sexta-feira, 7 de maio de 2010

António de Oliveira Salazar


Esta é a expressão de quem não se conforma com a História oficial. De quem não aceita seja ocultado aos portugueses um período de 48 anos que - aos ditos portugueses - urge seja feita justiça. À moda de cada um. Estamos a falar da II República.
Para que não subsistam dúvidas, a fonte literária é recente: emana da colecção «Duas Faces», ed. QuidNovi, em conjunção com o DN, 2009. Logo na abertura do 1º vol. diz-se:
«Ser o primeiro ministro de um monarca absoluto - assim terá definido Salazar o cenário dos seus sonhos. Algo que lhe permitia governar livremente, sem freios, como Pombal (...) de uma assentada se arrumavam noventa anos de liberal-constitucionalismo e dezasseis de uma turbulenta República.
(...) era mesmo aquele poder concentrado, sem entraves, que (...) pretendia para si, em pleno século XX (...). Já não com o objectivo do progresso industrial e comercial, como pretendera o marquês (...) antes com a intenção de restaurar a administração pública e impor a ordem (...) na atmosfera do tempo as ideias conservadoras circulavam como uma brisa envolvente (...). A galáxia conservadora era vasta e incluia numerosos republicanso descontentes, que na Assembleia travavam uma luta de morte com a ala esquerda do Partido Republicano (...). O quadro político era insustentável: no dia 28 de Maio de 1926, partindo deBraga forças militares comandadas pelo general Gomes da Costa orientaram-se para a capital. (...) O Estado encontrava-se em ruínas e a Nação esperava do Exército, derradeiro pilar da sobrevivência, que pusesse cobro a tantos e tamanhos destemperos (...).
O restante da leitura fica para os interessados. Só demora 48 anos de República. É o que não pode ficar esquecido. Por muito que os ético-republicanos queiram e forcem.

8 comentários:

bicho disse...

Convém não esquecer algumas "saudáveis democracias" da monarquia constitucional das quais os "cabrais" são um bom exemplo.

Lia outro dia que nas vésperas da monarquia do norte, os legitimistas de "linha dura" os "teólogos do pelicano real" não destingiam muito os integralistas ou liberais dos republicanos; para eles era tudo "vintismo" e "setembrismo" e foi uma coisa que me deixou a matutar".

Outro dia fazíamos os dois o exercício de comparar Paiva Couceiro a Afonso Costa; refaço o repto; compare-o agora o meu amigo a Salazar, segundo dizem eram ambos monárquicos, integralistas e de linha dura, e tinham pouco pejo em utilizar a repressão como elemento disciplinador.

Um abraço.

João Afonso Machado disse...

O meu Amigo é tremendo. Não pára quieto. Mas gosto da sua argumentação. Então, vamos lá:
a) Os Cabrais foram uma «ditadura». Têm um contexto e podemos discuti-lo depois, se achar que vale a pena. Em suma, foi um ponto de ordem. Teve vantagens, e desvantagens. É passado.
b) «Teólogos do poder real». Maldade. Já disseram que Sardinha copiou Maurras. Todos dizem. Somente inspirou-se. Conhece o significado do «pelicano». Dar o próprio sangue (remonta ao Principe Perfeito - D. João II). Na loucura da I República esse foi o lema dos integralistas, por uma monarquia comunalista e contra o pseudo-liberalismo republicano.
c) Donde, não havia linha dura. Somente os cartistas e os inovadores doutrinários - integralistas. À portuguesa - logo, facilmente zangados. e conciliados, assim se abriu o horizonte da M. Norte.
c) Salazar - dúbio toda a vida. Desonesto negar a sua simpatia pela Monarquia. Foi onde nasceu. Mas sem contemplações face ao seu próprio poder. Que um rei não admitiria. Viveu a vida a jogar cá e lá, aproveitando o trauma 1920/26 da República. Aproveitoi, aproveitou - e foi aproveitando, à direita e à esquerda, ora dizendo sim aos monárquicos, ora aos republicanos. Não é exemplo. Geriu.
d) Quanto aos integralistas que lhe descobriram a careca - castigou-os, por vezes com o exilio. Não há, no «Livro Negro do Fascismo» culpas a contabilizar.
e) Porque o corporativismo dos integralistas era puro - ou idealista, ou teorico - e reportado ao Portugal antigo. Uma tentativa de voltar ao pré-absolutismo. Salazar bebeu a doutrina e materialzou a UN. resultado: Almeida Braga, Rolão Preto, tantos mais, conheceram o exílio. Porque protestara.
Em suma: os monárquicos na II Republica também conheceram os seus mártires. Não foi só o PCP.

Vou escrever um livro inteiro dedicado a si, meu caro republicano que não é.
Um abraço.

Anónimo disse...

Entre o 28 de Maio e o 25 de Abril são só 33 dias de diferença.

M. Figueira

bicho disse...

Caro João, em linhas breves:

a) de acordo, mas note bem que todas as ditaduras quando aparecem têm sempre algo de "salvador" intrínseco, costuma é sair pior a emenda que o soneto.
b)Foi por saber o significado de "pelicano real" que o referi, a criatura que bica o peito para alimentar as crias; aliás, muito de acordo com a "linha dura" monárquica ou absolutismo, o Rei é visto como um "pai da pátria". Para João II e João III o "inimigo" era judeu e muçulmano, para os "miguelistas" o inimigo transcendia a república, estava no vintismo e nem a carta o emendava, aqui estava a "origem do mal" republicano e como V. sabe tudo começa no iluminismo e chega a Portugal nas invasões Francesas, uma discussão "épica" que eu uma vez iniciei com o nosso amigo Ega e que um dia há-de terminar, vamos terminando por ai...
c)a monarquia do norte é uma coisa que tenho por confusa, exactamente porque Couceiro e D Manuel não encaixam um no outro; nas tais memórias da Condessa de Mangualde (não li, diz VPV) a srª diz inclusivamente que Aires de Ornelas nem conhecia o dia do pronunciamento... Mas acredito que para implementar a restauração se entendessem, mas nada me diz que mais à frente não entrassem em choque, ainda hoje entram...
C)d)uma relação estranhíssima Salazar e a monarquia... acima de tudo polémica ! O Mario Soares (advogado de D Maria, filha ilegítima de D Carlos, perseguida pelo salazarismo se bem me entende...)escreveu sobre as relações de Salazar e os miguelistas... É melhor debater isto noutro lado.
e)mas as relações do salazarismo com a monarquia, para mim, foram sobretudo interesseiras, numa primeira fase eram necessárias pois eram praticamente a única alternativa aos democratas da I república, pois o "sidonismo" era uma coisa de militares, praticamente não reunia adeptos na população já partida em dois; numa segunda fase salazar escolheu entre a monarquia quem lhe interessava mas isso é entrar em polémicas que não desejo porque eu até sou daqueles que acredito que os filhos não têm a culpa daquilo que fazem os pais.

Um abraço.

bicho disse...

E já me esquecia da chave de ouro do seu comentário.

Escrevemos os dois ao estilo daquele livro do personagem d'Os Maias que prometia que ia publicar e o livro parece que nunca mais acabava...

Quanto à parte do eu ser um "monárquico em negação" no dia em que eu achar que um Rei resolve os problemas da pátria, já lhe disse que estarei na linha da frente, até lá, prefiro escolher uma que me pareça digamos, menos mau !

Um abraço.

João Afonso Machado disse...

Caro Nuno:
Quase de partida para o Minho, algumas notas:
a) - D. João II: grande protector dos judeus, aliás os seus principais conselheiros, com lugar firme na sua Corte (Abraão Zacuto). Só mais tarde, com a Inquisição trazida por D. João III. A mortandade do dia de S. Domingos foi severamente reprimida, no reinado de D. Manuel (1506, se não me falha a memória). Uma luz brilha no altar, «milagre», «milagre» e uma voz lúcida diz: é o reflexo do sol. «Herege», «Herege» e o povo desatou a matar judeus. Centenas...
b) - O miguelismo nada tem de absolutismo. É uma reacção ao jacobinismo e ateismo com muita caça ás bruxas pelo meio. Andavam ainda na memória das gentes os males napoleónicos.
c) - Conde de Mangualde participou na MN, sendo governador civil do Porto e um dos últimos a render-se. Aires nunca esteve no Norte. A MN foi proclamada a 13.JAN.1919 e uns dias depois foi a tentativa de Monsanto em que ele participou e foi preso. Nunca acreditou na aventura e os do Norte demarcaram-se dele (a Junta Militar do Norte só tinha oficiais monárquicos). Houve também um problema de comunicações, cortadas pela revolta democrática de Santarém. Os comboios foram suspensos, telefones e telegrafo idem, as notícias chegavan remotamente. Pouco antes de 13 de Janeiro, o Ministro da Guerra veio ao Porto, mas deixaram-no regressar sob compromisso de nada fazer até chegar a Lx! Enfim, muito à portuguesa, creio que n~
ao havia vontade de guerrear, confiou-se apensa na adesão popular como factor decisivo.
c) Essa senhora nunca se provou ser filha de D. Carlos. E o advogado dela foi Luso Soares e não o nosso Mário.
d) O Estado corporativista foi fundado com base no ideario integralista (monarquia orgânica). Claro que na prática nunca funcionou como tal, mas como tudo e todos a venerar Salazar. Este serviu-se dos monárquicos que o consentiram. e foram muitos. Ia-lhes dando uns rebuçados. Como por ex. determinou funerais de estado para D. Manuel II. Isso foi visto como um sinal de que a Monarquia seria restaurada. Mas não esqueça os monárquicos oposicionistas: R. Teles, Barrilaro Ruas, Sousa Tavares e tantos mais.

Enfim, estão aqui do lado a dizer para me conter nos comentários.
Um bom fim-semana para si.

bicho disse...

Então ficam as últimas notas.

Foi num livro antigo de António Sérgio que li que as perseguições aos mouros e judeus já começaram no tempo do "príncipe perfeito" o livro é "breve interpretação da história de Portugal", um manual antigo do tempo da minha mãe na faculdade de letras, diz o autor :" O maior historiador Português, Herculano (1810-1877) escreveu sobre a origem e estabelecimento da Inquisição em Portugal, um livro que é um primor de narrativa histórica, mas talvez um tanto injusto com o Rei D João III. Não menos que este aliás, se mostraram duros D João II e o povo da sua época, quando se transportaram Judeus para África e se mandaram os filhos para S. Tomé.".

Quanto à MN é como lhe digo, é tudo confuso e difícil de interpretar, muitos historiadores falam de clivagens entre "miguelistas" e "liberais" que duraram até 1919, João Medina é um desses, Já VPV prefere "isolar" Couceiro como um "aventureiro", a meu ver é a versão que bate mais certo; mas não se esqueça o meu amigo que eu não tenho uma biblioteca com milhares de exemplares a falar sobre o tema, é perfeitamente natural que V. seja mais esclarecido do que eu, já por isso me agradam estas conversas com que vou aprendendo.

Contra o resto é como lhe disse, prefiro nem discutir. Há muito "trás e leva"; D Maria, Duque de Loulé, o Italiano, D Duarte, enfim...

Sabe bem melhor que eu que para cada um destes há uma corrente que estuda e afirma, mas há um grande "lavar de roupa suja" pelo meio, precisamente por isso não me interessa o tema; é mais coscuvilhice que história .

Só falei porque dizem que há um livro do Mário Soares (o nosso Mário) onde é referido um certo "colaboracionismo" entre D Duarte Nuno e Salazar. Nunca li o livro, não sei com que bases a afirmação é feita, nem sei se estão correctas estas afirmações.

Pela parte que me toca, nada me move contra D Duarte Pio por isso tudo como dantes, quartel general em Abrantes.

Um abraço e bom fim de semana meu amigo.

João Afonso Machado disse...

Caro Nuno:
Até aqui já chegou a Net.
Um apontamento: o Senhor D. Duarte Nuno respeitava efectivamente Salazar. Por uma razão simples: Estava no exílio e Salazar deixou-o regressar e fixar residência em Coimbra e depois em Gaia, aliás em condições muito más. Mas foi o regresso da Familia Real, ao fim de tantas gerações.
Assim conseguiu Salazar «segurar» muitos monárquicos também. Talvez tenha presente o que já aqui deixei sobre a tentativa de alterar a Constituição em 1951 (após morte de Carmona) para restaurar a Monrquia, o que Marcelo inviabilizou, com Albino dos Reis.
E isto leva-me à nota final: a dos episódios picarescos dos pretensos candidatos. É ciclico, de vez em quando aparece um D. Sebastião qualquer a dizer «finalmente cheguei».
O último foi o nosso fadista, com a história dos Loulés e muito despeito porque lhe recusaram o «Dom» que pediu. Agora saiu do PPM e, se reparar, há já meses que o assunto morreu.