quarta-feira, 21 de abril de 2010

Afonso Costa e os jesuitas


Portugal Século XX (1910-1920), Joaquim Vieira, Círculo de Leitores

7 comentários:

Francisco RB disse...

Calma, que em matéria de anti-jesuitismo nós monárquicos também fizemos o mesmo, há mesmo na Igreja Católica sectores adversos a tal organização...

Daniel Nunes Mateus disse...

O que aqui tenta exprimir-se é o extremismo desse anti-jesuitismo. Extremismo esse bem ilustrado.

Pedro de Souza-Cardoso disse...

Sem duvida. Nunca a Monarquia teve atitudes tão extremistas, até mesmo fanáticas, como o anti-clericalismo da 1ª republica.

Ega disse...

Começo pela afirmação do Amigo Francisco. Ainda hoje os jesuítas são encarados com alguma má-vontade, mesmo dentro da Igreja. Ao seu Geral costuma(va)-se chamar o «Papa negro» - por causa da sotaina e do poder da Ordem. A explicação estará na sua notória supremacia no campo da Cultura. Dado actual curioso: anualmente são ordenados mais jesuítas do que em todo o restante clero, regular ou secular.

O que fica dito, explica o chamado anti-jesuitismo da 1ª República. Os Jesuitas tornaram-se um ícone, a personificação do clero in totu.
E, como de costume, davam cartas no Ensino. Daí a sua expulsão.

Ainda conheci um velho Jesuita que percorreu o caminho do exílio até à Bélgica. Regressaria já nos Anos 30 do séc. XX. Contou-nos toda a sua saga, numa aula de História para que fora convidado a dar o seu testemunho. Impressionante!

Mas as primeiras vítimas mortais da 1ª República (logo no dia 5/OUT) por acaso pertenciam a outra Ordem (Lazaristas), com convento em Lisboa.

bicho disse...

Falar de Jesuítas é complexo.

Não se esqueçam que D Pedro IV os correu do país para fora para Itália e Inglaterra por serem fieis a D Miguel !

Já antes disso tinham sido expulsos pelo Marquês de Pombal no reinado de D José.

O seu regresso só se dá em meados do sec. XIX onde se dedicaram às causas missionárias e de caridade, mas sempre com uma influência política forte.

O duque de Loulé tratou de os correr do ensino em 62, no seu governo unionista para fazer face às exigências dos radicais da "unha negra" fortemente anticlericalistas.

Já com o surgimento da questão Coimbrã, que o meu amigo João da Ega tanto gosta, começaram a despertar nas classes académicas de Coimbra um forte sentimento político o que para mim foi a machadada mais forte no abrir das consciências da população, com Antero de Quental à cabeça; a intelectualidade foi uma arma muito forte contra o poder instalado da época pois não podia ser combatida através da repressão armada.

Naquele tempo, as ligações do poder político e do clero eram tidas (justa ou injustamente) como uma força de bloqueio ao progresso, e os jesuítas sempre tiveram um papel muito forte como braço político da igreja, assim o entendiam os radicais, por isso os perseguiu Afonso Costa.

Francisco RB disse...

Caros amigos, a política da Iª República é até ridícula, catalugaram pessoas para provar que eram "dementes", a única razão pela qual aderiam ao celibato, etc...
Na monarquia absoluta foi pior, mataram-se jesuítas, no torno e na fogueira.
Na monarquia liberal os bens foram-lhes confiscados e eles expulsos, a lei das desamortizações tão aproveitada pela Iª República, vem numa lógica liberal.

Ega disse...

Caro Bicho:
não esqueça que no Constitucionalismo as relações entre a Igreja e o Estado foram sempre complexas. Os bens da Igreja foram nacionalizados, como sabe, e a religião era «coisa de mulheres». Leia a biografia do D. Carlos, da autoria do Rui Ramos, por exemplo, e lá verá que mesmo os monarcas ligavam pouco a tudo o que não fossem apenas cerimónias oficiais.
Aí para trás está um post transcrevendo um texto impagável de Sampaio Bruno. Segundo ele, o perigo eclesiástico resultava da influência dos padres nas mulheres através do confessionário. Estas, por sua vez, influenciariam os maridos. A solução preconizada: obrigar (isso mesmo: obrigar) os padres a casarem - assim as mulheres se afastariam do confessionário, com medo da inconfidência (do padre para sua mlher e desta para...).
Sampaio Bruno defendeu essa solução e D. António Clemente (Bispo do Porto)atesta-o, ao citar o tal escrito.