terça-feira, 27 de julho de 2010

Um grande "tripeiro" - monárquico


PAULO VALLADA. Presidente da Câmara portuense, um homem de todos respeitado. Monárquico convicto, sempre na primeira linha do nosso combate de ideias. Agora e sempre connosco. O Monarquia do Norte entrevistou-o em Setembro de 1999. Recordamos essa conversa:
P. Que faz mais sentido: Rei de Portugal ou dos portugueses?
R. Rei dos Portugueses. O Estado precede a Nação. Num aglomerado de famílias, uma comunidade escolhe um, de entre eles, que se impõe por mérito próprio e aclama-o - é o Príncipe. Foi assim com o Condado Portucalense.. Depois, é seguir a nossa história durante 800 anos.
P. Qual a diferença principal entre um rei e um presidente da república?
R. O Rei traz consigo o mito da perpetuação da Pátria, pela sensibilidade do afecto familiar, pelo desprendimento das várias correntes de opinião, livremente formadas nos partidos e movimentos democráticos, pela liturgia do Estado na representatividade da comunidade nacional. Tem uma função suprapartidária. É o primeiro defensor da constituição - a Lei Fundamental.. É a imagem viva do nosso passado comum - a memória de referência. É a imagem do nosso presente. É o juiz Provedor da Lei num processo de equidade. é a imagem do nosso futuro, como garante dos valores e dos princípios comuns a todos os portugueses.
P. Qual a função mais importane de um Rei?
R. Cumprir e fazer cumprir a Lei Fundamental - a Constituição. Num sentido ético-cultural a unidade fundamental, na sociedade, é o Casal, transmissor de vida. No imaginário da vida colectiva é a Casa Real. Dá a imagem de uma Pátria unida por afectos, interesses e poderes. A Pátria dos Portugueses existe em todo o mundo. O mito é a Casa Real. O Rei é a autoridade, a Rainha é a arte da tolerância, no afecto, e os Filhos a esperança de todos nós.
As palavras de Paulo Vallada são como ele próprio - sempre vivas, imemoriais.

5 comentários:

bicho disse...

Caro Amigo.

É curioso como a opinião dos monárquicos liberalistas abraça a opinião nos integralistas no que toca ao chefe supremo do estado.

A ideia do "país imaturo" que necessita de um Rei como figura Paternal pois não reconhece ao povo a capacidade de encontrar numa figura eleita a equidistância necessária para exercer a função de chefe de estado, a meu ver já não faz sentido; eu respeito o tradicionalismo, e se tivesse um Rei certamente que o respeitaria como respeito o presidente, no entanto, gostaria de citar o exemplo de Cavaco Silva para contrapor a sua teoria.

Curiosamente, Cavaco tem recebido criticas à direita, mais ainda do que à esquerda; e as críticas que recebe à esquerda são as mesma que acusam Sócrates de governar à direita. Cavaco tem sido precisamente aquilo que o meu amigo deseja num Rei, Cavaco não se revê na estratégia do PSD ou PS, está acima delas, e isto resulta da maturidade da nossa democracia, que apesar de não ser o melhor dos mundos, tem a capacidade de produzir chefes de estado acima das agendas partidárias, com a vantagem de serem sujeitos a sufrágio e logo, a julgamento popular.

O povo vai-me dar razão e Cavaco vai ser reeleito, o que prova que a maturidade está lá, não só no chefe de estado mas também nos votantes.

Verdade verdade é que um Manuel Alegre só chegaria a chefe de estado por direito de berço e isso meu amigo, é o busílis da questão !

E esta heim !

João Afonso Machado disse...

Meu prezadissimo Amigo:
Nós náo oferecemos ao dito «país imaturo» a solução de um Rei. Aliás, não pretendemos oferecer nada, senão convicções. Postas à escolha do povo.
Essa, se me permite, a nossa superioridade. Não estamos em campanha eleitoral.
V. fala num «abraço» dos m. liberais com os m. integralistas. Questão diacronica. O mundo evoluiu e a UE é uma realidade presente a todos...
Nem lhe falo das minhas convicções pesssoais sobre a organização (ou desmantelamento...) do Estado.
(Por mim, punha essa malta toda a andar e dava o poder aos concelhos/autarquias. = a integralismo).
O País é o que é. Maturo? V. dirá.
O Rei continua a ser, para nós, a figura que conglomera as vontades díspares num objectivo que nada tira às pessoas,o qual consiste num propósito de continuidade.
Olhe para os jornais e leia se esse objectivo existe...
Que mais posso dizer? Discutir os méritos de Cavaco? Não, é outra onda, é a onda que vivemos actualmente. Queremos ir além.
Nada disto tem a ver com paternalismo. Apenas com um sentido comum de existência - uma ideia que não cabe neste acanhado apontamento.
Essa ideia eregrina que Alegre adquire o direito à Presidência por direito de nascença é descabida. Como sabe, a noção de que todos se riem dela lá na terrinha não é percepção minha. Se quer dizer que Soares pretendeu testamentar poderes, de todo em acordo consigo - mas ambos conhecemos as regras dos regimes logo, dessa impossibilidade.
Fez conjecturas quanto à futura P.R. Está bem, nada a opor.

Importante para mim: V. é uma pessoa séria. Daí a sua afirmação, que cá não esquece: «se tivesse um rei certamente que o rspeitaria».
é o que eu faço quanto ao PR. Aceitando as regras da maioria dos nossos.
É sempre um gosto trocar ideias consigo. Boa semana, ou boas férias.

bicho disse...

A ideia do "pai" está sempre lá; vendida, sugerida ou por simples e honesta fé essa é a ideia central que os monárquicos colocam no Rei, a figura isenta, acima de qualquer suspeita, eu infelizmente não partilho da mesma fé, embora reconheça que países do sul da Europa e democracia por vezes sejam incompatíveis por uma questão de mentalidade, mas como dizia Churchil "ainda não inventaram melhor...".

A ideia que o Rei pode "conduzir" a democracia pelo caminho correcto não implica que um presidente não o possa fazer com o mesmo espírito, é como lhe digo, Cavaco manda às urtigas a agenda do PSD e curiosamente, muitos dos seus amigos monárquicos condenam-no por isso mesmo !

JSM disse...

Cavaco quer ser reeleito. Porquê não sei. Dividir para reinar é propaganda republicana, o rei não tem esses problemas, não vai a votos, não precisa de agradar a ninguém, ou desagradar a todos, à vez.
Desculpem meter-me na conversa.

João Afonso Machado disse...

Caro JSM:
eu nunca considero as suas intervenções como intromissões.
Seja, por isso, bem vindo à conversa.

Caro Nuno:
«O pai está lá»... Estará. está sempre que o PR vai em passeio pelo País, a qualquer inauguração. Pai para uns, padrasto para outros...
Mas a verdade é essa, realmente: o português -nós própios - temos essa tendência para buscar a referência paternalista... ou maternal. Não esqueça o culto mariano em Portugal. A Padroeira, N. S. da Conceição, Fátima, a devoção das gentes do mar (N. S. da Nazaré...).
Até nisso, o Rei nos assenta como uma luva. A Família Real também (veja a importância das familias dos candidatos a PR nas campanhas eleitorais).
Paulo Vallada, homem de bem compreendeu isto tudo. Daí o sem monarquismo.