terça-feira, 23 de março de 2010

100 anos da República: portugueses de Macau influenciaram passado da China

Um ano após a implantação da República em Portugal, em 1910, seria a vez da China ver cair a dinastia imperial para dar lugar à república, uma ação onde os portugueses desempenharam um papel determinante.
João Guedes, jornalista e investigador português residente no território defende que a "influência de Macau na proclamação da República da China a 10 de outubro de 1911 é tão evidente, quanto mal conhecida" devido à falta de investigação.
"Uma parte significativa dos revolucionários da segunda metade do século XIX, que contribuíram para a implantação da República da China era originária da província de Guangdong, com destaque naturalmente para Sun Yat Sen", um médico radicado em Macau que viria a ser o primeiro presidente chinês.
Sun Yat Sen nasceu na pequena aldeia de Kui Heng, a pouco mais de 30 quilómetros de Macau e viveu no território onde, confessou, "ganhou consciência social".
Depois de concluir o curso de medicina em Hong Kong, Sun Yat Sen fixa-se em Macau, exerce no hospital Kiang Wu e estabelece um consultório e uma farmácia.
"Ele próprio afirma que o exercício da medicina em Macau visava facilitar as suas actividades propagandísticas contra o Império", sublinha João Guedes.
O jornalista explica que Sun Yat Sen formou em Macau o "bando dos quatro", um "grupo impulsionador da formação dos clubes de leitura que incentivavam a população a ler jornais e levava a cabo sessões de propaganda política."
Viviam no território "alguns dos vultos mais destacados" que a república chinesa haveria de produzir, publicavam-se jornais proibidos no continente e que derivavam de várias orientações políticas e que eram depois distribuídos clandestinamente na China.
João Guedes defende também que o republicanismo que dominava na Maçonaria - que tinha forte implantação em Macau através do Grande Oriente Lusitano - "explica" a cumplicidade de Macau nas actividades subversivas contra a China Imperial e salienta a figura de Francisco Hermenegildo Fernandes, proprietário de diversos jornais em Macau, um maçon que era o contacto entre os republicanos chineses e as autoridades locais.
"Foi Francisco Fernandes que acolheu Sun Yat Sen em Macau após a sua primeira e malograda tentativa de revolta contra o regime imperial (1895), organizando-lhe a fuga para o Japão. Há correspondência entre Francisco Fernandes e Sun Yat Sen, que revelam além do grau de amizade pessoal, a partilha dos mesmos ideários políticos e, em determinados aspetos, os laços de fraternidade maçónica que detinham entre si", disse.
Por Macau passaram também vários ideólogos chineses, desde liberais a republicanos que influenciaram Sun Yat Sen e os seus correligionários, destacando-se Zheng Guan Yin, autor de várias obras de economia - escritas e publicadas em Macau - que refletiam as correntes mais modernas do pensamento económico do liberalismo Ocidental.

5 comentários:

Daniel Nunes Mateus disse...

Não me digam que o Mao-Tsé Tung têm algo a dever ao Afonso Costa e companhia Lda?

Anónimo disse...

Bigodes e pêras à parte, as semelhanças fisicas são notórias.
Tudo muito amacacado.

M. Figueira

MFerrer disse...

Muito interessante a informação.
Pena que estes seus comentadores que nem português da 3ª classe escrevem, se distingam pela boçalidade.
Vou fazer um link para os leitores da minha barca.
Cumps

Ega disse...

Ora seja bem-vindo o Sr. Republicano. Isto sem uns insultozinhos não tem piada nenhuma.
Homens ao mar!

Um boçal ao seu serviço, Sr. Ferrer.

Francisco RB disse...

Um bom slogan do Centenário da República:
"República Portuguesa há 100 anos a exportar ideias parvas"
Os chineses ainda nos v~em pedir uma indemnização...