Ficámos ( pelo menos eu fiquei ) ontem a saber que é costume a Dra.Luísa César, mulher do Presidente do Governo Regional dos Açores, representar o seu marido em visitas quando este não pode estar presente. E ficámos a saber dada a pesada factura (27.500 euros ) apresentada pela visita da Primeira Dama dos Açores e dois assessores ao Canadá representando o Dr.Carlos César, tal como ontem foi noticiado em vários canais televisivos. Ora, não existindo qualquer função de representação prevista na Constituição da República ou no Estatuto dos Açores para as mulheres dos Presidentes dos Governos Regionais, obviamente que se fica com vontade de saber qual o fundamento jurídico para estas missões pagas pelo Erário público. Pensava eu que quando um alto governante não pode estar presente faz-se representar por outro titular de cargo público conforme a natureza e a importância do acto,mas pelos vistos nos Açores não é bem assim. Não vai um Secretário Regional ou um chefe de gabinete, vai a Primeira Dama. Fiquei ontem também a saber que a Dra.Luísa César é a Conservadora dos Palácios da Presidência Açoriana , e estou com grande curiosidade em saber se já o era antes do marido ser o Presidente do Governo Regional ou se o é por algum tipo de inerência.
Este domingo as Repúblicas e demais vão ficar a ver uma final de futebol entre duas nações monárquicas. Tenho tanta pena dos "atrasadinhos" dessas nações, "nós" que somos tão evoluídos! Olhem a França, tão campeã, por certo, mas do campeonato onde o que rolou foram cabeças da guilhotina.
Estou muitas vezes em contacto com o Museu Bernardino Machado, em V. N. de Famalicão. Acompanhando as suas actividades e as suas edições, participando nas suas iniciativas. Sempre com o cuidado enorme de, alto e bom som, avisar os que ainda possa não conhecer - «eu não sou nada ao Bernardino, é simples coincidência de nomes». E o meu excelente Amigo Amadeu Gonçalves, um colaborador do Museu, de imediato a corroborar o meu dito, «é verdade, simples coincidência, apenas».
Em Famalicão há monárquicos e há republicanos, mas todos nos entendemos.
Recentemente, fui ao Museu Bernardino, em busca de uma documentação que importa a um estudo que ando fazendo, e topei com duas novas publicações: umas "Memórias" da autoria de um neto seu e um catálogo da exposição permanente do Museu. Algo que me interessou.
Ambas me foram oferecidas.
De modo que hoje não sinto inspiração para bernardinar a pessoa do Bernardino. Quase me parece menos condenável, o seu percurso político. Há, nessa exposição, uma fotografia do homem, já em final de vida, que impressiona. Muito velho, desfigurado - mas de pé, conversando com Gago Coutinho, parecendo ainda capaz de maquinar a derradeira politiquice.
Enfim, fico-me apenas pelo seu exílio, após o alicerçar da 2ª República. Bernardino partiu para França, mas em breve se acomodou na Galiza. Era um exílio sui generis - passava as férias de verão em Moledo. E mantinha opiniões políticas, por exemplo, a propósito da obra de Salazar:
«... a imprensa e a tribuna encontravam-se garrotadas, a eleição para a presidência da república fora um ludíbrio; os partidos populares achavam-se imobilizados; os poderes do estado, autarquias locais, tudo falsificado, as colónias subalternizadas. Sobressaindo por aviltamento das instituições, figuravam a Assembleia Nacional e a Câmara Corporativa. Estas últimas, desprestigiadas mandatárias da ditadura, e não da Nação, cumplices da usurpação da autoridade pública, não mereciam, sequer, a confiança dos seus chefes...».
É claro que, lendo isto, fico sempre na dúvida sobre quem foi o mestre e o discípulo: Afonso Costa ou Oliveira Salazar... Ambos bufavam e perseguiam as pessoas, ambos nadavam nas mesmas águas republicanas.
Muitos se lembram do fim da 2ª República. Do 25 de Abril. Da Junta de Salvação Nacional e do primeiro Presidente da 3ª República - o Gen. António de Spínola.
Esses, também não esqueceram o conturbado período do PREC. Com a Esquerda totalitária a avançar todos os dias na escala do Poder. Em Portugal.
Em Espanha, por essa altura, verificava-se a pacífica ransição para a democracia. Coroada com Juan Carlos no Trono.
Por cá, o Presidente Spínola, averso a totalitarismos, tentou inverter a marcha dos acontecimentos. Com ele, outros. O insuspeito 1ª Ministro Adelino da Palma Carlos demitiu-se em Junho de 1974. Sucedeu-lhe o pai do "Gonçalvismo", o Cor. Vasco Gonçalves.
A avalanche comunista não cessava. Com Spínola a tentar opor-se-lhe. A manifestação do "28 de Setembro" fracassou pela acção de rua do PCP. Os meses corriam e o predominio comunista era cada vez maior. Chegámos ao "11 de Março".
Foram ataques a quarteis, "revolução" para aqui, "reacção" para ali e - Spínola no exílio. Começara abertamente o PREC.
Antes, logo em Setembro de 1974, «perante as câmaras de televisão, Spínola anuncia a sua renuncia. O homem que, meses antes se comprometera em servir o País com a mesma isenta devoção com que sempre o servira como soldado, revela que não pretende transformar-se num presidente decorativo» (vd. António de Spínola. col. Presidentes de República - Museu da Presidência da República, pág. 76).
Faltou a Spínola a autoridade para, num apelo só, imobilizar intervenções tão fortes como a dos extremistas comandados por Milan del Bosch, em Espanha, 1982. Para actuar como um Rei.
Por mais que tal seja silenciado pelos grandes meios de comunicação do regime, suspeito que o sistema duma chefia de Estado monárquico constitucional atrai muitas mais simpatias em Portugal do que nos querem fazer crer. Para além daquelas elites e quadros que se escondem mais ou menos envergonhados nos diversos partidos e órgãos de poder da república, basta puxar a conversa na rua ou nas escolas, percorrer os mais influentes blogues e redes sociais para obter consciência de que a Causa Monárquica tem adesão e muitos simpatizantes. E aqui refiro-me a “simpatia” com o seu significado intrínseco e distinto de “militância”: para descanso dos mais empedernidos republicanos, a questão da chefia do Estado está longe de ser prioritária para a frágil classe média portuguesa, para quem são decisivas as contas da governança corrente de que depende a subsistência material duma família portuguesa.
De resto, como eu previ há algum tempo, desconfio que o que prevalecerá nas comemorações do Centenário da República por este País que se arrasta acabrunhado na História e no fundo de quase todas as tabelas de indicadores de bem-estar e progresso, é a brutalidade e infâmia do regime antidemocrático que sobreveio sujo de sangue em 1910, e que degenerou no regime de Salazar. O que sobrará destes festejos inusitados, é o reconhecimento e a divulgação duma outra bandeira que foi portuguesa e de liberdade.
Aqui chegados, acredito constituir o próximo dia 5 de Outubro, que está já aí na curva do calendário a seguir às férias, uma oportunidade ímpar na História para uma pacífica mas categórica mobilização de muitos portugueses monárquicos ou simples simpatizantes. Julgo que esta será uma ocasião preciosa para se prescindirem de divisões, comodismos ou egoísmos e sairmos à rua para restaurarmos o sonho de sermos Portugal. Não constando ainda nenhum programa ou acção para a efeméride que se aproxima, cabe à direcção nacional da Causa Real em consonância com as Reais Associações locais, assumirem com ambição o protagonismo que o calendário e a História este ano nos oferece de mão beijada. E cabe decididamente a todos os simpatizantes desvanecerem as suas dúvidas e hesitações e prepararem-se para assumirem o protagonismo que a ocasião exige.
No próximo dia 5 de Outubro a todos se nos exige a devolução da esperança ao futuro de Portugal. Onde seja, estaremos presentes.
Acontecimento teatral sobre a I República para famílias e crianças dos 6 aos 12 anos. A história da República é contada num tom pessoal a rapazes e raparigas que podem ter entre os 6 e os 12 anos. A contadora herdou um álbum de fotografias que pode ter sido feito por Carolina Beatriz Ângelo ou por sua avó, inspirado pelo ideal republicano. Nele está guardado tudo aquilo que diz respeito a este momento histórico. Em jeito de passagem de testemunho, a contadora abre o seu universo a quem a ouve. Entre linhas, cordas, flores, fotografias e xaropadas os ouvintes são iniciados num clima de secretismo que recria os passos que levaram à passagem da Monarquia à República em Portugal."
Viram? Dos 6 aos 12 anos! Num album onde tudo está guardado no que diz respeito ao momento histórico! Num clima de secretismo... são "iniciados"! Recriam-se os passos que levaram à passagem...!
Força "comissão". Talvez as crianças acreditem no acontecimento teatral que é a xaropada deste centenário. Ainda falam da "mocidade portuguesa". Ei-la, bem orientada pela propaganda.
É certo que a democracia é de muito comer. Por isso preveni Portugal de que a república não lhe sairia barata. Come já muito, mas por enquanto ainda come mal. Enche de mais a boca, põe os braços em cima da toalha, dá cotoveldas no vazio das pessoas que lhe ficam à ilharga, quebra palitos, faz bolas com o miolo do pão, limpa os dentes com a lingua, e, quando se faz representar pelos seus leaders mais retintamente radicais, não desdobra o guardanapo, come com faca as ervilhas e com o garfo da carne assada penteia o bigode ao pedir a sobremesa. Veste-se geralmente mal e pior ainda se vestirá agora que se lhe foi embora para o Novo Mundo o conjunto mais válido dos nossos cérebros.
(Acabadinho de redigir por um lúcido qualquer).
CORRIGENDA:
Onde se lê, respectivamente, «Por isso preveni Portugal», deve ler-se «Por isso Gambetta prevenia a França»; «agora que se lhe foi embora para o Novo Mundo...», «agora que se lhe foi embora para o Brasil o Amieiro»; «(Acabadinho de redigir por um lúcido qualquer)», «Ramalho Ortigão, "Últimas Farpas (1911-1914)"».
Aproveitando o espírito festeiro que tem dominado o país, não obstante o facto de atravessarmos a pior crise dos últimos 40 anos, penso que a Comissão para o Centenário da República não podia deixar em branco o dia de hoje, por ser, efectivamente, um dos mais sensíveis do regime: a defenestração de Afonso Costa. Procurei nos novos roteiros republicanos a menção a tal acontecimento mas foi em vão. Injustamente esquecida esta data, a recordamos aqui. Foi no dia 4 de Julho de 1915 que Afonso Costa, grande paladino da República Portuguesa, pouco depois de ter entrado num eléctrico de Lisboa pela porta, dele saiu pela janela. Deveu-se este curto circuito a um estampido, seguido de clarão, que Afonso Costa julgou ser a um implosão ou atentado contra a sua vida. Quem com ferros mata, com ferros morre, terá pensado. Mas não. Foi um triste reflexo que lhe causou uma aparatosa saída do eléctrico, uma embaraçosa queda e uma não menos honrosa subida à galeria das imbecilidades da Nação, como é apanágio de políticos da sua lavra. Depois da defenestração de Miguel de Vasconcelos, (na imagem) nada melhor do que recordar esta segunda saída por tal abertura como um dos feitos mais gloriosos e infelizmente esquecidos que Portugal legou para a História da Humanidade.
O jornalista Bourbon e Menezes, de O Mundo era o que costumamos designar um "chega-me isso" de Afonso Costa. Pau para toda a colher. Um dia, a propósito do Rei D. Carlos, escreveu:
«O frascário, que gostava de fazer patuscadas no iatch que tinha o nome da mulher, com galdérias e a guitarra do Reinaldo Varela a tocar o Choradinho e, no tédio das Necessidades, se dava de vez em quando à extravagancia de escrever à máquinas cartas insultuosas para a rainha...».
Tão elevada prosa mereceu do seu colega João Paulo Freire («O Livro de João Franco Sobre D. Carlos») o inequívoco e sonoro reparo:
«Em primeiro lugar chamar frascário a um homem morto já vai para 17 anos não é coragem, mas o que me arrepia e me confrange é aquela afirmação das cartas anónimas, afirmação baseada apenas em boatos torpes e que vai ferir escusadaemnte a memória de um Homem e a honra de uma Mulher!
Verdade que fosse, ainda havia que discutir o direito do insulto a uma pobre mulher viuva e mártir a quem mataram o marido e o filho. Mas Bourbon e Menezes é incapaz de me afirmar sob sua honra que aquilo é verdade. E não tendo a certeza dessa verdade - porque a não tem! - o meu camarada Bourbon e Menezes esqueceu-se, no momento aquelas abomináveis palavras linhas, de que era filho e de que era pai...»
Era assim na 1ª República. Tal qual como agora, quando já se avizinha o fim da 3ª República...
O parlamento aprova a promoção de Machado Santos ao posto de 1ºTenente, com uma pensão vitalícia de 3 contos
Revolta monárquica de Paiva Couceiro ao comando de 700 homens
Azóia, Leiria, Batalha e Fafe apoiam Paiva Couceiro
1912
É fechado o jornal “O Aveirense”
Rebelião nas possessões Portuguesas da Índia
1913
Proibição em Angola de importar-se armas, pólvora e munições
O novo regime eleitoral de Afonso Costa significa logo a redução do número de eleitores. Só podem votar quem tiver mais de 21 anos, saiba ler e escrever.
Há a discriminação da mulher.
São excluídos os militares, membros da polícia cívica e opositores à república.
De 695 471 recenseados em Agosto de 1910, há uma redução para 471 557
A implantação da república, apesar de criar um colégio eleitoral de 846 801, corresponde apenas a 250 000 votantes, porque as eleições de 1911 ocorreram apenas em 26 círculos
1915
Com medo de um ataque bombista, Afonso Costa salta de um eléctrico em andamento
1917
No congresso do partido democrático, Afonso Costa têm de disputar a liderança com Norton de Matos
Está à venda, em Lisboa(!) um mapa para nos guiar sobre a I República! A dita comissão não podia fazer melhor aos incautos: monumentos (?), nomes de ruas e instituições (?) da altura. Tudo isto inserido no projecto "autocarro da República".... Dou desde já o veredicto que o mapa peca por escasso e é mais uma das falácias da comissão do centenário. Um nojo. Que porcaria de trabalho da "comissão". Porque não estão assinalados os locais dos ataques à bomba, assassinatos, esperas furtivas, linchamentos com o beneplácito da GNR, assaltos a bancos e mercados, os "empastelamentos" das gráficas, as prisões dos grevistas, as casas ocupadas pela GNR, os locais dos confrontos entre facções republicanas... ....??
Conflito entre a Companhia Carris de Ferro e a Câmara Municipal de Lisboa
1918
Rusga policial no Porto
1919
Greve dos funcionários da CP
É fechado o jornal “A Imprensa” de Lisboa
1920
Apesar de ter arrendado à sociedade que gere o Jardim Zoológico, o conde de Burnay é expropriado da quinta das Águas-Boas e das Laranjeiras pelo governo
Greve dos trabalhadores das fábricas de fósforos de Lisboa e Porto
1921
Greve da Carris
1924
O governo permite a exportação dos produtos agrícolas produzidos nos Açores
"Depois estranhem a necessidade que muitos de nós sentimos de que Portugal seja visceralmente protegido dos abutres portentados internacionais mediante uma reforma de Regime, em liberdade plebiscitária e verdadeira escolha livre. O ataque à nossa soberania tem de ser rechaçado: seja da sovietizante e falsa Comunidade Europeia, ainda mais falsa União, seja de interesses provenientes de outros quadrantes especulativos."
Foi um momento inesquecível. Agora mesmo, no programa "Portugal Directo", da RTP1. A reportagem deslocou-se a Chaves, onde decorrem as festas da cidade, especialmente interessada nas comemorações do Centenário da República. A entrevistadora, excitadíssima, chega-se a um cavalheiro de meia-idade, a querer saber da heroicidade dos flavienses na História do Regime. Por quê o «8 de Julho», o «dia da Cidade»?
O entrevistado, que por acaso se chamava Estevão Rei, não sabia. E justificou-se - ele somente fazia parte da Comissão de Festas; para essas coisas da História estava ali o Sr. Pissarra Bravo.
Para quem também não saiba, 8 de Julho foi a data, em 1912, em que a 2ª Incursão Monárquica foi sustada, após demorado e árduo combate em que os republicanos, entricheirados dentro da cidade de Chaves, lograram impôr às tropas monárquicas um número significativo de "baixas" e a total exaustão, à mingua de água, víveres e munições.
Disso mesmo falou o Sr. Pissarra Bravo. Começando logo por declarar que dificilmente encontraria motivo e dia mais triste para celebrizar e celebrar a sua terra.
«Foi uma guerra civil, irmãos contra irmãos. Um meu bisavô, republicano, nesse dia combateu contra outro meu bisavô, monárquico!»
A entrevistadora principiava a baralhar... Prosseguia o entrevistado:
«Isto não tem nada a ver com monarquias e republicas. As monarquias europeias são as mais cuidadosas defensoras da república».
A entrevistadora, com cara de quem ignora o latim, embasbacava...
«E olhe, eu prefiro mil vezes um D. Juan Carlos que se vira para o outro e lhe diz "por que no te callas?" do que um presidente que diz que não concorda com uma lei mas tem medo de a vetar»...
Pois, pois, - a entrevistadora, desnorteada, tirou a palavra ao Sr. Bravo, antes que ele proclamasse a Monarquia em Chaves, para glória de um seu bisavô e redenção do outro, e chamou a correr outro cavalheiro, mais novo, o responsável por um ciclo de filmes moderno integrado nos ditos festejos.
E enquanto escrevo estas palavras, o "Portugal Directo" ainda permanece lá para aquelas bandas nordestinas. Agora a discorrer sobre o presunto e os pasteis de Chaves, naturalmente.
Este pequeno texto, publicado no Diário de Lisboa, em 1921, é uma pertinente incursão literária de Almada Negreiros sobre os 11 anos imediatamente anteriores à sua redacção. A sala encarnada é, no fundo, um país chamado Portugal, à deriva entre regimes.
O Que Se Passou Numa Sala Encarnada
Era uma vez uma grande sala que parecia uma sala de visitas, mas que, reparando melhor, era mais do que uma sala de visitas. O chão era de veludo encarnado de gala, o tecto cheio de doirados às voltas e aos caprichos, com anjinhos e fitas de boa seda a óleo, as paredes cobertas de damascos luzidios e grandes retratos de homens e senhoras salientes. Ao fundo havia uma grande janela rasgada sobre a melhor praça da cidade. Os móveis resumiam-se a oito belos fauteuils, um dos quais valia mais do que os outros e estava em cima de um estrado com degraus virado para os outros sete fauteuils.
Das duas, uma: ou esta sala servia para alguma coisa, ou já não servia para nada. Em todo o caso via-se perfeitamente que a idade daquela casa vinha de há muito atrás.
Ora naquele dia eu não tinha nada combinado, de modo que podia ficar ali à espreita.
Na rua, os que passavam tinham exactamente para onde ir, estava tudo ocupado, tanto melhor para mim, para espreitar mais à vontade. Vi os retratos um por um, e os fauteuils e os tecidos pelas cortinas e paredes. A certa altura pareceu-me ouvir qualquer coisa; depois ouvi passos com certeza e fui pôr-me por detrás dos veludos que guardavam o fauteuil que estava em cima do estrado. O que então eu vi não é vulgar, e por isso mesmo terei prazer de vo-lo contar, mas previno que o quarto de hora que estive no meu esconderijo pode parecer desmentir a quantidade de séculos que os meus olhos estiveram a ver passar. Tanto se me dá que me acreditem ou não, eu também já fui daqueles que julgam que não há nada de novo neste mundo, e que tudo quanto existe é só o que se vê com os olhos da cara.
Passo a contar:
O ruído começou na praça que se via através a janela. Muito povo, carros puxados a muitas parelhas, muita tropa, muita música e um carro especial com mais parelhas do que os outros e em oiro. Depois abriu-se uma porta da sala por onde entraram muitas mulheres especiais e homens vestidos de todas as cores, até de encarnado e meias brancas, como no teatro. A sala encheu-se depressa. Depois abriram alas para deixarem passar uma pessoa que parecia ainda nova e masculina, com uma coroa pesada à cabeça e uma faixa muito bem passada a ferro.
Todos se ajoelharam quando ele passava. Abriram a janela. Lá em baixo estava o povo guarnecido com tropa e cavalos. Ele tirou a pesada coroa da cabeça e mostrou-a ao povo. Foi um delírio. E indescritível a alegria de todos naquele momento, alguns choravam. Depois fecharam a janela e ficaram sós na sala o rapaz que levava a coroa e mais sete homens escolhidos e de muito mais idade que ele. Este sentou-se no fauteuil que estava em cima do estrado e os sete sentaram-se em cada um dos sete fauteuils. Falavam baixinho e medido. Um deles pôs-se de pé e confessou que não estava nada bem-disposto hoje. Foi aprovado por aclamação.
De repente, sem ninguém esperar, ouviu-se grande ruído de cavalos e muita gente na praça, depois tiros e detonações várias, e quase ao mesmo tempo foi arrombada a porta da sala por onde entrou toda a gente que quis lançar da janela à praça os sete homens de idade e o rapaz da coroa pesada. No meio da praça já estavam oito forcas à espera deles. Depois a sala ficou vazia e com a janela escancarada, por onde se viam oito enforcados. Ao lado das forcas o movimento era parecido com o que já tinha havido antes de terem entrado na sala pela primeira vez: muito povo, carros puxados a muitas parelhas, muita tropa, muita música e um carro especial com mais parelhas do que os outros e em oiro. A seguir, a porta abriu-se de novo de par em par. Entrou muita gente que, se não era a mesma de ainda há pouco, estava, porém, vestida com os mesmos fatos. A sala encheu-se depressa. Depois abriram alas para deixarem passar um velhinho sentado numa cadeira de rodas, com uma faixa muito bem passada a ferro. Não tinha coroa pesada na cabeça.
Abriram a janela. Lá em baixo estava o povo guarnecido com tropa e cavalos. O velhinho levantou com custo uma mão e foi o delírio entre o povo. E indescritível a alegria de todos naquele momento; alguns choravam. Depois fecharam a janela e ficaram sós na sala o velhinho e mais sete homens escolhidos. Sentaram-se nos respectivos fauteuil. Um deles confessou que não estava nada bem-disposto hoje. Foi aprovado por aclamação.
De repente, sem ninguém esperar, ouviu-se grande ruído de cavalos e muita gente na praça, depois tiros e detonações várias, e quase ao mesmo tempo foi arrombada a porta da sala por onde entrou toda a gente que quis lançar da janela à praça o velhinho e os sete homens escolhidos. No meio da praça ainda estavam oito forcas de ainda há pouco, e em cada uma delas foram enforcados com os outros, o que já fazia dois em cada forca.
Mas na praça, apesar do aspecto lúgubre dos enforcados, reinava franca alegria. Soldados e povo abraçavam-se comovidos e cantavam hinos em coro. Em seguida entraram todos à uma, povo e soldados, pela sala dentro, sem distinções; uns chegavam primeiro do que outros e sentavam-se aos magotes em cada fauteuil ao calhar, à vez. A dado momento, quando era cientificamente impossível a sala e os fauteuils meterem mais gente, houve alguém que num grande gesto impôs o silêncio a todos. Todos se calaram. Era para dizer que não estava nada bem-disposto hoje. Foi aprovado por aclamação.
Estes factos davam-se exclusivamente na capital, e a província apenas tinha conhecimento deles pelos jornais.
... mas não vai ser à custa do futebol que o povo vai andar anestesiado, aldrabado e contente em ano do "centenário". Querem festa e alegria nas "comemorações"? Têm de pagar a figurantes, jornalistas, empresas de marketing, cromos do regime e aos bebedolas que aparecem sempre que abre uma tasca de pvc com marca de cerveja.
João Paulo Freire (Mário) foi sempre um homem inconformado. Jornalista de nomeada, na sua época, criticou acesamente a Monarquia, tal a conduta dos politicos que nela se destacavam. Depois veio a República e JPF percebeu tudo. Ou seja, que em Monarquia a Instituição é uma realidade distinta dos politicos e da actividade politica e que, em República, todos - Instituição politicos e actividade politica - se confundem.
JPF tornou-se então um crente na Monarquia. Em diversa obra publicada (por exemplo, neste «O Livro de João Franco sobre D. Carlos», de onde extraio as citações seguintes) incansávelmente denunciou as hiprocrisias da República e dos republicanos.
Lembremo-nos de que um dos motes preferidos dos ataques pessoais a El-Rei D. Carlos era o seu aventureirismo, o seu "marialvismo". Escrevia JPF (pág.130):
«Mas que lhe lance a primeira pedra o português, rico ou pobre, nobre ou plebeu, ilustre ou analfabeto a quem uns olhos de mulher não tenham na sua vida provocado uma loucura de amor!...
Que, quanto aos altos políticos da República, nesse capítulo, depois de 1910, por Deus! é melhor nem tocar nisso...
Que o Rei D. Carlos mesmo pecando fazia-o com galhardia de Rei. Nas as esperava às esquinas dos picadeiros, nem ia para as bichas do Coliseu pelos braços das dactilógrafas...».
Este pequeno excerto é dedicado aos "historiadores" da Comissão do Centenário da República que "esforçadamente" se prestam a escrever e informar o povo português sobre a implantação da república em Portugal. A bem da verdade.
"Não confundamos: Ha que distinguir entre um partido e uma quadrilha: N'um partido nunca adveem divisões da simples circumstancia d'um partidario expor livremente as suas opiniões, discordar das opiniões dos outros, fazer a critica desapaixonada dos homens das coisas e dos factos. D'este simples incidente da vida ordinaria tão correcto, tão normal, resultam divisões? Intolerâncias? Aggravos? Represalias? Rancores? Desordens? Era uma quadrilha. Não era um partido. O partido republicano queria ser um partido, com nobres aspirações, com honrados intuitos? (...) Uniões d'esta ordem importam sempre a derrota dos homens honestos e sinceros; n'uma palavra: o triumpho do bandido."
A República vista por si mesma é, por vezes, hilariante. Isto a propósito de uma exposição anunciada sobre os maçons de Ponte do Lima. Expliquemos-nos:
Nesses tempos da 1ª República, rara era a terra que não dispunha de um maçon. Invariavelmente, o médico, o advogado, o notário. Alguém que vivia desafogadamente, olhando à Bernardino, com manifesto nojo, para o rural, o campónio, e com transbordante inveja para o prestigio do senhor da paróquia, o dono daquelas «Casas Grandes de Romarigães» todas. De caminho, o Abade sofria também com a virulência dos seus dizeres e das suas intrigas.
Por tudo isso, do maçon ninguém gostava e todos tinham medo.
É o que bem se alcança da História de Portugal contada na versão socialista ortodoxa, série de 1975, de inspiração PREC. Da autoria de António do Carmo Reis. Aquilo a que poderiasmos chamar um pós-republicano. Uma voz incómoda. Eis porquê:
«(...) uma maioritária classe média, não convertida à causa da revolução socialista, esperava silenciosamente alinhar por um partido de centro que, sem ir muito além da necessária substituição do regime político moribundo, viesse garantir as liberdades burguesas a um Portugal de pequenos e modestos proprietários agrícolas, industriais e comerciantes. Em convergencia com este jogo de interesses, aparece uma elite organizada de intelectuais que doutrinam, em termos de maçonaria bem pensante e fermento de agitação carbonária, os rumos convenientes de um Portugal republicano.
(...) As medidas tomadas pelos primeiros governos republicanos encarregam-se de demonstrar que a república foi feita para as classes médias e que o operariado nada tinha a esperar dela, a não ser que se comportasse dentro da legalidade parlamentar, como queria Afonso Costa».
A terminologia deixa saudades dos velhos tempos de estudante e das RGA'S. O rigor nem por isso é de Ciência. Mas as verdades vão fluindo. Na minha terra, que eu saiba havia dois ou três maçons. Um juiz, um deputado e um conselheiro. Em Ponte, outros tantos: o Norton de Matos e o Tito de Morais. A Maçonaria nada tem a ver, de facto, com os movimentos de massas. É-lhes superior em saber e alérgica ao seu odor.
Este templo situa-se em Portugal. Obviamente. Em Portugal, não na República Portuguesa. São realidades distintas e desirmanadas, Portugal e a República. Tanto quanto o são - e estão - a Nação e o Estado.
Se nos referimos a Portugal, de imediato visionamos o território, a lingua, a História, os nossos costumes e tradições, a nossa família e a dos nossos amigos.
Se nos referimos à República Portuguesa, logo nos assalta a cabeça a maçadora figura do Presidente, do Parlamento, do Governo, dos Tribunais, enfim. Turbilhões de gravatas, o Diário da República e o fac-simile das assinaturas nos tratados internacionais ("Pela República Portuguesa...") e uma distância incomensurável da nossa família e da dos nossos amigos.
Exemplifico com o texto da Concordata, por que hoje passei os olhos: «Sua Santidade o Sumo Pontífice Pio XI e Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa [à época, Carmona], concordes no desejo de regular de mútuo acordo e de modo estável a situação jurídica da Igreja Católica em Portugal, para a paz e o maior bem da Igreja e do Estado». E, mais adiante: «A fim de assegurar as relações amigáveis, da maneira históricamente tradicional entre a Santa Sé e a República Portuguesa um Núncio Apostólico continuará a residir em Portugal e um Embaixador da República será nomeado junto da Santa Sé».
Evidentemente, nunca em tempos da Monarquia houve tal diferenciação entre a Nação e o Estado. Nunca alguém falou de um Rei da Monarquia Portuguesa, mas sempre no Rei de Portugal. Nação e Estado confundiam-se, sabiam entender-se, conversavam amenamente, eram um só. Agora, o mínimo que poderíamos esperar do Estado é que pagasse uma renda mensal à Nação como contrapartida da utilização que faz das suas instalações. Daquelas, v.g., com que gosta de deslumbrar os seus comparsas estatais.
Mas não. O Estado usa e abusa da nossa Lingua, da nossa História, da nossa Terra e ainda carrega de impostos a nossa Família e a dos nossos amigos.
Somos nós, afinal, os verdadeiros servos da gleba. Mesmo depois de a Monarquia ter abolido a escravatura.
Há coisas que custam a acreditar, mas se o João Amorim diz, é porque é verdade. Mário Soares homenageado nos Arcos!!!
Com certeza, textos seus como o de seguida revelado não deixarão de ser recordados em tal homenagem. Sob pena de a mesma não partir de minhotos, mas de alguém que adquiriu algum espaço (transitóriamente, decerto) no Minho:
«Camaradas:
O Partido Socialista, que é um partido essencialmente de trabalhadores e tem uma base operária muito forte, não está disposto a inflectir as suas orientações programáticas e a vir a er uma prática política centrista para facilitar um jogo oportunista de alianças, a que necessáriamente conduziria um novo governo de coligação. Por isso decidimos pôr o eleitorado perante uma opção extremamanete simples: ou vota em nós, de forma a podermos governar sozinhos, segundo o nosso próprio programa, asumindo por inteiro a responsabilidad da reconstrução económica nacional e da integração futura na Europa (...) ou passaremos à oposição para aí continuarmos a liderar, coerentemente, as justas reivindicações do mundo do trabalho».
É evidente que nada disto tem a ver connosco. As estratégias e as tricas partidárias, de ontem e de hoje, são para quem habita esse estranho - dizem que rico - mundo dos partidos políticos. O que importa, somente, é ter bem presente que o homem que em 14 de Março de 1976 assim perorava, pode muito bem, em 26 de Junho de 2010, nos Arcos de Valdevez, ensaiar qualquer disparate sobre a Ética republicana. Ou difamar a Monarquia.
Em Arcos de Valdevez decidiram homenagear Mário Soares. Lamber-lhe os chinelos. As figurinhas deste regime correm para lá não vá chegarem tarde à fotografia. Um conhecido advogado definiu o homem: “Filho dilecto e descendente moderno da revolução francesa”. Pelo meio de debates, teatros e descerramento de pinturas o sr. Soares vai inaugurar a exposição "Quem fez a República e Mário Soares, um princípio sem fim". Realmente nunca vi um título mais apropriado a este ano de centenário. Por mais lavagens e mentiras que queiram proferir a república foi feita por "cidadãos" sem "principios", sem ética, escumalha sem problemas em perseguir e matar, gente sem calibre moral mas de arma em punho a defender os bolsos cheios; acho piada colarem o sr. Soares a este cenário. Assumi-lo só lhes fica bem. Pena que o país continue a adular um "principio" sem fim à vista.
Considerada pela Newsweek como a sétima mais bela do mundo. A Estação Central de Caminhos de Ferro, foi construída em Lourenço Marques,sendo uma grande obra da "ominosa monarchia" de D. Carlos I. Inaugurada em Março de 1910, é um edifício da autoria do atelier de Eiffel, que também assinaria a chamada Casa de Ferro, situada hoje no Jardim Vasco da Gama (Tunduru) à Av. D. Luís I. Conheci bem este edifício, dele partindo de férias para a África do Sul. Situado na Praça Mac-Mahon, a imponente arquitectura impressiona e é um testemunho da presença portuguesa numa cidade que foi bela, cuidada e com uma certa grandeza. Os fraudulentos senhorzinhos do Centenário ainda estão a tempo de reivindicar a obra, pois em 1916 colocaram-lhe uma esfera sobre o pavilhão central. Depois do Terreiro do Paço e do Museu dos Coches, deles tudo aguardamos. Descaramento não lhes falta.
Eduardo de Abreu defende a manuntenção das cores azul e branca na bandeira e a revisão da lei da separação
Fernando Pessoa crítica a escolha verde e vermelha para as cores da bandeira nacional. Para ele, o vermelho simboliza o sangue que os repúblicanos fizeram derramar e o verde a erva com a qual devem alimentar-se
1920
O governo condiciona a exportação do azeite
O decreto 6950 aprova o regulamento para o serviço rural da GNR
Vem esta prosa a propósito do Prof. Amadeu Carvalho Homem, de quem tenho ouvido, últimamente, desfavoráveis comentários de proselitismo, de excesso de zelo na defesa do regime republicano e no menos apurado sentido analítico dos factos históricos. Confesso que ainda não li, ou ouvi, nada do Prof. Carvalho Homem que me consinta formular opinião própria. No entanto, aqui deixo este episódio que bem dará a medida da minha admiração face ao exposto.
A Câmara Municipal de V. N. de Famalicão vem, de longa data, manifestando a sua preocupação em fazer o levantamento histórico do concelho, o que inclui, obviamente, o devido destaque aos seus conterrâneos mais ilustres.
Assim tem procedido, sem olhar a cores e credos políticos. Do lado repúblicano, aí temos o inefável Bernardino, o Dr. Rui Simões, ministro na 1ª República, desaparecido já após o 25 de Abril... Do lado que interessa, Camilo, Alberto Sampaio... e o Secretário do Rei D. Carlos, o Conde de Arnoso. Que a Câmara devidamente homenageou.
Foi num mandato do Dr. Agostinho Fernandes, durante décadas o Presidente pelo Partido Socialista. Homem por quem mantenho a maior estima, a qual, creio, é retribuida. E a cerimónia constou da inauguração de um busto e da publicação de uma biografia intitulada «O Primeiro Conde de Arnoso e o seu Tempo», cuja elaboração foi confiada ao Prof. Carvalho Homem.
Possuo um exemplar, aliás enriquecido por muito amável dedicatória do Autor.
E acrescentarei somente que este soube interpretar magnificamente o espírito e a acção do Conde de Arnoso. O´mais fiel servidor de El-Rei, o sempre inconformado opositor ao silêncio que se quis fazer no seu assassinato. Sobre Arnoso, escreveu, então, o Prof. Carvalho Homem, a finalizar aquele seu trabalho:
«Deve-se a Ramalho Ortigão a melhor síntese do seu arcaboiço espiritual e a mais conseguida caracterização do seu legado moral. Os seus amigos, mesmo os mais próximos, sabiam que os seus juizos se produziam à margem da consideração de todas as suas afeições particulares. Assim, as lapidares palavras com que defeniu Arnoso, na dedicatória das Últimas Farpas, trazem o selo da isenção (...)».
De modo que um dia destes, pego nas pernas e vou ouvir o Professor numa qualquer palestra comemorativa do Centenário. Levando comigo a excelente biografia que escreveu em 1998 para a Câmara de Famalicão.
A patética comissãozinha das pífias comemorações do maior barrete campínico da nossa história, decidiu-se a propagandear A Portuguesa. Aproveitando um dos mais sólidos pilares do regime - o futebol que faz o momento político, económico e social-, aí está o "encarte" oportuno, induzindo em erro. Esta geração intelectual da péssima safra de Setenta - uma triste e repetitiva sina duo-secular -, treinada pelos exemplos de Vichinsky, Iezov, Ehrenburg, Ponomariov ou incómodos e escondidos correspondentes berlinenses, sempre se salientou pelas habilidades no reescrever da História.
Talvez possamos prestar um serviço à perdulária comissão de gente de "negócios milionários" e fora de cotação bolseira, fornecendo-lhe para Arquivo, a capa da partitura original de A Portuguesa, Hino nada "republicano" e em tudo avesso aos entusiastas comemoracionistas de sarjeta.
«A República faliu porque era a negação da ordem, era o atentado feito lei, ero o ódio sectário consagrado como virtude, era a perseguição sangrenta a todos os princípios e a todas as crenças, na pessoa dos seus asseclas, muitos dos quais pagaram com a vida a intransigência de uns e outros.
A República faliu porque era o crime com forosde cidade, era a imoralidade provocante impando de importância e dando-nos ares conselheirais.
A República faliu porque era Afonso Costa perseguidor da Igreja e sectário odiento, era Bernardino estrangeiro e almocreve das petas, era António Jose dde Almeida, lunático e pueril, era Brito manhoso e rábula, sem nenhum pensamento generoso, sem nenhuma ideia de franqueza, antes conservando na alma todos os refolhos da insídia e todos os cálculos da maldade, tão capazes uns e outros de armar um assassino, como eles próprios de empunhar o ferro homicida»
in Gazeta de Famalicão - Semanário Monárquico, de 01.FEV.1919.