segunda-feira, 15 de março de 2010

UM MANIFESTO DE «LIVRE-PENSADORES» (livremente deixados pensar)


«Ao povo Português
A todos os que têm fome e sede de justiça: os rebeldes, os fracos e os ignorantes

Faz hoje meio século que um imbecil em Roma se lembrou de dizer que a mulher que pariu Cristo na Judeia ficou virgem, que era por isso imaculada. Isto foi aceite pelos restantes imbecis que o acreditaram e hoje Braga celebra esse acontecimento com músicas, cânticos, militares armados, bispos de mitra, padres de sobrepeliz, santos de todos os tamanhos, andores de todos os feitios.
(...)
Hesitar um momento é recuar um século. A noite espalha-se por sobre toda a terra com a velocidade do raio. É necessário opormos-lhe a clara luz da Razão e da Verdade, aliás tudo ficará soterrado.
Camaradas de todo o mundo - à luta pela Verdade e pelo Bem.
Abaixo todas as religiões e todos os deuses
Coimbra, 11 de Junho de 1904»


(in Américo de Castro , «Últimos Anos da Monarquia», Liv. Fernabdes, 1918, pág. 62.

10 comentários:

Anónimo disse...

Muito interessantes estes post remetendo para bibliografia.
I.A.S.

Anónimo disse...

Caro Sr. Afonso Machado esse texto foi escrito e publicado por quem?
É que os autores de tal texto, mesmo que deixados livres a pensar, não seriam especialmente dotados nessa capacidade.
É certo que o Dogma da Imaculada Concepção só foi proclamado em 1854por S. PIO IX através da Constituição Apostólica Ineffabilis Deus, mas em Portugal já esse dogma era seguido e defendido à séculos.
Veja-se bem a Universidade de Coimbra tem como padroeira N. Sr.ª da Conceição, mesmo antes de ser a Padroeira de Portugal, os seus lentes e doutores, até à malfadada República faziam o seu juramento em defesa desse Dogma.
Seriam os iluminados livres pensadores superiores ao povo de Portugal e aos lentes da Universidade? Não me parece.
Quanto ao conteúdo de tal texto, o comentário dos livres pensadores não merece resposta, é de tal modo injurioso para qualquer pessoa, mesmo para as que não têm fé, pois afronta a mais elementar liberdade, a liberdade de crença.
Francisco RB

João Afonso Machado disse...

Caro Sr. Francisco RB:

Trata-se de um longo manifesto de que só extrai as primeiras palavras e as últimas. Vem assinado apenas «Um grupo de livres-pensadores» que, isso é claro, pertence à Academia coimbrã.
O manifesto está integralmente transcrito no livro que indico como fonte, do qual se depreende que o Autor faz parte do dito grupo.

Quanto a N. S. da Conceição (o dogma é de 12-06-1854) sempre foi venerada em Portugal. Não foi por acaso coroada Rainha nossa e não é por acaso que o 8/DEZ é dia santo. Um pouco como se passa em Fátima, que muito antes das autoridades eclesiásticas se pronunciarem sobre o fenómeno da Cova da Iria, já estava no coração dos portugueses.

Anónimo disse...

Caro Sr. Afonso Machado, fiquei esclarecido, é pena que tal texto tenha saído de Coimbra, mas olhando bem ao radicalismo patente na Universidade na primeira e segunda decadas do século passado seria de esperar.
Quanto ao culto de N. S. de Fátima, não poderia estar mais de acordo, o culto Mariano pertence à tradição portuguesa, não consegue ser apagado por muito que o radicalismo ateu o pretenda.
Afonso Costa quiz acabar com o Catolicismo em duas gerações, mas foi a I República que nem sequer durou esse tempo.
No fundo o art. 25º da Constituição de 1822 e o art. 6º da Carta Constitucional de 1826 é que traduziram melhor esse sentimento, "A religião da nação é a Católica Apostólica Romana"
Francisco RB

João disse...
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João Távora disse...

Caro João:
Infelizmente este tipo discurso está hoje perfeitamente banalizado. Poderá encontrar bem pior num dos maiores blogues nacionais o "Jugular", onde escreve João vale de Almeida, Fernanda Câncio entre muitas figuras de proa do nosso regime.
Abraço

Anónimo disse...

A Liberdade tem determinados limites... Questionar o Dogma da Imaculada Conceição é válido, mas passar para um nível de quase libertinagem...
FS

Pedro de Souza-Cardoso disse...

Se é verdade que a liberdade de pensamento é apanagio da democracia, parece-me claro que estes «livre-pensadores», que tanto proclamaram um regime imposto como sendo exemplo da democracia por excelencia, demonstram com este texto a verdadeira face que cobre não so o rosto do autor, mas como dos seus restantes pensadores. Os ideais de liberdade de pensamento servem para o autor como mera expressão que de algum modo nao passa de um dizer que fica bem, mas que no fundo nao espelha a realidade republicana, de um movimento que em nome de uma "vontade popular" que nunca o foi, serviu-se de um verdadeiro golpe terrorista para impor um regime que serviu a vontade e interesses de uns poucos que nunca representaram a real vontade do povo portugues. Obrigado por trazer á atençao este texto pois que é no minimo bonito quando falsas verdades caem por terra face a factos historicos tao interessantemente "esquecidos" pela republica.

PSC

João Afonso Machado disse...

Caro Pedro Sousa Cardoso:
A sua intervenção é bem-vinda e oportuna.
É importante que todos saibam da intransigência da República até em questões de opção pessoal, como a que aqui se aborda.
Outras serão apresentadas, para esclarecimento do público.
Cumprimentos

João Amorim disse...

"Camaradas de todo o mundo - à luta pela Verdade e pelo Bem.
Abaixo todas as religiões e todos os deuses"

Os livres-pensadores rapidamente se tornam árbitros-controladores do pensamento....