segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Centenário na imprensa I

17 comentários:

Anónimo disse...

O que me deixa verdadeiramente espantado ao ver a apresentação de uma plataforma como esta é o tom. Curiosa imparcialidade esta, que se urge a fazer história com o máximo de adjectivação possível. Discutir os atropelos que a república fez à democracia (e que duraram muito mais do que os 16 anos da primeira republica, prolongando-se depois por 48 anos de um regime onde muitos se encontravam, pelo menos por afinidade, ligados à monarquia), é tão absurso como discutir os mesmos atropelos que dentro dos longos séculos de monarquia se deram. Depois de ver a notícia do Público, em que um dos responsáveis desejava ter consigo um comunista, e após ter espreitado o site, só tenho mesmo vontade de rir. Enfim, é uma pena que discussões que fazem sentido, sejam feitas nestes termos em que de um lado estão bons, do outro estão maus... Triste é também que a resposta de uns seja tão ou mais maniqueísta do que os festejos de outros...

JSM disse...

O anónimo não acha importante restabelecer a verdade histórica?
Acha que a reconciliação nacional, base para qualquer projecto comum, se pode basear na propaganda! Que ainda hoje persiste por toda a parte inclusivé nos manuais escolares! Não percebe a gravidade da situação? Um exemplo de propaganda nefasta para qualquer um mas especialmente para os jovens: se reparar na toponímia de todas as cidades e vilas portuguesas os 'heróis da pátria' parecem ser - Cândido dos Reis, Elias Garcia, Miguel Bombarda, etc... - pessoas com mérito por certo, mas que não são concerteza os 'nossos maiores'. Trata-se de um embuste e uma manobra de propaganda imbecilizante na tentativa de desprestigiar (ou fazer esquecer) o passado vivido em monarquia. Diga-se a propósito que a monarquia fez muito poucas estátuas (nesse tempo acreditava-se na perenidade da Pátria) e que me lembre foi preciso um terramoto para erigirem uma estátua a um rei. Neste sentido toda a propaganda (sempre falseadora da verdade) apenas promove a desmobilização e a desconfiança nacionais. Estou a falar do presente, não sou saudosista, quero apenas um futuro melhor para a comunidade em que vivo e me reconheço - comunidade assente na história, não nas mentiras e fantasias do regime. Naturalmente que esta visão das coisas não faz qualquer sentido para quem está contente com o presente que tem e com o futuro que se adivinha.
Saudações monárquicas.

Ricardo Ferreira disse...

Só umas questões?

Se houvesse Monarquia quem seria o rei???

Eu poderia escolher o rei???

Poderia depois, se não estivesse contente com o reinado dele po-lo para fora do trono?

Iriam existir à nascença miudos predestinados a reinarem???

Porquê que quando falam em República, só falam da 1ª... é que o estado novo também foi uma república?? Ou não foi?

JSM disse...

Começo pela última questão: o enfoque é sobre a primeira república porque foi ela que estabeleceu a ruptura com o passado histórico de Portugal em nome de umas quantas falsidades que de tanto repetidas passam hoje por verdades, mas não são. De facto uma análise isenta comprova que o regime imposto pela força em 1910 (e nunca até hoje plebiscitado) era menos democrático que a monarquia constitucional,limitando a liberdade de imprensa, discriminando os portugueses através da redução do corpo eleitoral, para além de perseguir e matar quem se lhe opôs, inclusivé republicanos descontentes com o rumo dos acontecimentos - sirva de exemplo o assassinato do herói da Rotunda!
Sem nos esquecermos do desígnio proclamado por Afonso Costa de eliminar a Igreja Católica em duas gerações.
Quanto à segunda república, a ditadura do Estado Novo, já foi suficientemente dissecada por esta terceira república e por isso não nos parece útil insistir no tema até porque não acreditamos que seja esta o alvo dos festejos do centenário.
Sobre as restantes questões que preocupam o Sr. Ricardo Ferreira convém esclarecer que o Rei é sempre confirmado pela Assembleia e pode em determinadas circunstâncias ser deposto por ela.
Finalmente a questão dos sucessíveis pré-determinados - claro que existem, mas é essa a diferença e a força da monarquia, uma solução política aparentemente menos democrática (se olharmos apenas para o nosso umbigo geracional) mas a garantia de uma representação da história de um povo desde o berço até ao presente. Um árbitro acima da concorrência e das facções que garanta que não nos enganamos no caminho.
Saudações monárquicas.

quink644 disse...

Viva, talvez fosse boa ideia a leitura de um post que coloquei no meu blogue e que, dada a sua extensão, não posso colocar aqui.
Fica o link:
http://porquemedizem.blogspot.com/2008/09/sobre-questo-da-fundamentao-da.html#links

Ricardo Ferreira disse...

Repito as questões que não me foram respondidas...

Eu posso escolher o rei???

Neste momento se existisse uma monarquia, quem seria o rei???

Eu poderei algum dia vir a ser rei???

O que é necessário para ser rei?

JSM disse...

As respostas já foram dadas mas não entendidas porque o entendimento supõe uma ponte no diálogo, ponte essa que deve assentar na boa fé das perguntas e das respostas. Por isso não me esquivo a responder outra vez. Há sempre alguém que aproveita alguma coisa. Por isso até lhe agradeço a insistência. Sendo assim:

1. Pode escolher o rei tal como todos os portugueses o fizeram durante quase oito séculos constituindo assim a maioria histórica em que assentou o regime monárquico. O que quero dizer é que o Sr. Ricardo e eu próprio fazemos parte desse imenso colégio eleitoral onde a vontade dos que nos precederam também conta e também deve ser respeitada. E há-de perguntar - mas então nunca podemos mudar de regime?! Em países normais claro que é possível mudar de regime e a título de exemplo a Grécia mudou da monarquia para a república nos nossos dias. O que o Sr. Ricardo Ferreira não pode neste momento é mudar de regime em Portugal, isto porque a constituição da república não o permite ao considerar a 'forma republicana de governo' como um 'dogma de fé'. Passando assim um atestado de menoridade aos eleitores contemporâneos. Concluindo e como já deve ter percebido nestas condições será muito difícil ao Sr. Ricardo ou a qualquer português escolher o rei.

2.E quem seria o rei se existisse uma monarquia, pergunta - pois seria naturalmente aquele que a representação nacional confirmasse como legítimo herdeiro do trono. Penso que o Duque de Bragança é consensual nestes termos e reune as qualidades necessárias e suficientes para tal.

3. Se pode ser rei! Bem, Portugal já teve quatro dinastias muito embora todas elas pudessem reclamar a descendência do Fundador. Mas é sempre possível iniciar uma dinastia desde que se respeitem as regras do jogo. E a primeira regra do jogo é aquela que distingue a monarquia de um qualquer cesarismo - o filho do rei deve suceder ao rei para garantir a sua independência e por consequência a liberdade nacional. No nosso caso a Lusitana Antiga Liberdade.
Saudações monárquicas.

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Caro Ricardo Ferreira

Espanha
Suécia
Noruega
Dinamarca
Luxemburgo
Inglaterra
Holanda

parecem-lhe Países não democráticos? Olhe que são Monarquias Contitucionais e Hereditárias. Sabia o meu Caro Ricardo que no seu Partido existem inumeros Monarquicos? Sabia o Ricardo que quem fez a apresentação do livro Dom Duarte e a Democracia foi o seu camarada de partido Dr Manuel Alegre?

Ricardo acredite que sou democrata e sou Monarquico e uma coisa não impede a outra, bem pelo contrario, a actual Constituição é que impede que mudemos de regime.

O Ricardo parece-me ser um democrata, pelo que ao ler este blogue e o site verificará que a 1ª Republica não foi propriamente um modelo de democracia, e é isso e apenas isso que queremos mostrar aos Portugueses, para mostrar que não existem assim tantos motivos para celebrações.

Um abraço

Zé Tomaz

Amândio Felício disse...

Caro JSM,

O que coloco em causa são os termos da discussão. A comparação entre cerca de oito séculos de monarquia e os últimos 90 anos, colocada numa discussão simples sobre o que é melhor ou pior, torna-se inútil. Seria de espantar que nos quase 800 anos de Monarquia não houvesse atropelos à "democracia" - afinal esta nos seus termos modernos nem sequer havia sido criada - do que a República. Também não é de espantar que num movimento Revolucionário se cometam excessos, principalmente quando se trata de um período ainda marcado por forte instabilidade e ligado à consolidação de um regime. Aliás, o século XIX português, à época da passagem do regime absolutista ao liberal, é bem o exemplo do que digo. Como vê, sou capaz de observar a forma como os fenómenos históricos se dão, e não tenho dificuldades em admitir os atropelos à "democracia" verificados durante a I República. O que eu gostava era que este tipo de questões fosse debatido serenamente, sem que as opiniões fossem dadas de uma forma tão maniqueísta e qualificativa. Se estudou história, e se tem formação académica na área das ciências sociais, sabe que o discurso científico deve, para seu próprio bem, eliminar determinado tipo de termos do seu léxico: palavras como "embuste", ao invés de contribuírem para uma clarificação, remetem para uma negação obscurantista - e aqui peço desculpa por estar eu a adjectivar, não o facto histórico, mas o discurso que teceu sobre a História - e para uma recusa do debate. É uma pena. É verdade que sou um republicano convicto. Não um "I Republicano", mas alguém que acredita nos valores da República, enquanto regime. Ora se a comparação é entre Monarquia enquanto regime, e República, naquilo que foram os seus primeiros 16 anos em Portugal, então meu amigo, facilmente conseguiremos encontrar períodos na história, de diversas monarquias e repúblicas, em que atropelos tão ou mais graves se deram também.
Saudações Republicanas (perdoe a provocação)

Ricardo Ferreira disse...

Eu não me lembro de alguma vez se ter escolhido o rei... é que na resposta número 2, como é que sabe que os Portugueses iriam escolher o Duque de Bragança para rei???

Eu pessoalmente sentia-me envergonhado se o duque de bragança fosse nosso rei e representante do País.


Já agora... que regras é que eu devo obedecer para ser rei??? Critérios de sangue??

As monarquias Europeias são democracias sim... e ainda bem. Mas o papel do rei é meramente decorativo. Os discursos que eles proprios lêm, não são escritos por eles.

JSM disse...

Caro Amândio Felício
Aceito os seus reparos e espero que a plataforma de que faço parte mantenha o debate dentro dos parâmetros que refere. Interessa restabelecer alguma verdade histórica sem a qual, repito, será difícil não apenas reconhecer o presente como mobilizar os portugueses para um futuro melhor.
E retiro o 'embuste' que quis apenas chamar a atenção para os aspectos deseducativos que o regime, passados quase cem anos, ainda persiste em manter.
Saudações.

quink644 disse...

Alguém chegou a ler o post que sugeri?

JSM disse...

Sr. Ricardo Ferreira, a ver se nos entendemos: a diferença essencial entre os dois regimes, republicano e monárquico, não oferece dúvidas a ninguém. Na república o chefe de estado é eleito pelos contemporâneos enquanto que em monarquia é eleito pela história através da sucessão hereditária. Não vale a pena portanto insistir neste tema, são regimes concorrenciais, naturalmente imperfeitos, mas ambos têm bons argumentos para se defenderem. E como o ser humano ainda não descobriu outro regime alternativo, as várias comunidades políticas existentes sobre a terra, ou optam pela monarquia ou pela república. E tem sido assim através dos tempos.
Mas o Sr. Ricardo Ferreira tinha levantado outra questão, ou terei sido eu que não percebi! Quando se refere à escolha do rei naturalmente que só pode estar a referir-se àquelas situações limite em que existiu uma ruptura ou interregno na sucessão normal hereditária. E nesses casos o rei foi de facto escolhido (eleição é outra coisa) entre os pretendentes que se julgavam com os mesmos direitos. Ver sobre o assunto em Portugal, por exemplo, a escolha de Filipe II nas Cortes de Almeirim, com o procurador de Lisboa (Febo Moniz) a votar vencido; ou em época mais recuada a argumentação de João das Regras que convenceu os representantes dos ofícios em favor do Mestre de Aviz.
Penso que o assunto ficou esclarecido.
Ainda antes de terminar duas notas sobre o teor do seu último comentário:
E primeiro lugar para lhe dizer que um dos grandes argumentos a favor da monarquia e que os republicanos não contestam é precisamente a maior capacidade arbitral do rei. Porquê?! Porque não é eleito por nenhuma das facções que disputam a política, e tem por isso as mãos livres para intervir quando necessário. Mas atenção, estamos a falar de um árbitro que arbitra e não daqueles árbitros que também gostam de dar o seu pontapé na bola! Passe a analogia. Mas é o que acontece frequentemente com os presidentes da república.
A segunda nota diz respeito ao comentário desagradável que proferiu sobre o Duque de Bragança. Desagradável sob todos os aspectos e além do mais fora do contexto, desnecessário portanto. Eu não me lembraria de opinar (em público) sobre se tenho ou não vergonha de algum dos muitos presidentes da república que já tivemos ou que venhamos a ter.

Anónimo disse...

Exmo. Sr. Ricardo Ferreira (não sei se é Dr. ou mesmo Doutor)
Alguma vez lhe passou pela cabeça que o compinxa sócrates ou o "nosso" presidente escrevem os seus próprios discursos?
Há que talvez ler um pouco, pois as pessoas que os escrevem até são bem referenciadas e identificadas!!
cump SO

Rui Monteiro disse...

Já que falaram tanto em chefes de estados eleitos vamos ver se nos entendemos se é verdadeiramente democrática uma republica :)

Todos podemos ser presidentes na teoria, experimentem não ter : passado político, militância política, uma boa reforma para ajudar a suporta os custos de campanha e lobby's económicos a financiar ... não têm a mínima hipótese. O chefe de estado por esse sistema é eleito por quem o quer lá, os lobby's de influência e não os cidadãos.

Pior é a união em torno do chefe de estado, de 1910 a 1974 ele era eleito pelos deputados e não pelos cidadãos.

Mas agora é eleito pelos cidadão, vendo o ultimo caso :
- 45% de abstenção
- 51% de 55% de votantes votaram em Cavaco
- 28% do total da população apoiou Cavaco
Como poderá haver união neste regime quando 70% dos cidadão é contra o Chefe de Estado ? Uma nau sem comandante.
E pior esta nau já parece o motim do Bounty !!!

Ricardo Ferreira disse...

O comentário pode ser desagradável ou não... mas eu não me identificaria com o Duque de Bragança sendo ele chefe de estado. Que o rei seja um arbitro mais isento que um Presidente, isso também concordo. Note-se a actuação actual do nosso PR. Mas nas monarquias actuais, por exemplo em Espanha que o rei teve um papel preponderante para o regresso da Democracia, os reis são mais bibelots de regime, que enchem as páginas das revistas cor de rosa.

O Duque de Bragança, poderia ser nosso Rei sim. E depois já saberiamos antecipadamente quem seria o seu sucessor, apenas porque, como disse, que a História o elegeu por hereditariedade. Não é a História, é a NAtureza.

Quanto a títulos de Dr. ou Doutor eu dispenso os dois. Não gosto de títulos, nem era capaz de me ajoelhar perante ninguém.

estreia_a_virgem disse...

Que bonito seria o Pio a ler os discursos escritos pelo Bloco, PC, PS, PPD e pelo PP naquele seu gaguejar.

Imagino que já viram o discurso da rainha lá nos reinos unidos.

Faz parte da tradição (palavra tão amada por estes ares) haver vaias e pateada geral antes da Isabel entrar, de modo a que se veja que a câmara apenas a tolera.