terça-feira, 15 de junho de 2010

Ramalho - De monóculo atento à República (V)


«Fevereiro de 1911
(...) Reproduzindo-se tão prolificamente, por meio da fotografia e associando assim a humanidade inteira às intimidades da sua existência, é indubitável que está o Governo (...) conquistando um considerável rlevo de simpatias (...) sobretudo aos seus próprios olhos. É este (...) um dos mais relevantes serviços prestados à causa democrática, ao ressurgimento da nacionalidade pelo gabinete verde e encarnado (...).
Além das felizes inovações introduzidas nas artes decorativas e sumptuárias (...) ao gabinete cabe ainda a glória de estar, poe meio de um lavor intenso de repoertagem, enriquecendo copiosamente a cacologia nacional com preciosos neologismos, entre os quais (...) o vocábulo homenagear, verbo (...) do qual é sempre sujeito o povo (...) e complemento objectivo o Governo.
Nas cerimónias públicas a menina Deolinda Alves (doze a catorze anos de idade) vai na frente, imediatamente depois da música e oa compasso dela, ricamente fantasiada de República, em veludo, cetim e ouro, gorro frígio de veludo em zimbório sobre os longos cabelos esparsos nos ombros, meias de seda em borzeguins de cetim verde, a bandeira da República na mão esquerda, e uma espada nua com a ponta virada para baixo, na mão direita. (...)
Em outra (...) solene manifestação (...) à memória de Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, não no cemitério (...) mas (...) no Coliseu dos Recreios (...) Deolinda Alves (...) recitou alguns versos (...):
Simbolizando aqui a Igualdade,
Em trajo despido de europeis,
Derramo uma lágrima de saudade
Por Bombarda e Almirante Reis.
Nunca (...) à memória de dois mortos vi prestar homenagem mais catita.
(...) Seria talvez mais conforme à verdade dos factos que Deolinda Alves, por exemplo, dissesse:
Simbolizando aqui a Igualdade,
Ricamente vestida de República e a troco de um grande dinheirão que gastou meu papá no Grandela,
Derramo uma lágrima, etc.
Por Bombarda e Almirante Reis
Fonte: «Últimas Farpas (1911-1914), ed. Clássica Editora.

Cronologia da república - 15 de Junho

  • 1912


Conflito entre populares e a GNR no cortejo cívico de homenagem a Camões

  • 1913

É fechado o jornal “Aurora do Cávado” de Barcelos

Dissolução da casa sindical de Lisboa

Rebentamento de bombas em Lisboa, com um morto e 29 feridos

Represálias das autoridades sobre os sindicalistas

O jornalista Pinto Quartin parte para o exílio no Brasil

Prisão dos jornalistas Alexandre Vieira e Francisco Cristo

Prisão de 100 sindicalistas

Prisão de Carlos Rates

  • 1918

Buscas, apreensões e prisões políticas por todo o país

  • 1920

O governo determina que toda a correspondência, sem os selos da assistência pública, seja retida 8 dias antes de seguir o seu destino

  • 1925

Assassinato à bomba de dois guardas

 
 
 
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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A Lei da Separação - falemos do que interessa.


Eis a estátua de D. António Barroso, Bispo do Porto e, sobretudo, um grande missionário português. Pergunta-se: em 1910, o Prelado era monárquico ou republicano? A resposta só pode ser dúbia e, aliás, absolutamente desinteressante. D. António Barroso era o que sempre foi, e como tal viveu: um missionário, em tudo quanto isso significa de entrega, pobreza, amor ao próximo. Logo em 1910, ante os vorazes propósitos da República jacobina, os Bispos portugueses elaboraram uma pastoral que pretendiam fosse lida por todo o País. Tal não consentiu o "democrata" Afonso Costa. E porque D. António Barroso insistisse em que, Igreja adentro, o Estado não entra - suportou a reclusão, interrogatórios humilhantes (conduzidos pelo próprio Costa) e o exílio.
Tudo isto a propósito da Lei de Separação do Estado e da Igreja a que ainda hoje se fez abordagem, no Jugular, não percebi exactamente para demonstrar o quê.
Claro ficou, sim, que, não obstante a dita lei, Afonso Costa entrou na Diocese do Porto e prendeu o Bispo...
Tentemos, por isso, colocar a questão no sitio que lhe é devido. A lei em si mesma, não era o pior. As Ordens religiosas vinham conhecendo, há quase um século (e não falando agora de Pombal...) a antipatia da classe politica.
Não, o problema não foi a Lei. Foi o legislador. Foram os seus capangas. Os que mediam o crâneo dos clérigos, os humilharam, espancaram, mataram. Os que proibiram o culto. O problema, em suma, foi Afonso Costa ter pretendido acabar com o Catolicismo "em duas ou três gerações".
Era essa a sua intenção. Ninguém o poderá negar.
Relembrem-se os acontecimentos de Fátima, em 1917, a repressão exercida pelas autoridades republicanas, o silêncio com que se quis ocultar a Fé, o formigar dos crentes. Um dos momentos em que a República manifestamente perdeu para os portugueses que nunca respeitou.
No mais: será assim tão importante que o Catolicismo fosse a religião oficial portuguesa? Tenho o meu pensamento no século XIX, claro. Não agora. Agora, só se quisesse debruçar-me sobre o anglicanismo, o islâmismo...
Não, escusa o Jugular de citar preceitos do Código Penal de 1886 que sabemos eram letra morta já então. Melhor lhe ficaria enaltecer a Monarquia portuguesa - nos humaníssimos momentos em que, pioneira, aboliu a escravatura e a pena de morte. Muito cedo. No século XIX.

Cronologia da república - 14 de Junho

  • 1912


Decretado o estado de sítio em Angola

  • 1915

Paralisação das fábricas em Setúbal

  • 1918

O exército fica de prevenção em Lisboa

Assaltos nas margens do rio Douro

  • 1919

Alfredo da Silva despede operários da CUF e paralisa a produção

  • 1924

Constituição da confraria de Nossa Senhora de Fátima





Fontes: aqui


 
 
 
 
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domingo, 13 de junho de 2010

Habilidades éticas


Hermano Neves foi jornalista do "Dia", jornal monárquico. Transitou depois para o "Mundo", orgão de ataque e propaganda dos mais assanhados republicanos. Aí o encontramos em 5 de Outubro de 1910, com prévia filiação na Maçonaria. E, entusiasta das ideias novas, publicou então o seu "Como triunphou a Republica", de que ora se apartou ligeira parcela dos 10 milhões para uma reedição fac-similada.
Porque em tudo se consegue tirar algum sentido útil, sempre direi que o livro ilustra bem o que foram as elevadas capacidade do pensamento republicano - é de um primarismo confrangedor.
Preocupante é que os menos informados o possam ler e acreditar no chorrilho de mentiras ali escarrapanchadas.
A título de exemplo, aqui ficam alguns parágrafos finais. Estamos já no pós-revolução. E então:
«Os dias seguintes foram empregados pelo movo governo em derruir as últimas torpezas da extinta monarquia, e em lançar com mão vigorosa as bases de uma grande nacionalidade.
Expulsos os jesuitas e congregacionistas pela decidida iniciativa do dr. Afonso Costa, e liquidados os incidentes que surgiram em alguns conventos - os derradeiros baluartes dos sectários de D. Manuel - a obra da República afirmou-se como um trabalho imenso de ordem e paz».
Com que então, «uma grande nacionalidade»?
E «um trabalho imenso de ordem e paz», depois de - episódio pitoresco - «expulsos os jesuitas e congracionistas»?

Cronologia da república - 13 de Junho

  • 1911


Guerra Junqueiro é nomeado embaixador na Suiça

Navios militares são encarregues de policiar o rio Guadiana

Grupos de Portugueses concentram-se na Galiza, junto à fronteira de Chaves

No Porto, são presos 15 indivíduos acusados de conspiração

  • 1913

A lei – D.G. nº138 concede amnistia para os crimes, por abuso de liberdade de imprensa

  • 1919

A polícia assalta e encerra a federação do mobiliário

  • 1921

O Dr Ferreira de Sousa, juiz do Tribunal de Defesa Social, é novamente abatido a tiro






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sábado, 12 de junho de 2010

A competência da Comissão


"Contaram-nos uma desculpa que a comissão não tinha dinheiro para nos pagar. Diziam-nos que eram erros burocráticos, que "amanhã" a situação se ia resolver", disse ao PÚBLICO o músico Vítor Rua. "Desde Novembro passado que estamos a trabalhar, sem recebermos os 200 euros por apresentação. Não temos culpa da incompetência da comissão e das suas falhas técnicas", desabafou o músico, que, em Maio, escreveu uma carta à CNCCR. Foi-lhe respondido que a situação iria ser resolvida."

Ai "centenário", este teatro também faz parte do programa?


Cronologia da república - 12 de Junho

  • 1911


O exército é posto de prevenção pelo país

Greve dos tecelões do Porto

  • 1912

É fechado o jornal “Correio da Covilhã”

  • 1913

É fechado o jornal “O Novidades” de Lisboa

  • 1914

Greve dos pescadores de Sesimbra

  • 1920

Demissão do governo






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sexta-feira, 11 de junho de 2010

O ponto de vista de Miguel Sousa Tavares


Estava-se em 1997. A celebérrima Lady Di morrera há muito pouco, emocionando o mundo inteiro. Era a "Princesa do Povo"... Era? Miguel Sousa Tavares, em crónica na revista «Máxima», dizia que não. E explicava porquê:
«A Monarquia ou se aceita com o seu estatuto e consequências ou se abole. Mas não existem monarquias sufragadas pela opinião pública e pelas revistas de coração. "A Princesa do Povo" é uma expressão muito bonita, mas falaciosa. Num sistema monárquico não existem os Príncipes que o povo escolhe, mas aqueles que nasceram com esse destino traçado. É por isso que eu não sou monárquico. Mas se fosse cidadão de um país monárquico, ou emigrava ou aceitava a condição de "súbdito do Rei". E o que é irónico nisso é que a condição de súbdito não faria de mim escravo do Rei ou do Príncipe, antes faz deles escravos do povo. É isso que é o Príncipe de Gales: um escravo da condição, da tradição e do sistema condicional. Nada, na sua vida, é livre, nem sequer o direito de dizer o que pensa. Porque é que ele não abdica, então? Pois, porque essa é uma das regras não escritas de que depende a continuação da instituição monárquica. Um rei não abdica do trono, como fez Eduardo VII. Porque, ao fazê-lo, ele está a rejeitar a Nação de que é o símbolo. O Rei é o primeiro dos súbditos do povo».

Ó Pátria Mãe - Dia de Portugal

O que é o dia de Portugal? Na televisão uns paineleiros tentavam explicar. Na rua uns entrevistadores tentavam levar-nos a "perceber" com uma série de entrevistas próprias de programas de humor. Uma apresentadora dava-nos com o Eduardo Lourenço a dizer que "éramos" um povo orgânico. Em Faro, no dia 10 de Junho – que se convencionou ser o "Dia de Portugal" sem o famigerado e nojento adjectivo de "República" colado – Portugal explicava-se com a parada militar. Aí. Por breves momentos o povo em casa e na praça não precisou de explicações. Sentiu. O desfile das nossas forças armadas carrega a paralela descrição dos valores pátrios, da abegnação, do altruísmo, eleva e actualiza a nossa memória – a nossa história – e devolve-nos o heroísmo da partida – morte – pela mais nobre das causas: o sacrifício (também esse que hoje tanto nos pedem!). Por isso é bom o povo ver a parada neste dia. Não só pelos rapazes-homens que desfilam mas pela rusticidade e ascese moral que nos incute. Chorei quando ouvi os páraquedistas cantar os cânticos que se entoavam na base de Tancos, quando lá estive em 1986: Ó Pátria Mãe/ Por ti dou a vida/ Há sempre alguém/ Que não te quer perdida.

Por fim o desfile dos veteranos de guerra. Por fim. Ver os veteranos a marchar como se estivessem em serviço pelo país (será que alguma vez deixaram de estar?) foi uma bofetada assente na camarilha complexada (deve ser dos ideais republicanos) que tem votado ao desprezo as vidas dos antigos combatentes em prol da conveniência e censura ideológica. Por mais que os releguem serão sempre Heróis da nossa Pátria.

Cronologia da república - 11 de Junho

  • 1911


O clero Português é proibido de responder ao questionário acerca da aplicação da lei da separação da igreja do estado

  • 1913

Assalto ao teatro do ginásio enquanto realizava-se um espetáculo

  • 1915

Pimenta de Castro e Machado Santos são exilados nos Açores

  • 1918

O governo aprova o regulamento do instituto militar de reeducação dos mutilados da guerra

  • 1923

Greve dos operários têxteis da Covilhã

  • 1925

Greve geral em Setúbal





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quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Minho, agora como sempre


Hoje, 10 de Junho. Entrei na loja e pedi a bandeira. A portuguesa, claro. Respondeu-me tristonho que tivera em tempos uma, lindíssima, toda bordada "a ouro". Pertencera a um senhor de Viatodos que a hasteou no torreão de sua casa, assim a Monarquia foi restaurada. Sim - frisou - porque a Monarquia voltou por umas semanas. Mas depois, com a vitória dos republicanos, esse Senhor foi denunciado e preso. E a criada, com medo que "ele fizesse asneiras", escondeu-lhe a bandeira. Se se dava o caso do patrão perguntar - "Não sei, Sr. Dr., a bandeira há-de estar guardada por aí em algum armário".
O Senhor de Viatodos morreu entretanto, claro. E nomeou sua herdeira a dita criada. A qual, por sua vez, faria oferta da bandeira ao meu interlocutor, o dono da loja. Hoje, dia 10 de Junho. "E depois veio cá um senhor, um amigo, ali de Areias de Vilar, e viu a bandeira. Gostou tanto que logo perguntou quanto queria por ela". Apenas o trabalho de a dobrar e levar...
Tudo leva a crer que a bandeira de Portugal, lindíssima, toda bordada "a ouro" ainda agora permanece no concelho de Barcelos. Hei-de ir a Areias de Vilar prestar-lhe as minhas homenagens. As adequadas aos dias 10 de Junho.

Cronologia da república - 10 de Junho

  • 1913


Rebentamento de bombas em Lisboa

  • 1919

Greve geral no Barreiro em solidariedade com os operários da CUF

Afonso Costa é agraciado com a ordem militar da torre e espada





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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Estado Novo - o início da 1ª legislatura


Ocorreu a 11 de Janeiro de 1935, com a abertura solene da Assembleia Nacional. Usou da palavra o Presidente Gen. Carmona, em cuja mensagem se preocupou em explicar aos portugueses as incumbências dos 90 deputados eleitos.
Historiando um pouco, o Presidente Carmona recordou a instabilidade que até aí caracterizara a República. Não esqueceu os eleogios aos Presidentes Arriaga e Pimenta de Castro e, sobretudo, Sidónio Pais, e ao «heroismo» da sua intervenção «contra a desordem em que se abismava o Estado». As prioridades de Carmona eram claras:
« A estabilidade da Presidência da República, a força do Governo, a segurança interna, a confiança pública, a formação de forte consciência nacional - garantias essenciais da ordem e do trabalho na paz - são conquistas definitivamente asseguradas (...)».
Fonte: Joaquim Veríssimo Serrão, «História de Portugal», vol. XIV (1935-1941), pág. 18.

Livre, mas não muito.

O Prof. Armando Carvalho Homem continua a alimentar, no seu blogue Livre e o Humano, a fornalha de uma fogueira de tendenciosismos. Diz o douto académico que a ditadura de João Franco foi desejada por D. Carlos, que as questões relativas aos adiantamentos foram solucionados em ditadura. Menospreza a figura régia, di-la conivente com a situação de suspensão da democracia. E, no final, questiona: «Era possível decair ainda mais? O futuro iria provar que sim». Com certeza que era possível decair mais. E porque o senhor professor, apesar de ser Livre e Humano, não autoriza comentários aos seus posts (talvez por intolerância, talvez por receio do questionamento das suas considerações), daqui lhe respondo: era possível decair mais e a prova de tal decadência foi a Primeira República, a qual, numa sucessão de golpes de gabinete, de estado e de exército, ultrapassou de longe e em vigor a ditadura de João Franco. De tal forma que muitos republicanos se questionaram sobre a validade de uma república que devorava os seus filhos. Nestas coisas de cuspir para o ar ou atirar pedras aos outros deve certificar-se que não se está por baixo, ou sob telhados de vidro.

Cronologia da república - 9 de Junho

  • 1911


A igreja de São João de Loure em Albergaria-a-Velha é roubada

A igreja de Vila do Eixo em Aveiro é roubada

  • 1913

O monumento a Luís de Camões é demolido em Paris

  • 1919

Greve dos operários marceneiros de Lisboa

  • 1922

Greve geral em Évora

  • 1925

Greve geral em Setúbal

A Liga dos direitos do homem protesta na imprensa, contra as deportações sem julgamento




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terça-feira, 8 de junho de 2010

António Barreto - «Tempo de Mudança»


António Barreto é outro nome que manda a honestidade seja respeitado. Um socialista que fala por si e não quer saber a quem atinge, sempre fiel à verdade pura. Para mim, uma referência intocável. Li, por isso, o seu »Tempo de Mudança» (Relógio d' Água, 1996) com a deferência devida e sem prejuizo das minhas convicções, aliás, nunca posts em causa.
Quando o Autor se refere à - imprescindível - educação cívica, vou lá apanhar:
A partir de 1910 «só encontramos manuais de inspiração republicana, onde, a par do nacionalismo e do colonialismo, é a república o objecto do principal elogio cívico». Os «programas oficiais (...): educar os cidadãos no espírito republicano e defender o "regime vigente".
Sobrevém o "28 de Maio": «com o Estado Novo, a ideologia republicana é banida, apesar, apesar de ser formalmente o regime vigente, passando os eixos ideológicos a serem constituidos pelo nacionalismo, o colonialismo, o cristianismo e o corporativismo».
E depois conclui: «Em nenhum dos mutos manuais que consultei foi possivel encontrar uma visão serena da história de Portugal. Do princípio ao fim, todos os parágrafos traduzem o puro culto do patriotismo e do nacionalismo nas suas formas mais delirantes».
Manifestamente, A. Barreto fala da República. Melhor: da «ideologia republicana». O que nos transporta, fatalmente, para a luta dos sistemas politicos opcionais: a social-democracia, a democracia-cristâ, o socialismo, o marxismo-leninismo, o liberalismo...
Daí a conclusão: o republicanismo pôs-se ao nível de uma eleição restringida ao leque partidário. E a Monarquia, que todos sabemos viver - e conviver - acima - e com todas (quase todas) - essas opções ideológicas? Afinal, porque intentam continuar a mentir aos portugueses?
A escolha nacional é muito simples: um chefe do Estado eleito ou, se quisermos todo, uma chefia nacional hereditária.
Olhem os portugueses por essa Europa fora...

Cronologia da república - 8 de Junho

  • 1919


É fechado o jornal “ Commércio de Chaves”






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segunda-feira, 7 de junho de 2010

CUIDADO COM O QUE SE REVISITA

Se para eles revisitar é mau porque é que estamos a gastar dinheiro para comemorar tudo isto?

* é ver nos comentários do artigo! Lá se volta a falar de monarquia, inevitávelmente. Que bom.

Adesivo: uma vocação com cem anos





Cronologia da república - 7 de Junho

  • 1918


Machado Santos demite-se do cargo de secretário de estado das subsistências

  • 1923

O banco de Portugal, concede um crédito ao governo, no valor de 140 mil contos







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domingo, 6 de junho de 2010

Retrato robot de um presidente


Está na "Pública" de hoje e é da autoria de Daniel Sampaio. Nestas coisas de arte surrealista e da sua interpretação, não há como chamar um psiquiatra. A obra foi intitulada «O que eu quero de um PR». Está bem.
Sampaio, de cinzel, ou de pincel, em riste, começa manifestando a sua preocupação. Porque o próximo PR será «eleito num contexto de crise económica e social». Quanto a isso, é conclusão a não necessitar de psiquiatra ou artista para ser tirarada. Pelo contrário, reconhecer «a descrença nas instituições já hoje tão visivel» sempre me parece de mais honrosa contrição.
E depois, ataca o bloco de mármore ou a tela, não sei. E vai comentando:
Desde logo, a personalidade do candidato. Terá de ser «alguém com firmeza, mas com capacidade de ouvir, que não soletre as palavras e que tenha um discurso forte, dito sem hesitações e em voz clara. de uma pessoa que não receie os meios de comunicação social...» (toma lá Cavaco, vai buscá-la ao fundo da baliza... Estás a levar uma cabazada).
Claro que o candidato ideal não deverá tratar os «temas relevantes à saída de uma inauguração ou no intervalo de um encontro social». Admite-se o «sentido de humor e linguagem simples» q.b., mas, para isso, «é necessário muita leitura e um passado de cultura que permite a linguagem educada que deve caracterizar um PR». Em suma, «a personalidade do próximo PR deve também caracterizar-se pelo estímulo à produção cultural em todos os sectores, tornando Belém um polo aglutinador de vontades culturais...». (eh lá Poeta Alegre, parece que já temos um apoiante, não?)
Depois, o fatal alerta: a imprescindível «lealdade permanente aos valores essenciais...». (Pronto, pronto não é preciso mais. Sampaio também não abdica da Ética republicana. Alegre vate, estás sempre a somar, saiam mais umas trovas do vento que passa).
A rematar, uma palavra de desapreço para os qe «apenas são conhecidos como cidadãos de algum mérito». (Não adianta, Fernando Nobre, volte lá para a AMI, porque nestas sisudas andanças presidenciais precisaria de «ter experiência política, conhecimento da administração e um passado ideológico convincente»).
«UM passado ideológico convicente»! E´inacreditável, mas foi escrito!!!
Evidentemente, só há duas certezas no Mundo, se não houver outras: eu não voto no vate; nem jamais consultarei o Dr. Daniel Sampaio.
Quato ao mais, retenho na memória a secura de boca com que Alegre respondia a Judite de Sousa na entrevista da RTP1 a semana passada (então quando ela puxou a conversa para os temas económicos...). E, indo a notícias mais importantes, leiam por favor a crónica de Vasco Pulido Valente (de hoje, também, no "Público") acerca das aventuras de Sócrates no «mundo da pedinchice».

República: "Um "estado de coisas" em que se matavam cidadãos pelas ruas na maior das impunidades"

Ainda sobre este artigo: (...) Convém começar por dizer que nenhum dos críticos que apareceram neste jornal é especialista da I República e que alguns nem sequer nunca foram historiadores. Pela simples razão de que a mais vaga familiaridade com a ditadura do Partido Democrático de Afonso Costa e de António Maria da Silva e com a guerra civil endémica que o "5 de Outubro" (e não o "28 de Maio" ou Salazar) inaugurou em Portugal lhes mostraria que a I República não precisa que a "diabolizem". Um "estado de coisas" (porque não se pode chamar ao que então existia um verdadeiro regime) em que se matavam cidadãos pelas ruas na maior e mais santa impunidade (incluindo um primeiro-ministro) e em que grupos terroristas muitas vezes mandavam de facto no Governo não se recomenda por si próprio ao mais faccioso campeão da igualdade e do "progresso". Quanto a Salazar, é bom não esquecer o caos de onde saiu e a espécie de Europa em que viveu. A questão puramente nominalista de arrumar ou não o Estado Novo na prateleira do "fascismo" (com que tantas cabeças se consumiram) não leva a nada. Como não leva a nada contabilizar as vítimas (bastava uma) ou fingir que se mede o grau de repressão (dura, branda, dura e depois branda, e por aí fora). O essencial é tratar o Estado Novo como resultado da situação externa e interna portuguesa e não como um epifenómeno do que sucedeu em Itália, na Alemanha e, mais tarde, em Espanha. E isso Rui Ramos conseguiu - com equilíbrio e penetração. Quem não gosta que escreva uma História de Portugal como ele escreveu. Se for capaz.»

Vasco Pulido Valente, Público

Cronologia da república - 6 de Junho

  • 1911


Em moimenta da beira registam-se incidentes, durante um comício de propaganda repúblicana

  • 1912

Greve na Carris que origina incidentes pela cidade de Lisboa

  • 1918

Greve de ferroviários

  • 1920

O coronel António Maria Baptista, presidente do conselho de ministros, morre durante uma sessão do conselho, vítima de uma apoplexia, após ter recebido uma carta insultuosa

  • 1922

Greve geral em Évora

  • 1924

Greve dos operários corticeiros






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sábado, 5 de junho de 2010

As três Repúblicas


Qual terá sido a menos má República? Eis uma pergunta cuja resposta não é fácil. Todas se distinguiram mais pela negativa do que pela positiva. Ainda assim, é de justiça se reconheça a actual III República garante aos cidadãos um muito satisfatório direito à liberdade de expressão. Algo que, sem dúvida, a superioriza em relação às suas antecessoras.
Mas permanecem, a manchá-la, a sua incapacidade para lançar o País nos caminhos da verdaeira modernidade, a corrupção que a mancha de cima a baixo e a desacredita perante os portugueses,
mesmo o facciosismo e a demagogia com que olha para trás, no tempo, e multiplica as mentiras com que pretende lavar a cara.
Todos o sabemos, todos o sentimos: vivemos dias muito dificeis, o futuro é incerto. Os 10 milhões de euros para a comemoração do centenário republicano é pão, toneladas de pão deitadas à arena do Coliseu romano.
Falta-nos um algo que é uma imensidão: a consciência de um Destino comum.
Vivemos de ilusões. Já em 1968 Marcello Caetano se iludia pensando ter o País consigo. Pois se até às Forças Armadas tinham assegurado ao Presidente da República plena liberdade de escolha do sucessor de Salazar, desde que fosse civil e não intentsse afrouxar a politica de defesa da integridade do Ultramar!
Alguns anos volvidos, eram essas mesmas Forças Armadas que punham cobro à II República. Aparentemente zangadas pela equiparação (remuneratória, sobretudo) dos oficiais milicianos aos do quadro permanente...
O que equivalerá a dizer que foi a partir de uma questão salarial que se concluiu pela inoportunidade da guerra colonial; pela pertinência da Revolução, do Conselho da Revolução, da descolonização, das nacionalizações...; e, felizmente, pela necessidade do 25 de Novembro também.

Cronologia da república - 5 de Junho

  • 1915


A lei nº106 e 107 concede amnistia para os crimes políticos, cometidos até 20 de Maio de 1915

  • 1925

Greve de protestos contra as deportações






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sexta-feira, 4 de junho de 2010

RTP começa produção de quatro mini-séries sobre centenário da República


Ao menos foram sinceros!!!... são quatro mini-séries de ficção!

Monarquia e república em debate


Aqui encontra-se o meu testemunho duma manhã na Escola EB 2-3 João Villaret no Infantado. Loures a debater a republica e a monarquia com cerca de sessenta miúdos entre os dez e os doze anos: prevaleceu a esperança!

Oliveira Martins - socialista, ministro progressista.


A leitura de «Vidas» de Maria Filomena Mónica acelerou hoje o Alfa. O capítulo sobre os "Vencidos da Vida" pareceu-me especialmente pertinente, nesta época de sinistro aldrabar da História. Oliveira Martins, republicano, socialista (laico?), diz-se por aí.
Ora em boa verdade, O.M. aderiu ao Partido Progressista em 1884. Integrara o movimento «Vida Nova», no fundo uma manifestação pró controle do excessivo protagonismo político dos partidos. É ele a alma dos «Vencidos da Vida», grupo jantante que, aliás, baptizou e do qual faziam parte 11 membros.
Foi administrador a Companhia de Caminhos de Ferro do Porto à Póvoa, ganhou fama comos seus Portugal Contemporâneo e História de Portugal, candidatou-se ao Parlamento pelo Partido Socialista, sem exito, e só pelo Partido Progressista seria eleito deputado pelo círculo de Viana do Castelo.
Dos Vencidos esperou, fundamentalmente, um apoio que o conduzisse a uma pasta ministerial. Obtetê-la-ia num governo progressista chefiado por José Dias Ferreira. Foi Ministro das Finanças, fugidiamente e frustrantemente. À data da sua morte, cria nas vantagens do dito «fortalecimento do poder real». Muito teria O. M. dado ao País, não fora o seu precoce desparecimento.
Em suma, de Oliveira Martins proudhoniano, ninguém duvidará. Um social-democrata, diriamos hoje. O O. M. jacobino ou «de punho erguido» só mesmo na imaginação dos refazedores da História, que nos compete, neste ano de sufrágio por Portugal, denunciar.

Cronologia da república - 4 de Junho

  • 1912


Tumultos em Timor

Tumultos no parlamento

Demissão colectiva do ministério

  • 1920

Atentado contra Pedro de Matos: Juiz do tribunal especial de delitos sociais

  • 1924

Tentativa revolucionária contra o governo






Fontes: aqui

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Boas práticas


Amanhã de manhã estarei com o Nuno Pombo a debater a implantação da república na Escola 2-3 João Villaret no Infantado, Loures.

OS CRITÉRIOS DO FACCIOSISMO

ou o facciosismo do "jornalismo"! Vale a pena ler isto.


Eleições presidenciais na 2ª República: resultados.


Nos meados dos Anos 50, o Presidente Marechal Francisco Craveiro Lopes é um assumido admirador de Marcelo Caetano. A partir de 1957, é mesmo voz corrente que está nos seus planos levá-lo à chefia do Governo, substituindo Salazar. este, naturalmente, não apoia a sua reeleição, mas o Exército divide-se e o mal-estar é inocultável.
Neste cenário surge a figura do General Humberto Delgado. Afirmando que Salazar «está fora de moda» e decidido a confrontá-lo. Por isso anuncia a sua candidatura à Presidência da República, encontrando pela frente o candidato da «Situação» - o Almirante Américo Thomaz.
Em Maio de 1958, numa conferência de imprensa em Lisboa, Delgado declara que se for eleito demitirá Salazar - «obviamente, demito-o». Num ápice, a Oposição à esquerda, que até aí o intitulara «general fascista», adopta-o, cola-se-lhe, transforma-o no herói que hoje povoa a toponímia nacional.
Na verdade, Humberto Delgado vem a realizar um campanha eleitoral ímpar de participação popular. Perdeu, é certo, mas com resultados animadores para quem contestava a »Situação»: em 9 de Junho de 1958, votaram 999.872 eleitores (70,7% dos recenseados), dos quais, segundo as contas do Governo, 750.733 (75,1%) em Américo Thomaz e 234.026 (23,4%) em Humberto Delgado.
Nota: ouvi ontem a entrevista na RTP1 do Alegre candidato. Espero não continuar a ser insultado por S. Ex.cia insistindo em que 48 anos de República não foram república. Quanto ao mais, bem pode ganhar as eleições - S. Ex.cia é o retrato fiel deste Regime que quer Camões de mão dada com o cobrador de impostos.
Fonte: «História de Portugal», coordenada por Rui Ramos, pág. 676.

Cronologia da república - 3 de Junho

  • 1911


Execução do regulamento provisório da GNR

  • 1918

Desordem na greve dos ferroviários

Escândalo envolvendo um ex secretário das finanças, numa transição de 33.000 acções da CP

  • 1920

O governo concede à cooperativa do funcionalismo público as mesmas regalias concedidas à cooperativa militar

  • 1921

Declara-se em greve o pessoal dos eléctricos de Lisboa

  • 1924

A câmara sindical do trabalho de Lisboa proclama a greve geral de 48 horas, contra as deportações

Inicio da 1ª Festa da Raça

  • 1925

Tentativa de greve geral, em protesto pelas deportações, sem julgamento, de presos políticos






Fontes: aqui

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Eleições presidenciais na 2ª República


Em 1947, o País vive momentos de expectativa com as PRESIDENCIAIS. Porque «só relutantemente se vai para a recandidatura do velho marechal Carmona (...) já sem vigor fisico para razer uma campanha eleitoral que promete ser movimentada, face ao último assomo das hostes oposicionistas, que apresentam o general Norton de Matos ao sufrágio.
Mas não surgiria alternativa aceitável perante a recusa de Salazar em se candidatar, a despeito da pressão conservadora e dos reformistas (...).
A União Nacional faz uma campanha agressiva através de comícios e da imprensa (...): explora a fundo o carácter subversivo e "antinacional" da participação dos comunistas na candidatura de Norton de Matos, o perfil maçónico do candidato e o cariz anti-clerical e alegadamente anticatólico dos seus apoiantes (...). mostra capacidade de mobilização e resposta face às grandes concentrações de massa que a candidatura de Norton de Matos consegue levar a cabo, especialmente nos arredores do Porto.»
(vd. «História de Portugal», direcção de José Mattoso, vol. 7º, pág. 407)

Cronologia da república - 2 de Junho

  • 1914


Tiroteio em Coimbra, entre estudantes e a polícia

  • 1920

O governo manda que encerre-se à meia-noite os clubes, casinos, grémios, associações e casas de recreio e espetáculo




Fontes: aqui

terça-feira, 1 de junho de 2010

Nem para as eleições presidenciais nos livramos dos partidos!! E porquê?

...porque os candidatos "independentes" (deixa-me rir!) a serem presidentes da "nação" precisam do dinheiro e subvenções do "estado-contribuinte" para pagar as campanhas eleitorais e os interesses partilhados da camaradagem. Os candidatos tratam o país como se fosse um "leasing"... cuja factura vem sempre em nome da sociedade anónima...
Dividam, dividam. O povo está cego, não coloca nada em causa, não reflecte sobre o regime, não posiciona outras soluções como se não fosse possível fazer uma inversão desta marcha comprometida, se calhar, porque já perdeu a esperança. Parece-me que está tudo a marimbar-se, de fraldas.

Juan Carlos de Espanha, visto por Maria Filomena Mónica


É sempre agradável a leitura de Maria Filomena Mónica, concorde-se ou não com os seus pontos de vista. A sua atenção e a sua imaginação suscitam permanentemente apreciações curiosas, e a sua independência permite a certeza de que acredita no que escreve. No seu recente «Vidas» (ed. Aletheia), conta-nos que viu o Rei de Espanha, pela primeira vez, em Cascais, em 1956. Achou-o «feio, estúpido e antipático». E seguiu en frente, até porque a sua família «nunca discutira a questão de regime, de forma que nem sequer sabia se, lá em casa, éramos monárquicos ou republicanos».

Não passou em claro o percurso de Juan Carlos pelas academias militares espanholas, nem a tensão existente entre o futuro Rei e o seu Pai, o Conde de Barcelona, mais «liberal».

Depois da morte de Franco, as Cortes proclamara Rei o já então «herdeiro da Coroa». Logo em 1981 foi a invasão da Câmara dos Deputados pelo Ten.-Coronel Tejero de Molina ("Al suelo, al suelo" e a adesão que lhe manifestou o Gen. Milan del Bosh.

«De madrugada, envergando o uniforme de capitão-general dos Exércitos, o Rei apareceu na televisão, apelando a que os insurrectos se rendessem, o que viria a acontecer». E conclui: «A forma como a Espanha passou de uma ditadura, nascida de uma guerra civil, para a democracia é um milagre. Em grande medida isso deve-se à actuação de um rei corajoso».

Há muito que ler, nestas memórias escritas de modo despretensioso, só para entreter. Desde logo, esta referência à passagem da ditadura para a democracia. Como às vezes nos esquecemos, coroada.

Vamos falar de República

Num artigo interessante publicado no Público vários historiadores comentam a recente história de Portugal de Rui Ramos, criticando os "pontos de vista" deste historiador. O título do artigo diz tudo sobre as intenções. Estamos a falar da II República, aquela que não é assumida como tal pelos tais historiadores que recusam e refutam as histórias mal interpretadas. Esses mesmos historiadores (é ler o artigo...) que recusam, sequer, ouvir que Salazar não era um fascista repressivo, não entendem porque é que existem pessoas que insistem em considerar a República um estado terrorista e repressivo desde a sua implantação! Para eles a ditadura e a repressão só começou de 1931 até 1974!! Diz a historiadora Irene Pimentel: "É evidente que a República foi violenta. E que a seguir a sociedade é domesticada. Mas o PCP era sujeito a repressão. A PIDE percebe, a partir de certa altura, que é preciso prender o PCP, os funcionários e alguns apoiantes. É preventivo."... O artigo fecha com uma opinião de Rui Ramos: "Convivemos mal com a pluralidade, achamos sempre: "A verdade é minha." Vai mais longe: "A originalidade é mal vista. Por vezes, as teses têm dados num sentido, mas as introduções e as conclusões dizem o contrário porque os alunos querem repetir o pensamento dos orientadores. Há uma sujeição à hierarquia e os departamentos são marcados por correntes. A História é a preto e branco, ou genial ou porcaria, ou esquerda ou direita", sendo certo que, por vezes, nem é a questão ideológica que move os historiadores. É a "vassalagem" ao pensamento dominante. ...
Como leitor e estudioso não gosto de me sentir parvo, e não aceito – mas percebo – porque é que ao longo de milhares de caracteres nenhum historiador entrevistado (de "esquerda") tenha assumido a repressão do regime de 1910 até 1974....!! É isso que está em causa. Neste blogge. Na nossa história. Nas comemorações do Centenário da Repressão Republicana.

Cronologia da república - 1 de Junho

  • 1911


Greve dos rurais de Évora

  • 1914

É fechado o jornal madeirense A Esperança

  • 1919

O grão-mestre da maçonaria recebe a ordem da torre e espada

  • 1921

O governo dissolve as câmaras legislativas






Fontes: aqui