terça-feira, 25 de maio de 2010

«Portugal Trágico - O Regicídio (I)», de José Brandão


José Brandão nasceu em 1948, em Oeiras. Fez a Guerra Colonial em 1969-71 e foi preso pela PIDE em 1973, sob a acusação de pertencer à Acção Revolucionária Armada (ARA), organização ligada ao PCP. A audiência do seu julgamento, no Tribunal Plenário de Lisboa estava marcada para o dia 25 de Abril de 1974...
Posteriormente, envolveu-se no mundo sindical, na área ideológica do Partido Socialista e da UGT. Viria mais tarde a afastar-se da vida partidária. Colaborou com diversos jornais de âmbito nacional e regional e escreveu livros. De momento, vai trabalhando num projecto literário que denominou «PORTUGAL TRÁGICO», a desenvolver em três publicações: «O Regicídio», «A Morte de Sidónio» e «A Noite Sangrenta».
Deu recentemente à estampa o primeiro deles (Âncora Editora). São palavras do Autor, na Introdução:
«Poucos acontecimentos políticos do século XX são tão enigmáticos e horrorosos como os que ocorreram em Portugal entre 1908 e 1921.
Não há memória de em tão curto espaço de tempo ter acontecido tanta tragédia e tanto mistério como se verificou em Portugal no decorrer desses anos. Morreu um Rei que reinava, morreu um Presidente que presidia, morreu um Chfe do Governo que governava, morreram homens de vulto da política portuguesa, morreram milhares de portugueses nas guerras externas, morreram centenas de portugueses nas revoluções internas.
(...)
Recordar o que se passou em Portugal nestes escassos treze anos de uma História de nove séculos serve, entre outras razões, para conhecer melhor o que aconteceu ontem e, inevitávelmente, para compreender ainda melhor o que acontece hoje».
O desenvolvimento deste trabalho incide sobretudo sobre as actividades da Maçonaria e da Carbonária. Luz de Almeida, António Maria da Silva, Aquilino Ribeiro... tudo são nomes nele assaz mencionados.
A isenção e o rigor com que os factos são apresentados é merecedora do maior realce. Independentemente das convicções ou opções políticas de José Brandão, que desconheço, fica uma noção de justiça e um respeito pela realidade histórica que fazem corar de vergonha todos esses ético-republicanos que todos os dias nos tentam impingir a sua banha da cobra.

6 comentários:

bicho disse...

Já está na lista.

Obrigadinho pela dica.

João Afonso Machado disse...

Caro Nuno:
Em si o livro não trás grandes novidades. Mas mostra como se pode ser isento, ou, eventualmente, como há simpatizantes monárquicos que são ideológicamente de Esquerda. Ou seja: desmistifica e quebra preconceitos.

Anónimo disse...

ARA?
Eu nesse tempo ia mais pelo anarco-comunalismo. A gente queria o Rei mas dispensava os ministérios e os ministros e cambada afim.
Vou ver o que o Brandão conta.

M. Figueira.

Pedro de Souza-Cardoso disse...

A desmistificação do preconceito Monarquia versus Esquerda é de grande importancia. A ideia de que a Monarquia é contraria a uma ideologia de esquerda é hoje um dos grandes argumentos utilizados por estes ultimos contra a Monarquia. O que até nem faz grande sentido se pensarmos que Portugal já apresentou Reis que eram sem duvida ideologicamente esquerdistas.

João Afonso Machado disse...

Caro Pedro:
D. Carlos sempre se rodeou dos homens da esquerda do seu tempo. Socialistas. E entendiam-se bem. É ler Oliveira Martins, Augusto Fuschini. Aliás, com António Cândido (a Águia do Marão) e com Junqueiro, antes de este se zangar com o Rei. Enfim, com Eça e com Ramalho, mesmo quando estes espetavam As Farpas.

Pedro de Souza-Cardoso disse...

Sem duvida, mas mais que isso, o carissimo João Afonso Machado encontrará na figura de D.Pedro IV, o Liberal, um optimo exemplo de esquerdista...