quarta-feira, 12 de maio de 2010

Uma Igreja Republicana?




O Almanaque Republicano, num inaudito momento de pirrice, veio sublinhar as palavras recentes de Bento XVI: "Nos cem anos da República, as minhas felicitações e a minha bênção a Portugal inteiro, país rico em humanidade e cristianismo". Parece-me que a mensagem é clara e tanto os republicanos como os monárquicos devem entende-lâ: a «César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mateus 22:21).
A Igreja tem, desde o início das Comemorações oficiais deste Centenário da I República, deixado passar uma mensagem que se torna agora mais forte: a de que o 5 de Outubro de 1910 foi, para o seu corpo institucional, uma libertação. E, em certa medida, foi-o, mas é necessário contextualizar tal afirmação, compreendendo o antes e o depois.
O antes é um Liberalismo que sequestrou a Igreja tornando-a uma Secretaria de Estado. Não era o Regalismo do Absolutismo, era antes o Burocratismo Mação a laicizar a Igreja e a utilizá-la como extensão do seu domínio subterrâneo.
O depois é humilhação, a perseguição e a espoliação. Se isto é liberdade, bem, sê-lo-á pelo fogo. Mas a Igreja não pode esquecer que a I República constituiu uma hecatombe que dura até aos dias de hoje: o estado do património religioso das nossas catedrais, igrejas e ermidas em ruínas, assenta sobre o sequestro e a nacionalização dos bens eclesiásticos, em 1911.
Porém, o mais preocupante, quanto a mim, como Católico que sou, é que sob a Concordata de 1940, se tente passar uma esponja sobre os 30 anos antes e se transforme a II República (1933-1974) no paradigma dessa tal libertação e de uma sã convivência.
E hoje, nesta III República que tem como porta voz, de novo, a Maçonaria, espanta-me que a Igreja reclame liberdade quando volta a ser refém do Estado, através dos seus às suas IPSS, católicas, às obras de cariz paroquial, da tutela conjunta de património, etc.
Espanta-me mais: que a Igreja se esqueça, como em graça referia, há uns anos atrás, Miguel Esteves Cardoso, que o Pai Nosso começa com a frase: «santificado seja o Vosso Reino» e não «santificada seja a Vossa República».

5 comentários:

João Afonso Machado disse...

O Sr. Anrónio Reis devia sentar-se uma tarde numa cadeira lá na sala do GOL e lêr o livro sobre o Bispo do Porto.
Depois, nuna das suas brilhantes alocuções, vinha a público exlicar aos portugueses a história da pastoral, a chamada do Bispo a Lisboa, o seu interrogatório, o exilio, etc, etc.
Porque não o faz?

Porque estamos todos a assistir à cavalgada do GOL, nestes últimos tempos, emverdadeiros atentados contra a nossa liberdade.

Se se vão reduzir salários, porque não se retira aos milhões do centenário ua fatia substancial - tda aquela gasta em mentir aos portugueses?

Nuno disse...

Cara JAM, deixei aqui, há meses, um repto para se lançar uma petição pública contra o desperdício desses 10 Milhões; voltei a renovar esse repto há duas semanas, em mensagem que enviei para vários grupos de cariz monárquicos com algum poder mobilizador - e nada...

bicho disse...

Caros amigos.

Concordo que gastar 10M a comemorar uma coisa que até entendo que vos faça espécie é um exagero, aliás, alguém deve estar a "levar umas amêndoas" de comissão com estas obras...

Mas vejam as coisas por outro lado; comemorar é república é uma desculpa para educar a população; por poucos que sejam, ver gente a discutir temas que já pareciam estar mortos à mais de 100 anos, num país mergulhado em profunda ignorância histórica e onde as referências culturais se resumem à novela da TVI tem obrigatoriamente de ser uma coisa positiva; já sabemos que o "jacobinismo" se faz pagar bem caro por estas iniciativas, aliás o mastro milionário de Paredes tem tanto de abstruzo como de chocante mas enfim, cidadãos esclarecidos certamente que farão melhor o Portugal de amanhã.

Nuno Castelo-Branco disse...

Não se ralem, a população está a "comemorá-la" ao contrário, nesta semana de 4 dias intensos. Eles que vejam a resposta à campanha e pensem um pouco mais!

João Afonso Machado disse...

Meus Amigos:
10 milhões é um atentado à moral. Até por que calculo que parte substancial vá na conta da remuneração dos operadores.
Impõe a honra (se isso ainda existe...) que seja ressalvada a pessoa do Dr. Santos Silva. Estamos em trincheiras opostas mas o binóculo sabe distinguir uma pessoa de bem, e portuense.
(Esse o seu defeito: é deste microclima, tão húmido e tão diferente do velho Minho).
Os 10 milhões ja lá vão. Já fugiram do port-monait, como dizia a minha avó.
E tudo por uma razão só: a República está cheia de medo. E ditrai e distrai-nos nestas encomendas, enquanto alevanta o «génio» de 1/2 dúzia e vai prosseguindo nas suas cavalidades, até ghegar à Antiguidade grega...