quarta-feira, 19 de maio de 2010

José Relvas - algumas proclamações suas sobre os seus.


José Relvas foi um riquissimo proprietário de Alpiarça. O seu "Solar dos Patudos" é hoje um museu dedicado à arte da fotografia, que Relvas praticou e aperfeiçoou com esmero. Aderiu ao Partido Repúblicano em 1907. Talvez pensando num Portugal de Progresso, decerto bem-intencionado. Era um "dandy", foi um lutador por quanto acreditava. Coube-lhe proclamar a República, em Outubro de 1910, da janela da Câmara Municipal.
Ocupou cargos públicos e nunca deixou a fotografia. Dos seus "companheiros de estrada" fez alguns retratos, como os a seguir transcritos. Bem pouco "fotogénicos".
Sobre Teófilo Braga (Presidente do 1º Governo Provisório e Presidente da República em substituição de Manuel de Arriaga): «Nunca houve fama e prestígio menos merecidos (...). Há no seu aspecto externo um desleixo miserável. Sem hábitos sociais, (...) dotado de uma natureza fundamental e incorregivelmente plebeia, avarento, fazendo livros sem probidade, atacando sinuosamente os homens em que receia competidores, descendo até às vis insinuações (...) ambicioso, mas de uma vulgar e baixa ambição, sem a nobreza de quem aspira a um alto destino para a realização dum grande ideal, Teófilo Braga exterioriza o tipo de adelo, coçado ao balcão, em que tem vendido a algumas gerações uma obra feita de retalhos (...) em que as botas cambadas e rotas dos pontapés que deu a Herculano e Castilho emparelham com a casaca de casamento com que teve o impudor de se apresentar na primeira festa diplomática (...)!
Fez do primeiro Governo da Revolução um corpo acéfalo, desprestigiou numa figura sem grandeza a mais alta magistratura da República, atravessando os onze meses de ditadura revolucionária a sofismar (...). É o maior responsável da falta de unidade, que teria desde a primeira hora assegurado a obra de regeneração nacional (...)».
É CASO PARA PERGUNTAR- ENTÃO A REPÚBLICA SALVÍFICA NÃO ARRANJAVA MELHOR PARA COMEÇO DOS SEUS DIAS?
Depois, sobre Bernardino Machado, viciado em Ministérios e por duas vezes Presidente da República: « Nem João Chagas nem Afonso Costa queriam acreditar na duplicidade do homem que fora ministro da Monarwuia com João Franco e que tinha feito em singulares condições o mais entusiástico panegírico da Família Real num banquete dos agricultores de Santarém, do homem que desde os seus primeiros actos de solidariedade como Partido republicano traía, para quem o ouvisse com prevenção, as intenões de supremo domínio, que jamais o abandonaram através de todas as fases da propaganda, da implantação e da evolução das novas Instituições. Foi preciso pôr diante desses dois chefes da democracia as provas evidentes de toda a trama que ele urdia na sombra (...)».
VAMOS TENTAR DESCOBRIR COMO BERNARDINO JULGARIA RELVAS E OS DEMAIS?

4 comentários:

bicho disse...

Um personagem triste Teófilo Braga.

José Relvas certamente que fala do Teófilo Braga da 2ª presidência, depois de lhe falecer a esposa e da consequente entrada em declínio.
É uma análise muito superficial feita por um daqueles republicanos produto do cansaço dos últimos anos da monarquia rotativista e Franquista.

Tem uma extensa obra Teófilo Braga e merece respeito, tanto pelo que publicou como pela sua caída em desgraça.

Comparar Teófilo Braga a Bernardino Machado é como dizia um amigo meu, comparar o olho do traseiro ao mês de Março.

Bernardino Machado é um personagem de fraca índole, tal como o seu amigo Afonso Costa; Bernardino queria poder, Teófilo não me parece que quisesse algo sequer parecido, um buscava a glória, o outro buscava servir o seu país.

Tem razão na critica que faz João Afonso, cada um ao seu estilo foram fracos dignitários dessa república que nascia; mas em pólos opostos.

Luís Bonifácio disse...

A casa dos Patudos não é um museu dedicado à fotografia. Esse é a Casa de Carlos Relvas (Pai do Patudo) e situa-se na Golegã.

Quem visita a Casa dos Patudos vê aquilo que espera na casa de alguém que se julga pertencer a uma elita esclarecida.

Tudo nessa casa "vem de fora", do estrangeiro. Nesse tempo, tal como hoje o que é Português é algo visto intrinsecamente como Mau.

No entanto há apenas um artigo que é nacional - Os quadros. Na transição do século XIX - XX, a burguesia portuguesa estava, culturalmente falando, 50 anos atrasada em relação à europa. É por isso que José Relvas que gastou rios de dinheiro naquela casa não comprou nem um único quadro francês de final do século XIX (Impressionista), o seu gosto não estava preparado para tanta modernidade. A pintura existente tudo de pintores Portugueses que no ínicio do século XX pintavam quadros que em França não se pintavam há mais de meio século.

João Afonso Machado disse...

Meu caro Nuno: Teófilo foi sempre assim- Amigo de Arriaga há 40 anos cortou relações com ele quando o viu escolhido para PR. E ficou-lhe com o lugar quando Arriaga se demitiu após a «ditadura» pimenta de Castro. Isto só para dar um exemplo.
De qualquer modo, por aqui se vê como «eles» se estimavam. Também em 1926 Mendes Cabeçadas foi logo pela borda fora e com ele outros tantos. Até o Gomes da Costa! Em 1974, logo em Junho, Palma Carlos demitia-se e chegava Vasco Gonçalves... Enfim, está a ver onde quero chrgar, com certeza.

João Afonso Machado disse...

Caro Luis Bonifácio:
Obrigado pelas correcções. Na verdade nunca visitei os Patudos, com pena.
Quis também com o texto acentuar o dandysmo de Relvas, talvez pouco congruente com os «vivas» que deve ter solto da varanda da Câmata de Lx.