quarta-feira, 31 de março de 2010

Como se fabricou um mártir da república


A posição eminente do psiquiatra Miguel Bombarda no martirológio republicano pode avaliar-se contando o número de placas toponímicas dedicadas a ele por todos os cantos do país. Tal como os arqueólogos deduziram, pelo abundante número de lápides a ele consagradas, que o deus Endovélico era uma das maiores figuras da religião dos lusitanos, também o investigador desse mundo obscuro que é o republicanismo português, avaliará a suma importância deste grande mártir republicano, se viajar de Norte a Sul de Portugal ou de Leste a Oeste, embrenhando-se no interior do país profundo ou deixando-se ficar pela frescura do litoral. Por toda a parte encontrará o nome do ilustre psiquiatra oferecido à veneração pública, nesses autênticos altares do laicismo republicano que são as placas toponímicas. Nas cidades e vilas da república portuguesa não faltam as avenidas, ruas, travessas, praças e pracetas, os largos e os becos com o nome de Miguel Bombarda. Qualquer estrangeiro que viaje pelo país dando atenção às ruas por onde passa, convencer-se-á de que este nome é o de uma das maiores personagens da nossa história. Leia na integra aqui »»»»

6 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

Por acaso, nasci no Hospital Miguel Bombarda, em Lourenço Marques. Hoje lá terá outro nome.
E adivinhem quem assistiu ao parto? O Dr. Pais, filho do Sidónio...

João Távora disse...

Essa é boa. Neste caso o prejuízo da mudança de nome é pouco. Qualquer Sambalelé lhe faz bem as vezes.

Ega disse...

Se Bombarda e o Alm. Reis têm, em Lisboa, direito a umas avenidas daquele tamanho, qual a dimensão que, para a República, não mereceriam os topónimos Machado dos Santos ou Carlos da Maia?

A República não faz avenidas monumentais com estes nomes dos seus pais - porque é parricida. Matou-os em 19 de Outubro de 1921. E não castigou os autores materiais do crime.

Jerónimo Eleutério disse...

Pena que o homem de ciência tenha ficado esquecido. Miguel Bombarda é juntamente com Júlio de Matos o fundador da psiquiatria portuguesa moderna. Por esse facto é merecedor do nosso crédito e respeito.

O artigo é interessante pelo desenterrar de inventonas passadas. Sempre tinha lido que Bombarda foi morto por um dos seus doentes (esquizofrénico) pelo que o aproveitamento politico da sua morte parece ter sido efectivamente coisa do passado (ainda bem).

A história passada faz parte do nosso património. Seria agora tão estúpido mudar o nome às ruas Miguel Bombarda, como foi no passado mudar o nome da avenida D. Carlos I (entre outras). Um erro a não repetir.

João Afonso Machado disse...

Sr. Jerónimo Eleutério:
Não sendo eu o «postador», sempre lhe digo que não se discute os méritos ciêntificos de M. Bombarda.

Mas não é por aí; senão Júlio de Matos ou Magalhães Lemos eram mtopónimos igualmente de amplas artérias.
Por isso, de acordo consigo, quando sustenta a desnecessidade de mudar o nome das ruas, independentemente das circunstâncias políticas.

O que está em causa é o icone político que nunca existiu: o cientista Bombarda que, por acaso (e no seu pleno direito) era republicano. O que está em causa é o acentuar da sua opção política que, por motivos de oportunidade e iniciativa do regime vigente, faz esquecer o homem de Ciência em favor do seu credo político, em que sobressaiu muito menos.

João Afonso Machado disse...

Sr. Jerónimo Eleutério:
Não sendo eu o «postador», sempre lhe digo que não se discute os méritos ciêntificos de M. Bombarda.

Mas não é por aí; senão Júlio de Matos ou Magalhães Lemos eram mtopónimos igualmente de amplas artérias.
Por isso, de acordo consigo, quando sustenta a desnecessidade de mudar o nome das ruas, independentemente das circunstâncias políticas.

O que está em causa é o icone político que nunca existiu: o cientista Bombarda que, por acaso (e no seu pleno direito) era republicano. O que está em causa é o acentuar da sua opção política que, por motivos de oportunidade e iniciativa do regime vigente, faz esquecer o homem de Ciência em favor do seu credo político, em que sobressaiu muito menos.