Governo, pretendeu embarcar para bordo do Douro revoltado, navio em que se encontrava chefiando a revolta o sr. João Manuel de Carvalho, íntimo amigo do Chefe do Estado. Foi depois disto que o Governo, topando pelo telefone o Chefe do Estado, lhe manifestou a sua estranheza por S. Ex.ª se ter querido ir lançar nos braços dos revoltosos».
Cunha Leal concluiria a sua intervenção, em mais este caso, na Câmara, desabafando:
«Que bem tem pago o Partido Nacionalista as listas brancas com que votou o nome do sr. Teixeira Gomes! O pior é que pagam connosco a República e a Nação».
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949, pág. 26.

Cronologia da república - 4 de Maio

  • 1914
    Manifestações no Porto; com agressões a vários padres
  • 1916
    É fechado o jornal “O Leste” de Elvas
    A Lei 523 decreta o estado de sítio nacional
    O governo cria a intendência dos bens dos inimigos
  • 1919
    Greve dos funcionários da companhia de gás de Lisboa
    Greve dos trabalhadores da câmara municipal de Lisboa
    Greve dos operários metalúrgicos de Lisboa
  • 1921
    A assembleia dá ao governo o poder de dar ou tirar a liberdade de comércio de bens alimentares
    O governo revoga a lei de dissolução da assembleia da república

Fontes: aqui

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Afonso Costa e a separação de poderes

Podia ser mais um escandalo dos nossos dias. Mas não. A tradição é a tradição: nada de regras. Por isso, na sequência da sangrenta revolta de 15 de Maio de 1915, que, aliás, instigou, o deputado Afonso Costa não se resignava com um destino benigno para o Presidente Arriaga e o 1º Ministro Pimenta de Castro.
Pior - ditava ordens para o tribunal que os havia de julgar. Conforme narrou o Gen. Pimenta de Castro:
«O dr. Afonso Costa, no seu primeiro discurso depois da revolta, feito no centro democrático aos seus súbditos e correlegionários, ameaçava os juizes que não pronunciassem o dr. Manuel de Arriaga e o general Pimenta de Castro, presidente do Ministério. Depois, sofreado, sem dúvida, pela razão tesa do "não se metam com o velho" (do Ministro inglês!!!) vozeava somente contra o general Pimenta de Castro. E o facto é que o dr. Manuel de Arriaga, contra o qual era profundo o ódio dos democráticos, foi para sua casa em Lisboa (...). Eu fui preso para o "Vasco da Gama", onde me enxovalharam com chufas encomendadas, e ao cabo de 27 dias era deportado para a Ilha de S. Miguel»
«A 6 de Junho de 1915, falando do directório do partido democrático, exprimia-se deste modo: "Resta agora que os tribunais se não reservem o triste papel de se recusarem ao pronunciamento dos srs. Pimenta de Castro e Manuel de Arriaga. Isto não acontecerá. Seria preferível ver absolvidos todos os réus acusados de crimes comuns a ter de assistir à absolvição pelo mais grave delito dos homens públicos, que cometeram».
EM QUE CONSISTIRIA PARA AFONSO COSTA O ESTADO DE DIREITO?
Fonte: Costa Brochado, «Para a História de um Regime», Editorial Império, 1949, pág. 15.