quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Emigrantes roubados: aqui d'el rei!




Na melhor tradição da 1ª república, o parlamento da 3ª prepara-se para uma monumental chapelada eleitoral, ao retirar o direito ao voto aos emigrantes. Manipulando antecipadamente os resultados das próximas eleições e tendo aqueles deixado de servir como habituais financiadores dos cofres do Estado com as suas poupanças, eis a repúblicas a deitá-los borda fora da sua carcomida nau. Se a esta roubalheira adicionarmos aquilo que os rotativos pretendem fazer quanto à "reforma do sistema eleitoral" - redesenhando em proveito próprio o mapa e expulsando do parlamento o PCP, o BE e o CDS -, torna-se clara a intenção do total controle da fidelidade do eleitorado.

Apelamos ao Duque de Bragança que sendo voz da consciência nacional, torne audível este protesto, em nome da mais elementar justiça. Não à fraude e ao abuso de poder!

Já não podemos ter qualquer tipo de ilusões acerca do poder de regeneração que o actual sistema ainda podia ilusoriamente significar. Perderam a vergonha que se confirmará quando o mero veto suspensivo de um presidente que do sistema é parte responsável e face visível, for facilmente dirimido após nova votação. Tudo isto é demasiadamente escandaloso e revoltante. Tudo isto é triste , tudo isto é o velho fado. O da miséria mental.

17 comentários:

Ricardo Ferreira disse...

Duque de Bragabça, voz da consciencia nacional??'

Quem é que o elegeu?

Anónimo disse...

Olha! o clone tá calado ó palerma

Nuno Castelo-Branco disse...

Não é preciso elegê-lo. Quando dele precisámos em 1640, arriscou a cabeça e ainda cá estamos. Somos portugueses e merece um milhão de vezes mais a nossa confiança que qualquer malabarista de ocasião.

Ainda não ouvi o Duque de Bragança tecer loas ao iberismo, como certa gente que "anda por aí", como agora se diz. Vá ao youtuybe e veja in loco quem são.

Quanto ao factor elegibilidade, diga lá quem elege:

1. O Procurador Geral da república.

2. Os juízes dos Supremos

3. O governador do Banco de Portugal

4. Os chefes das Forças Armadas e militarizadas.

5. Os inspectores das Finanças.

6. Os membros do Conselho de Estado

7. O Conselho para a Comunicação Social

etc, etc, etc...


Como vê, quem tem PODER DE FACTO não é susceptível de qualquer tipo de eleição. Se querem caminhar em direcção a um certo purismo, adoptem o modelo suiço.,. Está-se mesmo a ver, era só o que Vos faltava!

Nuno Castelo-Branco disse...

E já agora, caro Ricardo Ferreira, deixe que lhe recorde certos factos:

1. Lembra-se do Sampaio há anos dizer que "Timor é uma ilha indonésia"? Não? Pois nós lembramos até em que contexto essas coisas eram ditas. Naquela altura, já D. Duarte há mais de uma década era a voz solitária que clamava pela autodeterminação em Timor. Ninguém lhe prestava atenção e quando o faziam, era para lhe chamar "colonialista" e coisas do estilo.

2. Lembra-se de logo depois do 25 de Abril o actual duque chamar a atenção para a forma como a "descolonização" ia ser feita? Fizeram como quiseram e melhor teria sido para todos - principalmente para os "de lá" - se lhe tivessem prestado um pouco de atenção.

3. Lembra-se do tempo em que D. Duarte alertava para os problemas da eclogia, aliás na linha de Ribeiro Telles? É claro que gente como a do "Expresso" o fotografava em cima de um tractor (como se tal coisa fosse desprestigiante) e à surdina "vocês" lá lhe chamavam o "rei das batatas e das couves", etc. Viu-se... Hoje em dia, não há cão nem gato que não balbucie umas coisas acerca da ecologia.

4. Lembra-se do tempo em que o duque falava na essencial luta pela preservação do património monumental? Lá vinham "vocês" dizer ... "lá está ele com os castelos e palácios" e outras tontices que ouvíamos "por aí". Hoje continua tudo na mesma. "Vocês" constroem mamarrachos derrapantes - CCB's, Casas da Música, Expos, Estádios da bola (longe vão os tempos em que acusavam a 2ª república de alienação futebolística!) de orçamento a torto e a direito e o que os turistas querem ver - o Portugal monumental, as cidades limpas com os edifícios preservados - , está a cair aos pedaços.

Então diga lá, todos estes temas não servem para voz da consciência nacional? É que não só de banqueiros e de betão vive Portugal.

Carlos disse...

Subjacente a este propósito de desprezo pelos emigrantes está uma certa concepção da sociedade que despreza a nação e não entende os valores espirituais onde assenta a nossa soberania secular.
Onde existe um português, existe também um pouco de Portugal, seja ele o Cristiano Ronaldo ou o mais humilde conciérge de Paris. A nossa Pátria (nome que nunca oiço nenhum político proferir) derramou o seu sangue, a sua esperança, a sua Fé, a sua cultura por todos os continentes. Portugal é hoje, mais do que outra coisa, resultado da sua gesta secular pelos muitos caminhos deste mundo.
Até o triste regime deposto em 1974 dificilmente conseguiria aguentar as contas públicas sem o dinheiro dos emigrantes que, esfaimados e abandonados pela Pátria, tiveram de procurar lá fora.
Que diga o Sr. Soares, primeiro-ministro nos anos do FMI de quanto valeram as remessas dos emigrantes.
Mas, mais do que esse dinheiro ganho com o suor dos nossos compatriotas, importa reconhecer Portugal onde quer que se encontre. Já bastam os magníficos monumentos em ruínas que deixámos nas costas do Brasil, da Àfrica e do Oriente (coisas que nunca estes governinhos seriam capazes de fazer); já basta o abandono dos mortos em combate pelos matagais africanos.
Não temos governantes que mereçam Portugal, que sejam dignos da herança de quase mil anos de historia.
Podiam ser apenas incompetentes, não precisavam de me fazer sentir vergonha de ser português.

E, a propósito:
Por muito que se amaldiçoe a dinastia filipina e se promova o mito da restauração, é bom lembrarmos que, nos tempos que vivemos, Portugal é muito menos independente do que nos 60 anos em que os reis Filipes cingiram a coroa. A restauração só entregou a coroa ao Duque de Bragança. Não devolveu a independência porque ela nunca tinha sido perdida. Estamos agora muito mais dependentes dos ditames de estrangeiros e de Bilderebergers do que estivémos dos Reis Filipes.
Foram reis de Portugal, com legitimidade hereditária absoluta, com o apoio das cortes e de acordo com o desejo do Cardeal-Rei. Devem ser honrados e não odiados. Muitos reis nascidos em territorio portugues fizeram pior ao país do que os Filipes.
Vejam o esplendor da ciencia, da literatura e da arte portuguesa apos 1580 e deixem de estimular o mito e o ódio aos nossos irmãos ibéricos. Ja´ se esqueceram de que muitos reis da segunda dinastia lutavam precisamente pela uniao das coroas portuguesa e castelhana?
Estudem, leiam e pensem se ao condenarem a dinastia filipina não estarão mesmo a condenar os principios sucessorios da monarquia que defendem.

Ricardo Ferreira disse...

O Duque de Bragança de 1640 era possivelmente outro que o actual. Ou o duque de bragança é imortal?

Quanto a elegibilidade, temos de ser minimamente coerentes.

Fala de duarte pio como voz da consciencia nacional e refere uns tantos actores de segundo plano como não elegíveis. Devemos ter muitas vozes de consciencia nacional. Quando for pagar os impostos vou falar com uma delas.

Ricardo Ferreira disse...

Já que se dedicou a escrever tanto eu li e vou tentar respoder Nuno Castelo:

1- Lembro de Sampaio e Guterres terem lutado para que fosse uma força militar internacional para Timor após o referendo. De Duarte Nuno também me lembro de ter sido ele um das muitas pessoas a defender Timor. Alias, a Cosntituição ainda refere o direito de Timor à sua existencia como país. Se não refere, referia há uns anos.

2- A descolonização foi feita da melhor maneira possivel. Também Spinola chamava a atenção para a descolonização, e no fundo não queria descolonização nenhuma. Já iamos muito atrasados em relação ao mundo em dar a independencia Às colónias.

3- Ribeiro Telles foi o primeiro ambientalista PortuguÊs. É pessoa que admiro pela sua defesa em relação ao ambiente.

4- Eu ainda não construi nada. Mas se Portugal fosse uma monarquia tipo europeia, estas coisa faziam-se na mesma, porque o rei era apenas uma peça de decoração.

Portanto, continuo a não perceber onde quer chegar...

O rei iria mudar isto tudo? claro que não.

Se existe rei como em alguns paises europeus, quem decidia eram os governos eleitos pelos povos.

Nuno Castelo-Branco disse...

Ricardo Ferreira:

1. Sampaio e Guterres aparecem tarde, MUITO TARDE na questão de Timor. Exactamente muito depois do massacre de santa Cruz...

2. A descolonização feita da melhor maneira possível. Sem comentários, Não aprenderam nem se esqueceram de coisa alguma. Culpas no cartórrio...

3. De acordo, Ribeiro Telles foi o primeiro ambientalista português, de resto vivamente apoiado SEMPRE por D. Duarte. Aliás, se se der ao trabalho de ler as entrevistas do duque de Bragança, ele aponta desde há anos, onde o Estado desperdiça escandalosamente, para o proveito de uma meia dúzia.

4. Tenho sérias dúvidas que se "fizessem na mesma", até porque numa monarquia, certos conceitos como transparência e dignidade são levados muito a sério. Sabe disso muito bem e até é risível compara a república portuguesa, com qualquer uma das monarquias europeias, seja ela qual for. Até em matéria de despesa, nada há para comparar. Em suma, o vosso presidente é uma inutilidade que só serve para entravar governos alheios ao seu partido e pronunciar-se de quando em vez de forma platónica, tal como ontem fez. Pergunte a um dinamarquês, por exemplo, qual o papel reservado ao monarca. Imnagina alguém ir para a guerra "morrer por Sampaio ou Cavaco"? É que" morrer pelo Rei" quer dizer exactamente o mesmo que "morrer pela Pátria", palavra desaparecida do léxico regimental. Infelizmente.

Para o Carlos:

Compreendo muito bem o que quis dizer. Simplesmente parece-nos que muitio pouca gente - a não ser os mesmos grandes interesses económicos de sempre - está interessada na União Ibérica. Aliás, o que ganhámos com essa dita União, é motivo para amplo debate:
1. Modernização do aparelho burocrático do Estado (os Habsburgos sempre foram peritos nisso).

2. Prossecução do isolamento económico, sem integração num espaço único dos reinos componentes da Península unida. Moeda diferente, pautas aduaneiras, alfândegas. tal como antes.

3. Herdámos a desastrosa política externa de Madrid, obcecada na luta pela hegemonia continental, defendendo e procurando alargar todo o "lixo" disperso desde a desembocadura do Reno até à Sicília. Irónico, quando tinha um imenso império ultramarino, alvo da cobiça dos seus inimigos. A Espanha perdeu-se porque é intrinsecamente tacanha, curta de vistas e pouco curiosa acerca de tudo o que a rodeia. Sejamos amigos e aliados, mas nada mais que isso. Uma união remete-nos ainda para um atraso maior, com o fecho generalizado de embaixadas portuguesas em todo o mundo, centralização do poder de decisão de empresas estrangeiras em Madrid e paulatina mas irreversível erosão da língua portuguesa, hoje mais pujante que nunca. Era só o que nos faltava. Eles nem sequer conseguiram resolver o problema dos bascos e catalães e agora pretendem curar-se - ou tentá-lo - às nossas custas. Nem nos entendem e pior, não nos compreendem! N Ã O!!
O Carlos tem toda a razão quando se refere ao imenso património histórico escandalosamente abandonado no além-mar, desde a costa de Marrocos até ao Japão. É que o regime liquidou aquilo que se convencionou denominar de orgulho nacional, reduzindo-o a uma efémera - e sempre grande desilusão - expressão de futebol. É pouco, é baixo, não chega! A monarquia cria um certo Estado de espírito, dá segurança para avançar, para discutir e especialmente, para fazer. Os exemplos estão aqui mesmo à porta. A república portuguesa é em termos europeus, a que maior fracasso histórico regista, desde o espírito cívico - hoje inexistente -, à praxis política, à descolonização vergonhosa - lembram-se do Brasil? -, imobilismo social, etc. Porque será que este bando de fracassados insiste no erro e no preconceito? Porque insiste em recorrer a artifícios para a eternização do erro, do disparate, do abuso? Julgam que somos todos parvos? Que reaccionarismo, atroz...

Anónimo disse...

VIVA O BUIÇA

Ricardo Ferreira disse...

Como é que a descolonização deveria ter sido feita então?

Como é que em monarquia os valores da transparência e da dignidade seriam melhor aplicados. Como é que se iriam diminuir os gastos com obras sem interesse?
Milagre???

Já agora é muito diferente morrer pela pátria que morrer pelo rei. Sobretudo se o rei for o Duarte Pio.

Nuno Castelo-Branco disse...

Caro Ricardo ferreira

A questão da descolonização "exemplar" é complicada, reconheço. mas existem alguns pontos que convém salientar:
1. Nenhum dos chamados movimentos de libertação conseguiu ocupar em 13 anos, UMA ÚNICA cidade ou povoação de algum relevo. NUNCA e em qualquer uma das frentes de combate. Prove o contrário...

2. Os civis que chegaram do estrangeiro nos dias seguintes ao 25 de Abril, sabiam - pela experiência da história - como se devia agir em conformidade com a situação. negociação e numa posição de força, coisa que deviam ter de imediato fazer ver aos tropas. mas não, embarcaram no mais desalvorado populismo de que há memória. Para isso existe uma palavra no dicionário, na letra T. Ainda não foi abolida, essa palavra feia e vergonhosa. Mário Soares disse a D, Duarte, que no encontro de Lusaka, o Otelo sentou-se ao lado da Frelimo, como se fosse um co-beligerante contra Portugal! Compreendo a dificuldade que Soares deve ter então enfrentado, mas num caso destes, eu teria abandonado de imediato a sala, deixando os tropas assumir a responsabilidade. não lhe parece ter sido um clamoroso erro na atitude? É que Soares não pode ser considerado como um qualquer Sampaio ou outra figura menor!

Compreende-se que o PC fizesse o jogo soviético, pois tal como Cunhal dizia, não passava do "destacamento português da Internacional Comunista", coisa que os socialistas devem saber o que significa. Lembre-se do que se passou em toda a Europa oriental e mais tarde, a atitude do PCF no norte de África, por exemplo. Não posso crer que os dirigentes do PS e do PPD não soubessem. Não os tenho em conta de idiotas ou de ignorantes. Assumam que tiveram medo da tropa fandanga dos Otelos e afins. Mas digam-no sem problemas, porque ao fim de quase 4 décadas, seria uma autocrítica que encerraria o caso.

3. O caso da transparência da monarquia. Presumo que estou a dialogar com um europeísta convicto e assim, remeto-o para essa realidade, tão perto de nós. veja o palmarés dos nossos 26 parceiros e conclua, digamos, acerca dos 10 primeiros lugares. Não é surpresa para si, tenho a certeza.

Posso aceitar o assumir aberto e destemido do preconceito contra a instituição real. Faz parte da maneira de ser dos humanos. O que se torna inaceitável é a tentativa de escamotear a verdade e impingir a mentira como normalidade. Isso é o que tem sido feito ao longo das 3 repúblicas. E a actual, sem dúvida a mais moderada, começa a demonstrar uma certa radicalização. sabemos como termina...

Quanto a "morrer pelo Duarte Pio", como diz. Não me vou esfalfar - confio plenamente na sua capacidade de pesquisa e mais que tudo, no seu interesse pela matéria - e apenas sugiro que dê uma vista de olhos na prolífica informação explicativa da consubstanciação do corpo da Pátria no corpo do Rei. Aliás, creio ter sido este um dos últimos sermões do Padre João Soares - como capelão do exército real - antes de 1910. Sabe quem foi? O pai do Dr. João Soares. O avô do Dr. João Soares e o bisavô do menino João Soares júnior.
Tente obter o texto. Há muitos anos li-o e é magnífico. Vou ver se o encontro e tentarei publicá-lo na íntegra.

Já agora, uma simples questão: preferia ter tido o príncipe Luís Filipe (Luís II) como rei constitucional, ou nos anos 40 e 50 os srs. generais Carmona e Craveiro? Diga lá.

Nuno Castelo-Branco disse...

ERRATA:

Onde digo "pai do Dr. João Soares e avô do Dr. João Soares", queria dizer, "pai do Dr. Mário Soares e avô do Dr. João Soares".

Desculpe-me, foi apenas um lapso de adepto da monarquia hereditária!

Luis Bento disse...

Belo espaço de intervenção e debate! A República está esgotada...Urge criar um novo modelo de regime para o País. Um blog a seguir...

Anónimo disse...

Com a palavra BUIÇA rima uma palavra :) Adivinhem qual :)

Ricardo Ferreira disse...

Veio bater num ponto certo. Foram principalmente os militares a guiarem a descolonização.

No entanto, percebo bem a pressa. Já estavam fartos de guerra.
Mas adiante...

Quanto do Dr. Joao Soares, pouco me interessa que tenha sido pai ou avô ou tio de quem quer que seja.

Quanto À tal transparencia da monarquia, limita-se e escrever a dar exemplos estrangeiros. E... Não concretiza nada. NAda em concreto que diga como a monarquia possui mais transparencia que a republica.

Quanto À sua questão?? O dois presidentes que falou eram meros castiçais. O responsável pela 2ª republica foi o presidente do conselho Salazar. Aqui rei ou presidente iria dar tudo ao mesmo.

João Amorim disse...

Direito de voto dos emigrantes? Se eles pudessem suprimiam muitos circulos eleitorais, aumentavam a idade do voto, impunham o "cacetismo"! É muito chato dar ao povo a decisão do emprego apetecível. Urge renovar o regime mas ainda mais urge renovar esta "democracia".

Nuno Castelo-Branco disse...

Olha que não ia dar ao mesmo, Ricardo Ferreira.

Salazar sabia bem o que queria dizer uma "monarquia à inglesa", como o pai do actual duque de Bragança pensava trazer para Portugal. Quanto aos ditos castiçais, o que foi então o Manuel de Arriaga, o Bernardino (castiçal que serviu para iluminar as imundícies do Afonso Costa), o Teixeira Gomes (que fugiu), o Américo Tomás e o Spínola? Castiçais, isso mesmo. Quanto aos pr's da 3ª república, foram e são castiçais do próprio partido, exceptuando-se Eanes que é um militar. E mesmo assim, criou um partido (PRD, o tal que dividiu o PS a meio)... Ou tem alguma dúvida acerca da actuação de Soares ou Sampaio, no que respeita ao bom serviço prestado ao PS? Quanto a Cavaco, espera apenas pela oportunidade de um ajuste de contas. Na situação em que estamos, o futuro é uma incógnita e para disso nos darmos conta, basta ver o telejornal das 8. Em todos os 3 canais, diga-se.

Falando do PS. Portugal é um país de equívocos e hoje em dia, estou seguro da não filiação do actual Partido Socialista - alicerce fundamental do regime - naquela Partido Socialista dirigido há cem anos, pelo senhor Azedo Gneco. Será muito interessante consultar os textos produzidos então pelo PS, para ficar a saber plenamente o que os socialistas - muito mais trabalhistas que o seu actual homónimo - dizia da "república" e dos "republicanos". Aliás, uma das frentes de combate mais acirradas do prp/pd, foi exactamente a liquidação do PS que como sabe, preparava-se para se aproximar do exercício do poder, alternando com os Regeneradores Liberais de João Franco. Imagine o que teria sucedido sem o regicídio. Provavelmente, os 3 partidos - os dois maiores, o Regenerador ("parecido" com o actual PSD) e o Progressista (que fazia a vez do actual PS) e o minortitário prp - teriam desaparecido sem deixar rasto. Foi o que sucedeu em toda a Europa do norte.

Apesar de tudo, começo a inclinar-me (infelizmente) para a ideia de que o actual PS ou grande parte dele, nada tem em comum com o primeiro Partido Socialista: nem nas suas bases, nem nos sectores laborais que lhe dão forma e muito menos ainda, na prática da política da coisa pública. Nada, nada mesmo. pelo contrário, certas atitudes extemporâneas e demasiadamente eivadas de populismo fácil, aproximam o actual PS - de forma muito arriscada e reconhecida até por um deputado socialista com quem estive há pouco tempo - do costismo dos chamados pretensiosamente de "democráticos" da 1ª república. sabemos no que deu e sinceramente, não desejo que se repita a história.

Quanto à questão da existência de monárquicos no PS, não tenha ilusões: existem e não são tão poucos como poderá pensar. Até o meu próprio pai! Decerto já deve ter ouvido falar do importante deputado socialista - infelizmente já falecido - Luís Nunes de Almeida. Azul e branco. Do melhor que o PS teve.

Terminando, se lhe dou exemplos estrangeiros de monarquias, tal deve-se ao simples facto de Portugal ainda estar sob uma espécie - bastante discutível - de república. Apenas isso. Que termo de comparação pretendia que lhe desse? Um anacronismo? Comparar Portugal de hoje com o Portugal de 1907? Mesmo assim e em termos relativos de comparação com a Europa, fica a perder, pois estamos hoje mais afastados.
Não tome todo este diálogo como guerrilha partidária, pois não é esse o móbil, antes pelo contrário. Por exemplo, tem um à sua disposição um blog assumidamente de direita como a 4ª república (ou o Portugal dos Pequeninos) que são ferrenhamente republicanos, enquanto existem outros, bastante próximos da sua posição partidária, igualmente ferrenhos monárquicos. É normal.