segunda-feira, 26 de abril de 2010

O falhado "25 de Abril" de Janeiro de 1912 ?

Há 98 anos, o proletariado contra a República

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«O dia 13 de Março é, pois, uma data que marca o divórcio da República com o proletariado », in Terra Livre, n.°6, 20 de Março de 1913



O mês de Janeiro contráriamente ao mês de Abril tem, em Portugal, a especialidade de forjar insurreições derrotadas?

Não sabemos. Sabemos, sim, que foi a 31 de Janeiro de 1891 que, no Porto, os republicanos, apesar de contrariados pelo Directório vêm para a rua, para morrerem ao rubro como mártires de uma causa minoritária; a 18 de Janeiro de 1934, o operariado de diversas localidades, com destaque para a Marinha Grande, Silves, Setúbal e Almada, levanta-se em «armas» contra a manipulação das suas associações de classe e, mais uma vez, sai derrotado!

Janeiro parece funcionar como um mês fatídico para o operariado, e como um mês propício ao ensaio de firmeza do Poder, espécie de «pano da amostra», para as suscessivas «classes dirigentes». Assim aconteceu também em Janeiro de 1912.

4 comentários:

bicho disse...

É um exercício interessante comparar o 31 de Janeiro ao 25 de Abril.

Ambos foram levantamentos militares, não revoluções como se apregoa; o primeiro foi feito por sargentos o segundo por capitães, em nenhum dos dois se viram altas patentes do exército envolvidas; ambos tinham o desacordo das forças políticas que mais tarde se vieram a aproveitar das revoltas, o 31 de Janeiro foi feito à revelia do partido republicano, aliás Homem Christo chegou a escrever que se tratava de uma provocação monárquica, pelo outro lado Cunhal era contra a revolução armada militar, chamava-lhe "aventureirismo" no fundo sabia que se o golpe fosse militar teria de partilhar o poder o que não lhe convinha.

No fundo são dois golpes gémeos, a guerra colonial foi o que fez a balança pender para a vitória em Abril; Janeiro dificilmente se poderia tornar um golpe de sucesso, primeiro porque o próprio PRP estava dividido entre os homens de Homem de Christo e os homens de Elias Garcia, segundo porque a grande base de apoio republicana não estava no Porto mas sim em Lisboa.

Ricardo Gomes da Silva disse...

O caro Bicho ,

A 31 de Janeiro o PRP era um partido de gente sem dinheiro e que a partir da questão vínicola esse deixou de ser um problema.Não é por acaso que Coimbra homenageou o Grandela ontem.

O de 1974 ainda tem muitos esqueletos no armário mas discordo da comparação entre homem christo e Cunhal...a não ser que o segundo se tenha tornado ,como Homem Christo, monárquico e desconheçamos

bem haja

bicho disse...

Bem, a comparação não teve a intenção de ser assim tão directa, tentei comparar os contextos se bem me entende, até porque não se pode comparar o incomparável.

João Afonso Machado disse...

Caro Bicho:
Já pensou nestes dados - em Janeiro de 1891, a Inglaterra é a´«cínica bebeda impudente» de Junqueiro e dos republicanos. Mas o Grão-Mestre Magalhães Lima vai lá pedir apoio para o 31/JAN. em 1914 já é a nossa velha aliada, ao lado de quem Bernardino quer à viva força entrar na I GG.

Quanto a Cunhal e ao 25/A, que foi indiscutivelmente um golpe de estado: Cunhal estava na URSS, rodeado de segurança, Soares a passear pelos boulevards de Paris e os nossos pais por cá, trabalhando. Mas Cunhal queria e estimulava a revolução armada, como única via até em que acreditava.