terça-feira, 23 de setembro de 2008

D. Manuel II, um rei «atento e preocupado»


D. Manuel II foi um monarca «atento, preocupado, cauteloso, mas não um tonto, piedoso e orientado pela mãe», como acusavam os republicanos, sustenta a historiadora Maria Cândida Proença, autora de uma biografia do último Rei de Portugal.

«D. Manuel II era um moderador, cauteloso sem dúvida, e profundamente preso ao juramento que fizeram à Carta Constitucional, a 06 de Maio de 1908, quando assumiu a coroa», disse a investigadora Maria Cândida Proença à agência Lusa.

A historiadora afirmou que o monarca «não era o tonto que a propaganda republicana pretendeu fazer dele», e lamentou o facto «da sua personalidade e acção serem pouco conhecidas dos portugueses que fazem dele uma outra ideia». A sua curta acção política como soberano, de 1908 a 1910, «demonstra preocupação com o país».

«Estudava as pastas até altas horas da noite, e era atento à situação política, pois tentou travar o avanço republicano, ao fazer uma aliança com os socialistas, procurando cativar para a Coroa as massas populares e o operariado».

Para esta biografia que levou cerca de seis meses a concretizar, a historiadora utilizou dois fundos documentais inéditos, o espólio de D. Manuel II e o que se encontra depositado na Associação Cultural da Casa de Sabugosa e S. Lourenço.

«Estes documentos dão, por exemplo, novas pistas relativamente ao Pacto de Dover que estabelece a pretensão ao trono [assinado em 1912 pelos dois ramos da família de Bragança]».

Relativamente a esta biografia, agora editada pela Temas & Debates, Maria Cândida Proença afirmou que procura «ser esclarecedora relativamente à ideia feita do monarca pela propaganda republicana, traz novos dados da sua atitude política durante o exílio em Inglaterra, e a sua acção na Cruz Vermelha Internacional».

«D. Manuel tinha um grande amor a tudo o que era português e teve sempre em primeiro plano os interesses patrióticos e dos portugueses, e não os seus», acrescentou.

D. Manuel II assumiu a trono aos 18 anos, após o assassinato do pai, o Rei D. Carlos, e o seu irmão mais velho, D. Luís Filipe, a 01 de Fevereiro de 1908, interrompendo a sua carreira naval à qual estava predestinado.

A 04 de Setembro de 1913 casa em Singmaringen (Alemanha) com a princesa Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen, sua segunda prima, pois ambos eram bisnetos da Rainha D. Maria II e do príncipe consorte D. Fernando. O Rei morreu a 02 de Julho de 1932 em Twickenham (Inglaterra) não deixando descendentes, assumindo a pretensão ao trono, de acordo com o Pacto de Dover, D. Duarte Nuno de Bragança, neto de D. Miguel I.

Fonte : Portugal Diário

1 comentário:

space_aye disse...

"D. Manuel II foi um monarca «atento, preocupado, cauteloso, mas não um tonto, piedoso e orientado pela mãe», como acusavam os republicanos"
Pois não, por isso é que queria convidar o partido socialista para o governo mas acabaou por não o fzer porque D. Amélia sua mãe era contra a ideia.

Já estou a imaginar o diálogo que deve ter sido:

D. Manuel - Mãezinha, estou a pensar convidar o partido socialista para o governo. Talvez dando a vez a outros partidos, mesmo que não tenham a monarquia como seu ideal possamos dar ao povo o que ele quer.

D. Amélia - Ó Manuelzinho, deixa-te de disparates! Se o povo tem fome e se revolta da-lhe brioches!!!

D. Manuel - Sim mamã.