quinta-feira, 25 de março de 2010

II REPÚBLICA. O PRESIDENTE ACORDOU.

[Marcelo Caetano] tencionava sair de Lisboa durante as férias de Carnaval. Aproveitando essa "ausência", os senhores generais deviam ir "expor" a Tomás as "suas ideias e os sentimentos das Forças Armadas" e "reivindicar para estas o poder". Caso Tomás concordasse, ele não levantaria qualquer obstáculo.
(...)
Sabendo que Tomás nunca o removeria a favor de Spínola, e menos de Costa Gomes, deixava aos generais uma única alterativa: ou a obediência ou o golpe de Estado.
(...).
Passaram os cinco dias sem golpe de Estado, Marcello voltou de férias e foi logo a Belém pedir ele próprio a demissão, sem dúvida para se proteger contra eventuais intrigas dos notáveis integracionistas e conservadores que rodeavam o Presidente. Apanhado de surpresa, Tomás recusou a demissão».

(vd. Vasco Pulido Valente - «Marcello Caetano - As Desventuras da Razão, ed. Gótica, Lda, pág. 133.

16 comentários:

Anónimo disse...

Afinal sempre houve 2ª República.
O malandro do Soares anda a enganar toda a gente

M. Figueira

Filipa V. Jardim disse...

M. Figueira,
E não foi assim tão curta como isso...
Aesar de eu fazer parte da "geração uma gaivota voava voava" e ter passado das linhas férreas de Angola (fiquei sensivelmente a meio) directamente para o MFA, nos manuais gonçalvistas.

Pedro de Souza-Cardoso disse...

Curioso comemorar-se cem anos da republica e excluirem cerca de 46 anos desse centenario... Será que acreditamos nos republicanos e a 2ª republica nunca existiu? entao como se pode celebrar um centenario? Parce-me que os nossos amigos republicanos estão um pouco confusos...

João Afonso Machado disse...

Caro Pedro Sousa Cardoso:
hà tempos atrás fiz esse mesmo comentário noutro blog. Respondeu-me um «pensador» republicano que, efectivamente esses 48 anos de «Ditadura Nacional» não pertenciam à República. Perguntei-lhe porquê.
- É como se V. estivesse doente durante esse período, percebe?, respondeu o dito intelectual.
Mas se eu estiver doente não deixo de ser eu - doente, acamado, mas vivo e com a mesma identidade, à espera de cura.
Desabafo final do homem, antes de desparecer por completo do pos:
- Ora batatas!

Muito lhes custa aceitar que metade da República foi autocracia!
E o que eles não são capzes de inventar para disarçar essa inocultável realidade!

Francisco RB disse...

Caro amigo,
Agora anda a fazer comentários ao capacidónio Thomas!
Marcello Caetano foi provavelmente um dos primeiros líderes socialistas de Portugal, é com ele que foi fundada a CGTP, surgiram os primeiros direitos sociais e se caminhava alegremente para uma democracia sem transtornos e com a manutenção do Portugal multicultural e multicontinental.
Contudo o Golpe das Caldas falha, muito dos portugueses (brancos) do ultramar consideravam-se superiores ao magalas vindos da metrópole que, por seu, turno não pretendiam defender a manutenção dos previlégios de alguns, Spínola e Caetano não conseguem fazer avançar o plano da autodeterminação interna e, por fim, certos sectores da extrema-direita preferiram ver cair o regime a vê-lo evoluir para o pluralismo.
Há um livro muito interessante de ficção sobre o que teria acontecido se o 25 de Abril falhasse, parece que efectivamente havia um Portugal melhor...

João Afonso Machado disse...

Caro Francisco:

Marcelo até foi integralista. Mas em 1951, juntamente com Albimo dos Reis, opôs-se a que a questão de regime fosse debatida na UN, como propunham Santos Costa e Mário Figueiredo.
Tomás, como se vê (a intenção do post é essa mesmo) não era tão gága como o pintavam. Liderava o sector mais conservador da II República, não deixando que a «primavera marcelista» andasse para a frente.

Pedro disse...

O Soares sempre enganou toda a gente... O que ele andou a fazer "durante" o 25 de Abril foi deprimente e inaceitável! Várias são as histórias (horríveis e ao mesmo tempo inacreditáveis!) sobre este senhor mas estas mesmas histórias não são verdadeiramente transmitidas a população....

João Afonso Machado disse...

Caro Pedro:
E é preciso muito cuidado a contar essas histórias; se o Soares se zanga enfia democraticamente com uma pessoa no tribunal. Já aconteceu isso com uma estudante universitária que lhe perguntou se ele tinha pisado a bandeira.

Anónimo disse...

Era só o que faltava!
Ter medo do maçon adoptado!
É ele que tem muito a esconder!

Ele, e essa maldita organização subterrânea, que transformou Portugal, num Pântano nojento, onde uma criança de 12 anos prefere morrer, a ter que continuar a viver numa sociedade onde o crime é protegido e subsidiado!

Maria da Fonte

Pedro disse...

Relativamente ao julgamento democrático do senhor soares em mim defesa poderei dizer que "contei tais histórias para o bem da Pátria e do Povo Português, e além do mais tenho direito a liberdade de expressão".... Sim, realmente isto vai de mal pior! É só roubos, burlas, violações, assaltos, violências... Ai Portugal, Ai Portugal, o que vai ser feito de ti e onde vais parar?..

Francisco RB disse...

Caros senhores, cuidado, podem sempre andar aí membros do GOL ou de outra qualquer maçonaria...

Daniel Nunes Mateus disse...

Estão a esquecer-se de uma coisa: Não foram 46, mas 64 anos de ditadura!! Partindo do principio que a 1ªRepublica foi uma ditadura quer dizer que o 25 de Abril foi a forma de marcar a diferença para a democracia. Não iludem-se Marcelo Caetano nunca transformaria a república numa democracia. Porquê? Porque não tinha coragem politica para isso. E não esqueçamos dos sub-poderes que vigoravam instaurados pelo 5 de Outubro

Francisco RB disse...

Sr.ª Maria Fonte, não pode comparar a situação sócio-económica e político-pública de Portugal com um caso de bulling, entre crianças, mnão é culpa do país, nem sequer da maçonaria tal situação, acredite há muito irmão professo envorgonhado pelo que se passa no país.
Para além de muitos membros da maçonaria regular terem dado um contributo essencial para o nosso desenvolvimento e progresso.

João Afonso Machado disse...

Caro Francisco:
Eu diria assim: entre mortos e feridos...
Meu caro: está tudo tramado - dê para a corrupção, dê para o hediondo infantil.
Isso não é, de per si, imputável ao regime.
Mas a impunabilidade - seguramente, é.
Em termos históricos, e a título de exemplo: evoluimos dos "ballet rose" para os "ballet blues".
O quwe acha sobre isto?

Francisco RB disse...

Caro amigo,
De facto houve uma espécie de evolução na continuidade, mas em matéria de direitos das crianças houve efectivamente uma certa evolução positiva, há 30 anos muitas dessas crianças iam trabalhar aos 12 ou 14 anos, hoje vão para a escola.
Contudo a escola de hoje, diferente de há uns 10 ou 15 anos atrás é menos rigorosa e transformou-se num depósito de crianças, não num local de instrução.

João Afonso Machado disse...

E depois o meu Amigo acrescenta-lhe o crime da pedófilia, que sabemos agora é à descarada...